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domingo, 10 de maio de 2026

Caveira Casual #8 — Caim, Abel, Shakespeare e Cachaça


Não sei o que estou fazendo da minha vida. Sou só um garoto, perdido no meio do lixo, sem nada mais. É o que costumo dizer para mim mesmo. O álcool me embriaga; a solidão me faz companhia, formando a solitude. Ontem não estive só, estive com um grupo formado por mim, um amigo e novos amigos. Para ser exato, um grupo de seis pessoas. Quatro rapazes e duas moças. Estivemos numa mesa, rodas de cerveja, rodas de cachaça, rodas de petisco. Algo que julgo ser bem brasileiro. Tenho duas fotos disso, embora nós não tenhamos fotos em grupo.





Atualmente, encontro-me bebendo. Bebendo chop. Algo que tenho feito com dada frequência. Naquela mesa, percebi que éramos todos jovens adultos LGBTs. O que me deixou levemente mais confortável. Contei até um caso de um amigo hétero que, embora tivesse posicionamentos progressistas, desconsiderava a ameaça trumpista. O que quero dizer? Quero dizer que ele não via, diante dos próprios olhos, a ameaça que surgia. Sei que pode parecer cafona e brega. Sei que pode parecer progressista. Mas di-lo-ei: eu não vejo nada de bom no espírito trumpista. Eis aqui o meu chopp:




Dizem que Trump é ruim só se você for de esquerda. Eu digo o contrário. Eu digo que odeio Trump por ser de direita. Eu digo que odeio Trump por ser conservador. O que pode parecer difícil para a maior parte das pessoas. Eu odeio ataques às instituições. Eu odeio a demolição das instituições. É por isso que sou conservador.


Sou conservador, pois não espero que humanos sejam íntegros e sóbrios por natureza. Reconhecer que grupos dominantes detêm o local público para si e oprimem quem não o detém é ser conservador, reconhecendo também que a alma humana é uma miserável pilha de segredos, então eu chego à mesma conclusão. O mundo não era melhor antes. A natureza humana não será melhor agora. A maldição de Caim é essa: escravizar os outros em conformidade com a sua própria natureza. Héteros não são do mal por serem dominantes, são do mal por serem humanos e dominantes. A natureza humana é um amontoado de diferentes ciclos de dominação. Pode ser hétero, patriarcal, burguesa ou socialista. A burocracia soviética era mais opressora que a dominação hétero-burguesa. Se o mundo for bissexual, será tão opressivo quanto.


Certa vez, li um livro de teologia algo mais ou menos assim: Abel significa livre como o vento. Caim significa atado à Terra. Abel ofereceu uma oferenda melhor para Deus. Não porque era melhor, mas porque não pagava imposto. Quando Deus puniu Caim colocando-o como Abel, Caim não foi punido. Ele se tornou tão livre quanto Abel. Mas o que Caim fez? Recriou o imposto e o Estado. As estruturas de repressão são comuns à natureza humana desde a sua queda. A maldição de Caim é recriar as condições de opressão. Não importando qual seja o modo. Sou conservador. Logo levo o pessimismo antropológico bastante a sério. Creio que isso explica a razão de eu ser conservador. Não é a bissexualidade que me afasta do conservadorismo, é ela que me leva a ele. Creio que isso explica a razão de eu ser conservador. Não é a bissexualidade que me afasta do conservadorismo, é ela que me leva a ele. A estrutura de Caim é imortal... visto que é ela que demonstra que religiosidade extrema não é sair nas ruas cortando cabeças. É poder levitar mesmo com todas as contradições mundanas. O ser é, mas tudo leva a crer que não pode sê-lo.

Parmênides = o ser é e o não-ser não é.
Heráclito = a existência precede a essência.
("Não se pode banhar duas vezes no mesmo rio", essa frase cria uma identidade fluida, logo não há um ser tão definido como em Parmênides. Por tal razão, uso a solução de Sartre para explicar o que penso de Heráclito)
Mas a existência é, em si mesma, uma essência.
Ela indica um ser que quer se realizar, mas as condições sociais tolhem isso.
O ser justifica-se perante a tribo.
O ser justifica-se perante a matéria que o nega.
O paraíso é a totalidade do ser. 
E a totalidade do ser é Deus.
O ser só é ser perante o absoluto, visto que o ser só é ser perante Deus e mais nada.
Vimos, no maior dos filósofos conservadores, em Shakespeare, a seguinte pergunta:
Ser ou não ser, eis a questão.
Nesse teatro, Rei Lear, ele finge loucura até ser quem quer ser. Ele nega o ser até poder afirmá-lo.


Nota: quando estava escrevendo isso, eu estava bêbado. Quando fui editar isso, eu estava bêbado. Quando fui olhar esse texto de novo, eu literalmente tinha virado a noite numa festa de quinta pra sexta e outra de sábado para domingo. Meu cérebro parece que foi jogado num liquidificador. De modo que, mesmo revisando o texto agora, ele me parece mais algo saído de um fluxo de consciência precarizado pelo álcool do que produto de alguma razão. E percebo isso agora mesmo estando completamente cansado das duas festas a que fui anteriormente. Resolvi preservar o texto em sua loucura original apenas pois o formato dessas postagens (Caveira Casual) me permitem isso.

sexta-feira, 1 de maio de 2026

Caveira Casual #7 — The Cure, Almografia e Automutilação Emocional

 


Começo colocando o início do álbum "Faith" do The Cure. A começar pela música "The Holy Hour". Mais uma vez, impressiono-me com o baixo. Isso vem se tornando uma rotina. Colocar uma música e escrever. Mais uma vez, não me impressiono com o debate brasileiro e com como o Congresso impressionou Lula. Não tenho nada a dizer. Eu não espero nada do Congresso, eu não espero nada do Governo. Se não fosse por isso, não passaria a maior parte do meu tempo lendo e estudando a política de outros países. Os movimentos Never Trumper, Reformicon, Red Tory e a China me impressionam mais. Faço isso por causa do tédio. O debate brasileiro parece ser algo que eu já sei o que acontecerá. É como uma série na qual até mesmo mais violento spoiler não impressiona em nada e cheira a clichê.


