quarta-feira, 31 de dezembro de 2025

Nota de Pesquisa (NDP): uma lista essencialmente americana (/lit/)

 


Notas:

1. Mais uma vez, me surpreendi que as pessoas realmente gostam de listas recomendadas pelo /lit/ do 4chan. Para seguir essa tradição tão recente do blogspot, resolvi colocar mais uma lista!


3. Isto é, transformei o fio em PDF e pedi para uma IA extrair os títulos e ordená-los;

4. Mais uma vez resolvi manter os títulos em inglês para facilitar a busca pela mesmo fonte que os e/lit/ists (usuários do /lit/ do 4chan) usaram.


0. Direito:

- The Constitution (dos EUA)  


1. Clássicos frequentemente citados como "essencialmente americanos":

- Moby-Dick – Herman Melville  
- Leaves of Grass – Walt Whitman  
- The Great Gatsby – F. Scott Fitzgerald  
- The Grapes of Wrath – John Steinbeck  
- Adventures of Huckleberry Finn – Mark Twain  
- The Scarlet Letter – Nathaniel Hawthorne  
- Walden – Henry David Thoreau  
- Emerson’s Essays – Ralph Waldo Emerson  
- The Last of the Mohicans – James Fenimore Cooper  
- A Connecticut Yankee in King Arthur’s Court – Mark Twain  
- Uncle Tom’s Cabin – Harriet Beecher Stowe  
- The Jungle – Upton Sinclair  
- East of Eden – John Steinbeck  


2. Pós-controcultura / Crítica da modernidade americana:

- Infinite Jest – David Foster Wallace  
- American Psycho – Bret Easton Ellis  
- The Corrections – Jonathan Franzen  
- Underworld – Don DeLillo  
- Fear and Loathing in Las Vegas – Hunter S. Thompson  
- The Culture of Narcissism – Christopher Lasch  
- America – Jean Baudrillard  


3. Obras do século XX com forte caráter psicológico ou existencial:

- Invisible Man – Ralph Ellison  
- The Catcher in the Rye – J.D. Salinger  
- Absalom, Absalom! – William Faulkner  
- The Sound and the Fury – William Faulkner  
- Child of God – Cormac McCarthy  
- Blood Meridian – Cormac McCarthy  
- To Kill a Mockingbird – Harper Lee  
- Of Mice and Men – John Steinbeck  
- Death of a Salesman – Arthur Miller  

4. Literatura satírica, cínica ou marginal:

- A Confederacy of Dunces – John Kennedy Toole  
- JR – William Gaddis  
- Dog of the South – Charles Portis  
- Farewell, My Lovely – Raymond Chandler  
- Tortilla Flat – John Steinbeck  
- The Confidence Man – Herman Melville  


5. Menções irônicas, polêmicas ou excêntricas:

- The Talmud  
- Atlas Shrugged – Ayn Rand  
- 1984 – George Orwell (não é americano, mas mencionado)  
- Brave New World – Aldous Huxley (também não é americano)


Acabo de ler "Is American Democracy in Crisis?" de The Munk Debates (lido em inglês)

 


Nome:

Is American Democracy in Crisis?


Debatedores:

E. J. Dionne Jr.

Andrew Sullivan

Newt Gingrich

Kimberley Strassel


Intermediador:

Rudyard Griffiths


(Por favor, não reclamem da falta de análises. É fim de ano e eu ando um pouquinho bêbado demais pra ler tanto. Tenho compensado muito bem a falta de conteúdo)


Eu li o livro, mas quem quiser acessar o canal canadense de debates, aqui está o link:

https://youtube.com/@themunkdebates?si=vPT_Rvph0D0eb8tX


Agora se estiver interessado em ouvir o debate, aqui está o link:

https://youtube.com/playlist?list=PLjdgXaecKQuFCXNEKtHkEC_RmfYbJR3ZY&si=tGpCetTZ0USRhi2Z


Se tiver interesse no site:

https://munkdebates.com/


Uma breve introdução das figuras:


— Pro (a favor da resolução: contra Trump):


- E. J. Dionne Jr.:

Jornalista, colunista do Washington Post, professor na Georgetown University e fellow sênior no Brookings Institution. Autor de livros como "Why Americans Hate Politics" e "One Nation After Trump".