"Primary" começa a tocar. Em um ritmo mais rápido, diga-se de passagem. Não perde a tonalidade sombria, mas o som vem mais agressivamente. É como correr bêbado no escuro em uma rua deserta de uma cidade urbana. É como rir bêbado no alto da calada da noite. Em uma espécie de efusão momentânea de algo que você não sabe o que é. Algo que vem como uma risada de desespero. Tal como a política brasileira, é como rir de algo ridículo que você já esperava mesmo. Não espero nada, não me entregam absolutamente nada. Não que eu seja niilista, a realidade é que é. Não luto contra ela, apenas bebo meu álcool e a esqueço. Vocês que insistem em citar Getúlio Vargas e Carlos Lacerda esperando que algo de mágico volte a ocorrer.


"Other Voices" começa a tocar. Sigo o ritmo alucinante da escrita surrealista. Escrevo sem parar para que tudo que tenha na minha mente possa vir a pipocar e quebrar por meio de palavras que formam frases. Tentando extrair cada canto obscuro do meu inconsciente. Tentando voltar ao pouco de originalidade que ainda me resta, visto que foi obrigado a sair de mim. Não paro, nem por um minuto, para que minha obsessão tome forma estilística. Escrever dessa forma é como escrever bêbado. Não sei se o leitor ou a leitora já tentou. Compreendo a razão dos /mu/tants do 4chan serem muitas vezes libertários.


"All Cats Are Grey", essa é a música que começa a vir. Tal como tudo na vida, é uma questão de instante. Mesmo que eu esteja cansado de escrever, preciso extrair de mim aquilo que me impede de escrever. Forçar uma revolução tal como se extrai um coração de um vampiro. E quem não é um vampiro? O vampiro não sai de dia, visto que pertence à noite. Pertence à noite, visto que não está no nosso mundo. O vampiro rejeita o alho, já que o alho é saudável. O vampiro vive em festas de mistérios, já que a festa o aliena da reflexão sobre si mesmo. O vampiro teme a cruz, tal como o diabo teme a cruz, visto que o que teme é o sofrimento. O vampiro existe para se vincular a tudo que é alienante. O vampiro existe para tomar sangue em sua natureza parasitária. Eu entendo isso, eu sou assim. Eu sou um vampiro há muito tempo. Sempre me escondo. Sempre vou embora. Não há nada que me livre dessa condição. 


"The Funeral Party". Essa é especial. Soa como um romance doce e inacabado de alguém que já partiu e nunca mais voltará. Ela traz o desejo de um retorno que nunca poderá retornar. Tristemente deliciosa em sua proporção. Evoca a mais tenra depressão. De alguém que chora com um misto de felicidade e tristeza. Felicidade, visto que lembra da pessoa amada. Tristeza, visto que a pessoa amada nunca voltará. Como tenho uma vida recheada de erros, sei como é sentir isso. Lembrar de cada fragmento de momento. Sabendo que errei em cada um deles. Sabendo que fiz partir quem profundamente amei por causa da minha natureza doentia. Conjecturo como seria minha vida se eu não tivesse errado tanto. Como seria se eu não fosse tão volátil? Como seria se eu não fosse tão doente, tão podre, tão errático. Deduzo, a partir de um cálculo psicológico e criminoso, que seria muito melhor. Seria melhor até mesmo se eu nunca tivesse existido. Seria melhor até mesmo se eu tivesse já partido.


"Doubt". É uma das mais violentas do álbum. Parece uma alcateia de lobos correndo atrás de um coelho assustado numa noite de Lua cheia recheada de neve. É como correr após desligar toda a mente na tentativa de descarregar todas as emoções do corpo. É o que tenho feito. Descarregar e descarregar. Mesmo quando termino de psicologicamente correr, os sentimentos e as memórias ainda estão infelizmente lá. Não importa quantas latas de cerveja, não importa quantas doses de cachaça, não importa com quantas pessoas eu fiquei, não importa quantos casos resolvidos, não importa quantas investigações eu faça. Eu sempre estou tentando explicar, demonstrar, fazer alguma coisa que prove que minha alma é real nesse universo de lixo.


"The Drowning Man". Essa é mais calma. É como estar numa praia na noite. Está chovendo e ventando de leve. Os coqueiros simplesmente balançam. Estou sozinho. Estou sozinho a desenhar o universo em desencanto. Minha mente se eleva para pintar cada quadro obsessivamente depressivo que surge das minhas dúvidas. Não há nada que eu possa fazer. Dói. Todavia, eu sinto que quero continuar nessa condição de esvaziamento melancólico. Tal como se eu não pudesse mais fazer nada. Eu sinto que preciso continuar. Sinto que estou a desenhar cada contorno torto de minha alma. Quero que tudo vá, para que eu possa ver a almografia da minha alma. Quero desenhar cada um dos meus pecados, quero desenhar cada um dos meus erros, quero desenhar cada beijo falso que dei na esperança torpe de tornar a minha falsidade real no coração de alguém. Sei que isso é arriscado. Sei que tudo isso soa depressivo. Todavia, a continuidade da dor é o remédio de que preciso para refazer esse espelho quebrado que chamo de chama da minha alma.


"Faith". Essa é a última música. Também é a música que dá nome ao álbum. Ela corre obsessiva e lenta, como os dedos carinhosos de mulher amada. Lembra-me dos cafunés que abandonei em prol dos novos erros da minha alma desalmada. Cada boca amorosa que abandonei na busca de curar o abandono que senti em minha infância apequenada. Cada abraço que fugi em prol de recordar que eu sempre serei só. Estou sempre a correr em círculos. É a dialética do ouroboros. Estou sempre a comer meus erros passados ao cometê-los de novo e de novo. Saturno sempre devora seus filhos. Eu sou Saturno dos meus erros. Cometo-os novamente, apenas para apreciá-los psicoticamente em cada dor que causam ao meu estômago. Sentir dor é, atualmente, a única coisa que me faz sentir que sou real. Ardentemente prossigo em minha automutilação emocional. 

quinta-feira, 30 de abril de 2026

Caveira Casual #6 — The Cure e Looping de Flashback

 



Enquanto ouço "Seventeen Seconds" do The Cure, bem na música "Reflection", dominada pelo som sombrio, penso na influência de uma pessoa na vida de outra. O momento em que decidi que frequentaria o /mu/ do 4chan se dá pela influência de minha ex-namorada, atualmente meu ex-namorado, visto que mudou de gênero. Por falar em mudança de gênero, a música também mudou: "Play For Today" começou a tocar.


Minha ex, meu ex, tinha o costume de dizer que meu gosto musical era horrível. Isso me fez procurar o /mu/ do 4chan para ouvir mais álbuns. Lá, tornei-me /mu/tant. Isto é, um hipster que ouve música atrás de música até se tornar musicalmente irreconhecível para a maioria das pessoas. Posteriormente também viriam o /tv/ e os filmes Found Footage. O que me tornou ainda mais hipster.


Começou a tocar "Secrets". Percebo que esse álbum rima mais com o tom da minha personalidade atual. Isto é, um pouco mais sombriamente harmônica. Não sei se isso é uma impressão do momento. Também não saberia especificar quando a minha personalidade se tornou assim. Sou um desconhecido que, por algum motivo, está sempre metido em alguma confusão ou algum grande plano. Também estou sempre lendo o que ninguém lê, assistindo o que ninguém vê, ouvindo o que ninguém ouve. Torno-me cada vez mais deslocado, por assim dizer. É o preço do aprofundamento. Todavia há o contrapeso de ser mais aberto a diferentes tipos de experiências.


Começou a tocar "In Your House". Agora me lembrei da razão de continuar a ser /mu/tant: queria continuar a me redescobrir. Ouvir álbuns e descobrir as diferentes sensações que me causam gera espantamento. Músicas são criadas para gerarem sensações. Ouvir álbuns é como passear num parque de sensações e, também, mergulhar em memórias antigas que passam como flashbacks de assuntos mal resolvidos ou que nos remetem a experiências que esquecemos. Atualmente me é mais apreciável ficar ouvindo música, ler livros e assistir filmes do que ficar vendo gente brigando na internet.


O som "Three" começa a tocar. O som inicial parece o de um filme de terror. Mais especificamente, algo que gera um suspense. Embora se construa uma balada sombria logo após isso. Sombriamente dançante, melancolicamente belo. É difícil descrever tal experiência taciturnamente bela. É como estar internado numa cama de hospital enquanto médicos e enfermeiros dançam, você não entende, meramente sorri e se diverte enquanto o seu coração para de bater.


Começa a tocar "Final Sound", de 52 segundos. Instrumental. Tom sombrio. Mas logo estou em "A Forest". Sinto que estou numa floresta, uma com um pântano. Sinto-me sozinho. Sinto o frio que o som transmite. Embora a bateria comece a bater a ponto de fazer parecer que corro sozinho. Talvez eu esteja a correr de meus próprios sentimentos. Por algum motivo, lembro-me de que baixei "The Red Room" de H. G. Wells no Project Gutenberg. É como se eu buscasse itens, sensações, livros, pessoas que eu esqueci. Ou até mesmo como se eu buscasse o que eu perdi em mim mesmo. Penso na nova identidade que estou formando após minha última empreitada literária. Não há uma forma definida. Apenas algo que eu não sei o que é. Não sei o que estou a me tornar. Não sei do que estou a escrever. Só sigo indo. Indo. Indo. Indo. Correndo de forma paranoica para um futuro que não sei exatamente o que é.


Fui almoçar. Tinha terminado a música anterior antes de sair do quarto. Agora ouço "M". Uma música com um título extremamente curto. Todavia, extremamente bem composta. Creio que ouvir álbuns é uma excelente forma de se reencontrar. Sair psicologicamente do passado requer que estejamos mergulhados em novas experiências. Mesmo que seja doloroso. Às vezes ficamos tendo um "looping de flashback". O que é horrível? Enquanto eu escrevia, fui parar na "At Night".