- Andrew Sullivan:

Escritor, blogueiro e editor britânico-americano, ex-editor da The New Republic e colaborador da New York Magazine. Conhecido por defender o casamento gay e ser um conservador independente. Ele apoiou Obama, Clinton e Biden em eleições passadas.


(Nota cínica: daqui a pouco recebo mais uma mensagem no meu NGL me acusando de usar friend fire contra conservadores, esmagando a direita nacional e americana :v)


— Con (contra a resolução: pró-Trump ou defensores):


- Newt Gingrich:

Político republicano, ex-presidente da Câmara dos Representantes dos EUA (1995-1999), autor e comentarista. Foi um dos arquitetos do "Contract with America" e é uma figura influente no Partido Republicano. 


- Kimberley Strassel:

Jornalista e colunista conservadora do Wall Street Journal, onde escreve a coluna "Potomac Watch". Membro do conselho editorial do jornal, autora de livros como "Resistance (At All Costs)". 


Sempre me questionam a razão de eu trazer tantos ares de fora. A razão é bem simples: o debate brasileiro é asfixiante. Se não pegamos um ar, morremos em nosso circle jerk.


Uma coisa que tenho percebido é que não vemos nada além do mainstream em nosso "consumo cultural". Fiquei surpreso quando me deparei com o triste fato de que ignorávamos amplamente vários setores da intelectualidade americana. Não só isso, da intelectualidade inglesa e canadense também. Exemplo disso é o já repetido tema do Red Tory, tema esse que o(a) leitor(a) desse blogspot já deve ter cansado de me ver repetir. Pretendo ir, pouco a pouco, trazendo mais e mais conteúdo para quebrar o grande silêncio que está entre nós e o mundo. Procurando mais listas e mais diferentes autores, seja da esquerda, seja da direita, seja do centro.


Não é como se eu fosse ter um grande impacto. Creio que a média atual é entre 100, 200 ou 300 visitas diárias para o blogspot. Grande parte dos visitantes nem são brasileiros. Atualmente, perdi completamente a capacidade de sabee quem estou supostamente influenciando. Teve um dia que eu olhei e vi que o maior acesso vinha dos Países Baixos. Não conheço ninguém de lá, mas agradeço a visita e espero que apreciem o conteúdo. Creio que vários usam o tradutor dos seus navegadores para consumirem o conteúdo do blogspot.


Em relação ao debate, achei interessante o começo citando as contas a respeito da quantidade de mentiras que Trump espalhou em suas redes sociais (ou em discursos formais). Confesso que ri um pouco disso.


Os debatentes demonstraram pontos muito interessantes. Posturas de ruptura democrática são comuns em governos de democratas e de republicanos. Uma das grandes curiosidades é essa: Obama, por exemplo, tentou governar sem o congresso. Trump seguiu uma trilha semelhante em seu modo de agir, embora de uma maneira mais truculenta. Quando analisam Trump, lembram de dois presidentes em particular: Andrew Jackson (um democrata populista, inegavelmente racista e disruptivo) e do Richard Nixon (um republicano que ficou conhecido pela Watergate e pela "maioria silenciosa"). 


Concordo com as duas partes:

1. Trump mente muito mesmo, isso é evidente;

2. A defesa da soberania nacional é importante.


A questão é: as contumazes passadas de pano aos democratas se tornaram o comportamento predileto da mídia mainstream, ao mesmo tempo que a "defesa da soberania" não pode vir de um populismo irresponsável e estrategicamente tolo. Também preciso mencionar, e é sempre bom mencionar, a forma "bastante amigável" que Trump é com os russos, a forma com que ele enriqueceu em seu primeiro mandato e, muito provavelmente, enriquecerá muito mais nesse segundo.