Quase tudo que faço tem a ver com alienação. Quero ler, pois quero me alienar. Quero ouvir álbuns, pois quero me alienar. Quero ver filmes, pois quero me alienar. Quero sair para beber, pois quero me alienar. Quero sair para ouvir música, pois quero me alienar. É como se eu quisesse criar uma barreira. Uma barreira que me protegesse do mundo e das pessoas que estão nele. Isso até eu me recuperar. Me recuperar de algo que eu não sei exatamente o que é. Me recuperar de algo que me suga há muitíssimo tempo. Algo psicologicamente indefinido e temporalmente indecifrável. Quase toda minha existência é e foi assim. De alguma forma, isso sou eu. Há um castelo mental a se erguer diante de cada experiência que eu tenho, da qual eu tive e da qual terei. Não sei a razão, apenas sei que é assim. Não queria funcionar desse modo, apenas funciono desse modo. Já tentei mudar, já tentei ser outro alguém, só que nunca obtive sucesso nessa empreitada. Quase toda minha vida literária é uma fuga do sofrimento. Sofrimento esse que é a própria vida exterior a qualquer coisa que não seja a minha mente.


Cheguei à música "Seventeen Seconds". Do mesmo modo que o álbum anterior, esse álbum também tem uma música que dá o nome do próprio álbum. Uma questão que sempre me pegou é o fato das pessoas lerem esse blog. Nunca entendi a razão das pessoas lerem esse blog. Mesmo agora a audiência internacional cresce conforme o Google facilita tudo com a tradução automática. Um ex-amigo costumava dizer que as pessoas nunca me leriam e nunca entenderiam nada do que escrevo. Agora eu sou lido sem nunca saber a razão de eu ser lido. Esse mês e o mês passado tiveram mais de dez mil acessos. Tempos atrás, cheguei a ter vinte mil.

Caveira Casual #5 — The Cure, Baladas, Cinemas e Videogames!

 


Começo a escrever ouvindo o álbum "Three Imaginary Boys" do The Cure. Estou na primeira música, uma das que mais gosto, aliás, a "10:15 Saturday Night". É um pouco estranha a minha história com The Cure. Ouvi The Cure mais por recomendação de um ex-namorado de uma amiga e por um amigo. Recentemente fui num bar de rock, o Mister Rock Bar, e lá estava tocando um cover do The Cure. E comecei a ver que gosto da banda. 


Faz tempo que não pego um tempo para escrever um texto ouvindo um som. Escrever um texto enquanto ouço o lindo baixo de "Accuracy" é impressionante. Embora, nesse exato momento, esteja tocando "Grinding Halt". A razão de eu voltar a escrever ouvindo um som é por minha mãe ter comprado um fone de ouvido novo para mim, nesse mesmo dia ela me arrumou novos óculos. 


Nesse exato momento, começa a tocar "Another Day". A sensação que o som me passa é de embriagamento. É como se o som passasse como uma alucinação produzida pelo excesso de calor. O que é uma sensação estranhamente gostosa de se ter? Por algum motivo que eu particularmente não saberia explicar. Estou percebendo que os sons do The Cure são altamente inventivos, não se parecendo com nada que eu tenha ouvido antes.


Falei do Mister Rock Bar no começo do texto. Nunca fui muito de frequentar bares de rock. Tanto que o lugar a que mais fui é o Nossacasa Confraria das Ideias, na Vila Madalena. Lembro-me de quando era pré-adolescente. Todo mundo falava sobre baladas. Eu mesmo, mais tardiamente, frequentei baladas. Hoje em dia me deparo com o estranho fato das baladas estarem acabando. É como se as baladas fossem lembranças mortas de uma outra era. Escrevo isso enquanto toca a música "Object", uma música mais dançante.


A estranheza de crescer é ver um mundo que acreditava imutável mudar. Por falar em mudança, começou a tocar "Subway Song". Essa música tem um baixo bastante audível e detalhado, controlando grande parte da música. Disse, no parágrafo anterior, que as baladas estão a morrer. Outra coisa que noto na geração mais nova é o fato de eles jogarem menos jogos single-player ou focados no modo história. É uma tristeza ver que muitas empresas estão abandonando o modo história e oferecendo coisas absurdas como "jogos como serviço".


Nesse momento, estou a ouvir "Foxy Lady". E lembrei-me de que os cinemas estão a ir para a falência. Ninguém quer mais ver filmes com telas grandes. Talvez seja o preço do cinema que aumentou no mundo todo. Talvez sejam os serviços de streaming que se tornam parte do dia a dia. Alguns argumentam que o streaming é menos elitista que o cinema. De qualquer modo, não investiguei o caso a fundo, visto que aceitei tal mudança paradigmática. Enquanto escrevia isso, saí de "Foxy Lady" e fui parar em "Meat Hook".


Como prometi a mim mesmo que ouviria o álbum inteiro, preciso colocar mais assuntos aqui. Enquanto toca "So What", lembrei-me das postagens constantes sobre um jovem com a sua namorada. E sempre que essa postagem aparece, vem a seguinte pergunta: "Qual a sua desculpa?" Eu não tenho desculpa, eu não tenho que me desculpar. Eu já namorei oito ou nove vezes. Não sou virgem. Não preciso ser obrigado a namorar. Me deixem em paz. Termino esse parágrafo enquanto toca "Fire in  Cairo".