O brasileiro médio, por sua vez, olha com espanto o que digo. Tenho vários amigos de direita, vou em suas festas. Quando eu digo que existem conservadores antitrumpistas, eles se escandalizam. Eles ainda acreditam na ideia de uma direita que canta num coral inteiramente harmônico. Quando eu falo o mesmo para esquerdistas, a conclusão é que são pessoas tão "maldosas e malignas" quanto Donald Trump. Percebo que sou uma pessoa imensamente solitária por causa disso. Mentira, chamem-me mais festas.


Outra questão picante: James Comey. James Comey foi um diretor do FBI que investigou o Russiagate — o caso da Rússia interferir nas eleições americanas para favorecer Donald Trump. Em 2017, ele foi demitido pelo próprio Trump. Atualmente, em 2025, ele enfrenta uma vingança de Donald Trump. O caso de Trump contra James Comey é um que seus críticos apontam como exemplo concreto de obstrução de justiça. Trump não poderia, e nem deveria, demitir o homem que investigava a relação dele com a Rússia, visto que isso era uma questão de segurança nacional. Do outro lado, James Comey pediu para um amigo passar um memorando ao The New York Times, o que viola políticas internas do FBI.


Os debatentes falam também de Joe Arpaio (ex-xerife). Joe Arpaio tinha métodos que eram julgados controversos. Racialmente controversos para ser mais exato. Quando Trump perdoou ele (perdão presidencial), muitos julgaram isso como uma sinalização racista. Ou, em outras palavras, uma sinalização de que as pessoas poderiam usar meios duros e rudes de forma racista contra imigrantes. É válido lembrad que Trump tentou, em primeiro lugar, obstruir a investigação.


Charlottesville (Virginia) é outro caso emblemático. Uma manifestação ocorreu para tirar a estátua de um ex-confederado (Robert E. Lee). Na manifestação, encontravam-se nacionalistas brancos e neonazistas. A manifestação, que ocorreu em 2017, foi chamada de "Unite the Right". Grupos antirracistas entraram nela em uma lógica de confrontamento. Trump teve o seu pronunciamento, condenou o racismo, mas a briga surgiu quando Trump falou que existia gente legal em ambos os lados.


Creio que a própria questão que se desloca nesse debate é a natureza da democracia horizontal (onde qualquer um pode se eleger presidente). As redes sociais e a internet possibilitaram a ascensão sem fim de populistas. Anteriormente as mídias tradicionais eram mais questionadas a respeito da sua credibilidade informacional. Atualmente múltiplas mídias possuem pouca ou baixa credibilidade. Fora isso, a guerra fria civil proporciona um ambiente de maximização de vieses ideológicos. A questão que entra é: como a democracia horizontal pode impedir a entrada dos piores se ela mesma é responsável pela entrada dos piores? A democracia horizontal destrói ou corrói os mecanismos que deveriam garantir a sua própria existência. Isso não foi levantado no debate enquanto tal, mas me permito a licença poética de questionar a funcionalidade atual da democracia horizontal na qual grande parte do Ocidente se ancora.


Quando nos perguntamos a respeito da entrada de líderes populistas que destroem os mecanismos institucionais, deveríamos nos questionar sobre o que possibilitou a entrada dos líderes populistas no poder. Se estamos colocando gente despreparada e autocrata... a questão recai no: "o que permite que NÓS coloquemos no poder gente despreparada e autocrata?". É evidente que não falo em "nós" enquanto um povo que vota 100% no mesmo candidato, mas sim no fato de que parte de nós votou neles. Talvez grande parte do problema não seja, pura e simplesmente, a entrada de líderes populistas, talvez seja o próprio sistema que legalmente permite a sua população votar em seu processo de autodestruição.


Muitos falam da democracia vertical ou de mecanismos que impeçam líderes corruptos. O fato de termos, por exemplo, a Lei Ficha Limpa já garante uma salvaguarda diante disso. Todavia deveríamos ter mecanismos legais — ou até mesmo uma reestruturação ou criação de um outro sistema — que impeçam políticos que levem a corrosão entrem no poder. Isto é, um mecanismo técnico que leve a uma saúde política. Enquanto isso não for seriamente pensado, o risco de sermos governados por representantes que colocam teorias conspiratórias como pauta (e arma) política é uma constante que dificilmente vamos conseguir suportar turno após turno. O que é interessante: se ao mesmo tempo temos que garantir que só os melhores vençam, caímos no risco de criar uma tecnocracia pura que também destrua toda e qualquer autonomia individual.


O que ocorre nos Estados Unidos deve servir de lição para o brasil. Veja a atual situação:

- Sentimentos e mensagens separatistas aparecendo;

- Campanhas xenofóbicas entre múltiplos grupos brasileiros;

- Rivalização cada vez maior entre regiões do país;

- Crescimento entre mensagens de ódio e campanhas de desinformação;

- Aumento da rivalidade e tensões de gênero.


Eu poderia citar muitos mais fenômenos que ocorrem no Brasil, mas é evidente que estamos em uma guerra fria civil e que várias mensagens só aumentam isso.


O ano está acabando. Nesse ano, o blogspot Cadáver Minimal cresceu 2.277.6% em número de visualizações. O Brasil mudou muito. Eu mudei muito. Espero estar conseguindo trazer um bom conteúdo para todos vocês. Peço-lhes que me acompanhem também em 2026. Continuarei a me esforçar para trazer conteúdo para todos.


Feliz ano novo!

segunda-feira, 29 de dezembro de 2025

Recomendações Cadavéricas #5 — The Babylon Bee

 


Recomendações Cadavéricas: uma série de postagens de recomendações do escritor do blogspot Cadáver Minimal.


The Babylon Bee é um dos canais que adoro assistir de vez em quando. Gosto da forma como ele escapa das tradicionais forma de humor liberal da mídia americana, visto que ele faz parte da direita religiosa e tem uma orientação cristã. Creio que ele pode acrescentar um gosto a mais no seu dia a dia.

domingo, 28 de dezembro de 2025

NGL #21 — Sobre Inteligência Artificial e Ciências Humanas

 


Envie as suas perguntas anônimas: https://ngl.link/lunemcordis

Em primeiro lugar, veja os seguintes links:
1. Portable Intellectual Systems (PIS) [Sistemas Intelectuais Portáteis]:
2. Magolítica: The Game (jogo de RPG político e de engenharia social):

Os sistemas intelectuais portáteis e o jogo Magolítica, possibilitam uma educação em escala global envolvendo vários assuntos, possibilitando o combate a teorias da conspiração, guerra cognitiva, guerra informacional, guerra memética e tantas e tantas outras coisas. O foco em fornecer formação, combater desinformação e ainda possibilitar uma abordagem interativa e gameficada é algo absolutamente interessante e só é possível com a ajuda das Inteligências Artificiais (IAs).

Sou uma pessoa que ama o progresso tecnológico e compreendo os riscos sociais dele. Eu compreendo a concentração de renda, a questão dos datasets e tantas outros percalços que precisaremos recorrer, inclusive sobre a possibilidade de uma renda básica universal. Dito isso, as transformações sociais e tecnológicas não devem ser encaradas de um modo simplesmente reacionário.