Meu tio veio falar comigo. Me disse que olhou a conta do telefone fixo. Ele notou que, em vários meses consecutivos, ninguém usou o telefone para absolutamente nada. Em outros, o telefone foi usado por um minuto ou três minutos. O que é, em si, mais um sinal de desgaste de uma antiga era que vai, aos poucos, deixando de existir para dar lugar a uma outra. Uma era de telefones celulares. 


Comecei a ouvir a música "It's Not You". Procurei alguma razão para esse parágrafo existir, já que preciso continuar escrevendo até o parágrafo acabar. Então vou falar da nova onda política: proibir cigarros para gerações mais novas. Essa onda de leis diz que pessoas nascidas em determinada data não poderão comprar mais cigarros. Eu sou fumante desde o ensino fundamental. Nenhuma lei me impediu de fumar, mesmo quando eu era menor. Ah, começou a tocar "Three Imaginary Boys". Adoro quando o nome de uma música é o mesmo nome do álbum. Voltando ao assunto, creio que isso vai ter o mesmo efeito que a lei seca. Todo mundo sabe que proibir apenas leva ao surgimento de um mercado negro. E acho bem possível de isso acontecer novamente. Embora muitos digam que a lei é muito bem construída, posso alegar que a volatilidade humana ainda é indomável.


Ah, o álbum chega ao fim com "The Weedy Burton". Um som instrumental de cinquenta e três segundos. Creio que esse texto ficou desconexo. Não era minha pretensão. De qualquer forma, escrevo essa série apenas para continuar escrevendo em vez de ficar enferrujado.

quinta-feira, 23 de abril de 2026

Caveira Casual #4 — Em Meio ao Ruído

 


Enquanto eu olhava para meus supostos aliados, pude identificar os mais distintos e irritantes grupos:


- O direitista-histérico-em-perpétua-indignação-moral:

Esse sujeito, que pode atualmente ser de qualquer sexo, aparece dia após dia, em formato de vídeo. Todo dia, ou toda semana, ele ou ela precisa metralhar a sua indignação moral contra algum objeto, sujeito ou acontecimento. Esse modelo é um modelo de sucesso quase que absoluto entre o chamado "direitista influencer". É muito comum em políticos. 


- Liveísta:

A direita liveísta é aquela que aparece todo dia ou toda semana com uma "live" (conteúdo transmitido ao vivo). O objetivo dela é usualmente fazer reação a todo tipo de conteúdo. Esse tipo de conteúdo, diga-se de passagem, é perturbador. Eu não aguento ver. Me parece um misto de falta de imaginação com preguiça. Além disso, esse tipo de formato só é acessível para quem tem tempo livre para ver isso. Algo que muito provavelmente não é a realidade de quem trabalha.


- Vendedor de Cursos:

Essa moda, cada vez mais presente, aparece por todos os cantos. Ao que parece, só a direita americana fornece cursos gratuitos por meio de instituições respeitáveis como a Hillsdale College e a Christendom College. É meio que "se você quer ser de direita, pague para nós". Esse tipo de direitista só existe quando ele é, em si mesmo, uma espécie de celebridade. Porém, sabemos que para ser uma "celebridade de direita" é preciso se tornar um "orgânico de partido" ou um "orgânico de movimento". Se você não consegue sacrificar a sua criticidade, esqueça esse caminho.


- Direita Woke:

Esse aqui é altamente encontrado pela internet. Ele serve para ficar o dia todo enchendo o saco. Ele também possui o estranho costume de ficar o dia todo atacando obras que a esquerda woke fez ou supostamente fez. Ele não percebe que é tão woke quanto a esquerda woke. É o típico direitista que pensa pertencer ao politicamente incorreto, quando na verdade está apenas a exigir que todo mundo siga o seu padrão moral. Outro hábito muito comum na direita woke é passar o dia todo praticando a chamada "LGBTfobia recreativa". A sua compulsão maior é a de acusar tudo o que não gosta de ser LGBT. O mais curioso é quando esse grupo tem que ofender o grupo adversário, na montanha de qualificativos negativos, ele coloca que ser LGBT é um "crime" tão absurdo quanto ser um assassino.


Eu estou aqui, lendo George Grant, anotando todos os principais insights no caderno em inglês e depois passando tudo para o português nesse blogspot. O resto da assim chamada "direita" muito provavelmente nem sabe quem é George Grant. Ou, quem sabe, prefere não dizer para não estragar a "excelente" parceria com a assim chamada "burguesia nacional". É muito feio ler Red Tory. Para piorar, o meu Blogspot também traz vários teóricos de esquerda. Além disso, não tive medo de trazer os Never Trumpers para cá. Ou seja, sou, no mínimo, um dos sujeitos mais suspeitos e questionáveis. Tal como um alienígena estacionando um disco voador na praia em pleno feriadão.


Poderia tentar fazer alguma coisa para ajudar em algo, mas isso seria problemático. Minhas visões particulares cavam um abismo entre mim e o restante da assim chamada direita nacional. Em vez disso, tenho a particular preferência por ficar a ler e a resenhar livros e artigos acadêmicos. Sigo uma política que poderia ser descrita nos seguintes termos: quanto à direita nacional, finjo que ela não existe. O hábito constante de querer


Como quero esquecer a existência da assim chamada direita nacional, volto a escrever sobre filmes. Os escritos anteriores dessa série (Caveira Casual) abordaram filmes; quero voltar a escrever sobre isso. O último filme a que assisti é outro Found Footage. É o Grave Encounters, filme canadense de 2011. Outro filme que encontrei no /tv/ do 4chan. Como podem ver, o homem nasce normie, a misantropia e o 4chan o tornam hipster. Hoje vou fazer algo diferente. Vou explicar o filme colocando-o em paralelo com a assim chamada "direita nacional".


Take 1: Grave Encounters


Grave Encounters, de 2011, é um filme que trabalha com assim chamada "indústria do paranormal". Ele não é apenas um terror de câmera na mão, um hipster found footage, ele é um comentário ácido sobre a encenação da realidade na televisão.


Take 1: Direita Nacional


O paralelo que podíamos ter seria o do típico direitista-histérico-em-perpétua-indignação-moral. O nosso protagonista (ou nossa protagonista) seria o(a) típico(a) charlatão (charlatã) que fica fazendo teatrinho nas redes sociais.


Take 2: Grave Encounters e a Desconstrução do Reality Show


Lance Preston, o nosso protagonista, representa o arquétipo de apresentador carismático e charlatão.


O horror real começa justamente quando a farsa profissional perde o controle. A ironia reside no fato de que Lance Preston e a sua equipe passaram anos fingindo contato com o além e, quando o contato finalmente ocorre, eles não têm ferramentas, nem emocionais, nem técnicas, para lidar com isso.


Take 2: Direita Nacional e a Desconstrução da Direita Woke


Um belo dia, nosso(a) querido(a) direitista woke seria obrigado, por razões de circunstâncias completamente ficcionais, a ser de direita de verdade. Nosso(a) protagonista logo descobriria que LGBTfobia não é argumento e que ele(a) precisaria produzir coisas maiores do que vídeos falando sobre a "hipocrisia da esquerda".


Talvez fosse obrigado(a) a alguma pauta concreta, como faculdades de artes liberais, articular diferentes escolas do pensamento de direita (como ordoliberalismo, Red Tory, paleoconservadorismo), fundação de institutos para geração de políticas públicas de direita pautadas em dados ou qualquer coisa que um(a) direitista de verdade faria. Coisa que nosso(a) protagonista não conseguiria, visto que é um(a) imbecil.


Take 3: Grave Encounters e o Espaço como Antagonista


Diferente de outros filmes de casas assombradas mais tradicionais, o filme Grave Encounters trabalha com a ideia de hospital psiquiátrico mal-assombrado que se comporta como um organismo vivo. Ele também trabalha com todo aquele imaginário psicológico dos manicômios. O espaço trabalha como adversário da seguinte forma: a arquitetura muda, as janelas desaparecem e os corredores se tornam infinitos.


Take 3: a Direita Woke e a Burrice como Antagonista


A direita woke teria que se lidar com uma das piores coisas que podem ocorrer com a direita nacional: uma população e uma mídia que realmente conhecem as múltiplas tradições do pensamento de direita. Coisa que, convenhamos, nunca virá a ocorrer no Brasil, mas como isso é um cenário absurdo e hipotético, dou-me a essa licença poética.


Em vez de entrevistas idiotas com lambedores de saco, o(a) direitista seria confrontado(a) com questões sobre ele(a) ser mais paleoconservador(a) ou neoconservador(a), se ele(a) seguirá uma agenda política mais Red Tory ou mais Blue Tory, se ele(a) assistiu o último vídeo da American Compass ou o último vídeo da Hoover Institution. Quando ele(a) percebesse, estaria levando uma surra argumentativa por não ser um(a) conservador(a), mas mais um(a) imbecil da direita woke.


Como podemos ver, o maior perigo para charlatãos do sobrenatural é que exista realmente um sobrenatural e que eles tenham que se lidar com isso. Como também podemos ver, o maior perigo para a direita charlatã brasileira não é a existência de uma esquerda, nem a existência de uma esquerda altamente letrada, mas sim de uma população e de uma mídia altamente educadas nas múltiplas tradições do pensamento de direita.

sexta-feira, 17 de abril de 2026

Caveira Casual #3 — The Bay

 


Como disse em escritos anteriores, não sou cinéfilo. Não me levem tão a sério. Sou apenas um idiota tentando escrever alguma coisa, tal como em todos os meus outros escritos.


Assisti a "The Bay", filme de 2012. Foi recomendação do /tv/ do 4chan. Tinha pedido uma recomendação, visto que o último filme que assisti (Bodycam) também foi recomendado por lá. E estou maravilhado de como é possível um filme de "terror ecológico". Eu sequer tinha, em meus anos de vida, imaginado tal encantadora hipótese. 


O gênero do filme é "Found Footage". Isto é, um gênero do cinema focado em gravações reais que são feitas pelos próprios personagens, tal como se simulassem uma gravação amadora. O filme consegue simular ao máximo uma documentação científica e jornalística. Em vários momentos, você para apenas para pensar a respeito do realismo do filme.


Usualmente quando pensamos em filmes terror, nos vem a mente uma força mística ou maligna. The Bay traça uma crítica social a partir de como a atividade humana pode gerar um desequilíbrio ecológico que posteriormente pode se tornar um risco para a própria humanidade. O filme é assustadoramente magnífico em sua forma de alertar os perigos da manipulação do meio ambiente. A questão da biopolítica também é excelentemente trabalhada.


Vivemos numa época em que todo mundo fala sobre a esquerda woke (e eu sempre lembro da direita woke, para contrariar o debate público), mas o The Bay traz o debate sem ser Kitsch. Isto é, ele não traz as coisas de uma forma cafona, exagerada ou "palestrinha". O drama é apresentado normalmente, sem parecer forçado para enquadrar um discurso de forma forçosa. A trama é desenvolvida sem parecer que estão me forçando a engoli-la e é isso que a torna digerível.


Enquanto me maravilhava com "The Bay", impressionava-me também sobre como tudo aparecia na tela. Não só o filme é bem filmado, mas ele traz vários conceitos de forma inteligente. Posso listá-los:

- Eco-causalidade: a forma com que a ganância econômica altera a biologia local;

- Realismo parasitário: a forma como um medo biológico real foi colocado dentro da ficção;

- Crítica social: como o feriado do sonho americano foi transformado em uma metáfora de um sonho apodrecendo por dentro.


Tudo isso, dentro de uma estrutura documentária e a própria forma com que o filme é gravado trazem um filme potente, que leva a reflexão sem ser cansativo. "The Bay" não é só uma aula de "como fazer um filme", é uma aula sobre como conduzir o debate público sem ser chato.

segunda-feira, 13 de abril de 2026

Caveira Casual #2 — É raro, mas sempre acontece!

 


Certas coisas na minha vida são raras, mas sempre acontecem. Se eu olhar como são meus amigos, a maioria deles é bissexual. Isso não ocorre por alguma predileção específica, mas é algo que sempre ocorre nos meus círculos. Do mesmo modo, minhas últimas três namoradas tinham as seguintes características:
- Pansexuais;
- Comunistas.

Poderia dizer que eram poliamoristas, mas a última certamente não era, visto que era uma monogâmica de carteirinha. Só tive dois namorados, um homem cis e um homem trans. Já namorei mulher trans. Acho que já fechei o bingo: homem cis, homem trans, mulher cis, mulher trans, não-binário. O mundo não é tão inovador e vejo mais a singularidade e a personalidade de quem amo e de quem amei do que o gênero. 

Durante uma conversa com um amigo meu, que também é bissexual, conversamos sobre política enquanto estávamos no metrô. Disse-lhe que atualmente prefiro uma política baseada em uma análise sistemática e combinatória de diferentes estudos acadêmicos e científicos. Pensar isso no Brasil é algo raro, mas que sempre me acontece. Digo que é raro, pois até as doutrinas políticas surgem aqui, surgem com nome de alguém: bolsonarismo e lulismo são capítulos recentes de nossa história.

De uma maneira geral, lido-me bem com o pensamento progressista. Estou sempre a consumi-lo. Também frequento locais progressistas e liberais. É raro, mas sempre acontece de eu estar numa roda de prosa larga, discutindo os rumos nacionais com colegas e amigos da esquerda. Lido-me bem com a esquerda, participo de um podcast de saúde mental vinculado à esquerda e estou a participar na construção de uma ONG de caráter popular. Já fui em festas políticas, a maioria delas vinculada à esquerda. Até mesmo em festas de políticos de esquerda, só vou mencionar que eram do PSOL e do PT. De uma maneira geral, percebi que quando você tem um diálogo sincero, as fronteiras políticas se dobram e unificam-se. Nelson Rodrigues e G. K. Chesterton, dois dos meus autores prediletos, eram capazes disso.

Não sou um personalista nem um seitista. Lido-me bem com a diversidade. Vejo no PT e no PSOL organizações políticas que trazem uma série de estudos e o que eu gosto é de política com dados, estudos, institutos e acadêmicos. Posso discordar de como você pensa, mas não posso discordar da forma que você estrutura seu pensar se ela for institucionalmente, academicamente e intelectualmente adequada. É por isso que respeito mais o PT e o PSOL que o bolsonarismo, visto que eles ao menos se formam através de análise dedicada e contínua. A continuidade de um grupo político, a consistência e a maturidade dele são articuladas, geradas e mantidas através da formação e do estudo. Isso é algo que sempre foi raso ou pouco no bolsonarismo. Enquanto os conservadores americanos fazem faculdades e institutos, mesmo que esses briguem entre si, os bolsonaristas preferem vociferar contra a academicidade que dá a institucionalidade de que a política (e também a direita) precisa. Você pode discordar de alguém que cursa ciências humanas, mas querer destruir as ciências humanas é um absurdo. Prefiro conservadores americanos, pois eles têm uma solução: faculdades focadas em artes liberais clássicas e no cânon ocidental. Isso é infinitamente mais razoável do que o conservadorismo brasileiro que quer tornar tudo numa gigantesca fábrica dos cursos técnicos.

Quanto às saídas, costumo sair. Não tenho destino fixo. Já caminhei por todas as regiões de São Paulo e por alguma da Grande São Paulo. Já viajei também. Minha última viagem foi para o Rio de Janeiro. Fui para Rio das Ostras e depois para o Campo dos Goytacazes. Confesso que preferi Rio das Ostras. Campo dos Goytacazes tem um clima universitário e é um local mais cosmopolita, viajei por querer esquecer um pouco da pauliceia desvairada e não recordá-la. Rio das Ostras me trouxe a mesma paz que cinto em Mariporã, apenas adicionando o fato de que lá havia uma praia. Quando viajei pra São Vicente, vi que lá parecia o centro de São Paulo, mas que também havia uma praia, o que é uma adição bastante agradável, já que remete ao regionalismo underground paulista que tanto amo. Itanhaém é um local meio estranho para mim, passo horas lendo e comendo sorvete com vinho seco. Além das sessões contínuas de cervejas puro malte que tanto amo. Essas coisas também são raras, mas sempre me acontecem.

Já perdi a conta da quantidade de vezes que tive que comprar pílulas do dia seguinte para mulheres com quem eu estava. Muitas vezes, ligava no meio da noite para minha mãe e falava sobre essa constante inconveniência que sempre me fazia pedir dinheiro. Isso ocorre três vezes ao ano, algo que segue religiosamente. Isso é um fenômeno numerológico que é raro, mas sempre me acontece. Tal como no de 2025, no qual prometi não namorar ninguém e acabei ficando com duas pessoas que já tinha namorado e duas americanas. Claro, fiquei com mais gente. Sou um sujeito bem liberal e fluido nesse tipo de coisa. Nesse ano, prometi que não diria nada sobre não ficar com ninguém, vá que ocorra e isso me leve a ser chamado de hipócrita? É algo raro, mas sempre acontece.

domingo, 12 de abril de 2026

Caveira Casual #1 — Filmes, Séries, 4chan e Direita Woke

 


Recentemente vi "Bodycam" (tudo junto). Um filme de terror de 2026. É impressionante como esse filme tem um nome parecido com o filme "Body Cam" (que se escreve separado). Também assisti a "Final Destination: Bloodlines", creio que no Brasil ele se chama "Premonição 6". Costumo assistir às coisas em sua linguagem primária, a não ser que eu não entenda a língua. É por isso que não me lembro dos nomes dos filmes em português. 


Atualmente assisto a "Hell House LLC". Um outro filme que encontrei enquanto lurkava no /tv/ do 4chan. Não sei se isso passa a ideia de que sou um "grande cinéfilo", sinceramente não lembro sequer o nome dos personagens dos filmes a que assisto. De forma geral, quase toda experiência que tenho assistindo, lendo ou jogando algo me vem de forma "eidética", isto é, conceitualmente. Sou péssimo em lembrar nomes de personagens. Consigo lembrar da experiência conceitual que algo passa, mas não me lembro dos nomes dos personagens.


Para ser mais exato, quem é apreciadora de filmes e séries é a minha irmã. Sou péssimo em assistir às coisas até o fim. Muitas vezes eu paro diversas vezes para realizar qualquer outra coisa. Por vezes, paro de assistir vídeos por semanas ou meses. Sempre fui mais ligado a videogames e livros. Embora deva admitir que seja um entusiasta de creepypastas desde os meus onze anos de idade.


Anonymous 04/11/26(Sat)22:28:17 No.219645028

>Supposed "edgy no holding back commentary" on American culture/politics

>Zero mentions of Israel

Really makes you think

Anonymous 04/11/26(Sat)22:39:18 No.219645344

It's not really relevant unless you're one of the schizos who blame all of their life's problems on jews.

Anonymous 04/11/26(Sat)23:29:51 No.219646862

/pol/ is over there if you want to be an obsessed schizo

Anônimo 04/11/26 (sáb) 22:28:17 Nº 219645028

>Suposto "comentários ousados e sem rodeios" sobre a cultura/política americana

>Nenhuma menção a Israel

Realmente faz você pensar

Anônimo 04/11/26 (sáb) 22:39:18 Nº 219645344

Não é realmente relevante, a menos que você seja um daqueles esquizofrênicos que culpam os judeus por todos os seus problemas.

Anônimo 04/11/26 (sáb) 23:29:51 Nº 219646862

/pol/ está lá se você quiser ser um esquizofrênico obcecado
(Transcrito pois muitos leitores copiam e colam textos desse Blogspot em IAs, assim as IAs conseguem compreender o que há na imagem)


Por falar em /tv/, conto-lhes um caso. Recentemente vi uma postagem no /tv/. Um anônimo reclamava que a série "The Boys" não tinha menções a Israel, querendo que a série fosse antissemita, tal como é o desejo de todo /pol/tard. Achei incrível como os usuários do /tv/ botaram o /pol/tard em seu devido lugar. Muitas pessoas não sabem disso, sobretudo jornalistas e acadêmicos, mas o /pol/ é uma board horrível e seus usuários também são horríveis. Quando eles vão para outras boards, tão logo são expulsos. E isso é excelente, /pol/tards contaminam tudo que tocam com sua misoginia, com seu racismo, com seu antissemitismo, com sua LGBTfobia... e é por isso que devem ser expulsos.

Gosto de acessar o /tv/ pelo mesmo motivo que gosto de acessar o /lit/, o /mu/ e o Google Scholar: descobrir novas coisas, descobrir novas ideias, descobrir novas músicas, descobrir novas escolas de pensamento. Isso é uma das experiências mais legais da vida: obter novas experiências. É impressionante como /pol/tards e seus amiguinhos (incels, redpills, panelinha da resenha) são intelectualmente incapazes disso, visto que não conseguem consumir conteúdo de múltiplas escolas de pensamento, conteúdo produzido por mulheres, por negros, por judeus ou população LGBTQIAPN+.  No fim, isso torna o movimento redpill, incel, resenha, /pol/tard — e qualquer outro movimento da direita woke — algo pra lá de tedioso e repetitivo. Acho que a direita woke, mesmo sendo "undergroundeira", é um underground nerfado, cafona e chatíssimo, já que é um underground que vem para impor limitações e os outros undergrounds anteriores (punk, hippie, hipster e até a direita politicamente incorreta) vieram para quebrar tudo.