Não podemos agir, tal como trabalhadores de séculos passados, quebrando máquinas para atrasar a modernização. Ela ocorrerá de qualquer jeito. O que podemos fazer é nos adaptar a essa mudança e garantir que elas sejam:

1. Economicamente seguras;
2. Ecologicamente sustentáveis;
3. Socialmente pacíficas.

As ciências humanas, das quais eu mesmo estudo, podem e devem se beneficiar das Inteligências Artificiais (IAs). Quando eu fui construindo o sistema esochannealógico, mais eu me deparava com a necessidade dessa sinergia. É por isso que hoje em dia o sistema esochannealógico está conectado com as IAs (Inteligências Artificiais) de modo profundo. Eu não estou abandonando as ciências humanas em prol das IAs (Inteligências Artificiais), mas sim juntando elas a isso.

Não estou dizendo que estamos sendo ultrapassados ou que não vale mais a pena ler livros. Eu amo ler livros. Leio vários deles e continuarei lendo até o dia da morte. Para mim, é extremamente divertido descobrir um artigo acadêmico no Google Scholar. Para mim, é divertido ver uma aula e anotar os assuntos em um caderno. Do mesmo modo, ir em uma balada, curtir uma birita e dançar com outros seres humanos são entretenimentos que não me furto. Todavia não acredito que devemos destruir IAs (Inteligências Artificiais) em prol dos humanos. Creio que todos devemos apreciar a modernidade tecnológica de forma saudável e garantir que ela continue a ser saudáveis para nós.

Usar IAs (Inteligências Artificiais) facilita e ajuda nossa vida. Não há nada de errado nisso. Eu sempre estudo lado a lado com elas. Isso me ajuda a me tornar um intelectual melhor e, além disso, me leva ao melhor desenvolvimento de minhas habilidades intelectuais. Prefiro encarar isso de forma madura, compreendendo os riscos e tentando evitá-los, mas nunca retrocedendo a um estado anterior altamente idealizado, porém que carece de concretude de retorno temporal.

Recomendações Cadavéricas #4 — Rise of Asia

 


Recomendações Cadavéricas: uma série de postagens de recomendações do escritor do blogspot Cadáver Minimal.




Creio que o trabalho dessas pessoas é magnífico. Enquanto somos severalmente desinformados, muitas vezes por propósitos políticos, em relação à China e à Ásia, aqui podemos encontrar algo que vá além da eterna lenga-lenga antichinesa.

Nesse canal, você aprenderá quais políticas transformaram a China no sucesso que é hoje. E não verá esse mar de xenofobia e desinformação que aparecem por aqui para achincalhar a China. Isso pode parecer não importante, mas a China é atualmente nosso aliado e, ao que tudo indica, será nosso aliado por muito tempo. Fora isso, aprender políticas que saem fora do eixo da América do Sul, Europa e Estados Unidos é algo extremamente enriqucedor.

sábado, 27 de dezembro de 2025

NGL #20 — O blogspot recebe muitos visitantes estrangeiros?


 

Envie as suas perguntas anonimamente: https://ngl.link/lunemcordis


O blogspot Cadáver Minimal possui uma ampla ressonância com a comunidade underground internacional, passando sempre por visitas de múltiplos países.


As regiões em azul são aquelas que visitam o blogspot:





Os países que visitaram o blogspot nas últimas 24 horas:




Nota de Pesquisa (NDP): estudo do marxismo e do anarquismo recomendado pelo /lit/



Notas:

1. Como eu vi pelo número de visualizações que gostam dos conteúdos relativos a cultura channer ou conteúdos usados por channers na hora de estudar/treinar, além do fato de ninguém ter aparecido me xingando no NGL ou no instagram, resolvi compartilhar outra lista.

2. Essa lista teve o mesmo método que usei na anterior: https://cadaverminimal.blogspot.com/2025/12/nota-de-pesquisa-ndp-micro-guerra-pol-x.html?m=1

3. Isto é, transformei o fio em PDF e pedi para uma IA extrair os títulos e ordená-los;

4. Resolvi manter os títulos em inglês para facilitar a busca pela mesmo fonte que os e/lit/ists (usuários do /lit/ do 4chan) usaram.


1. Marxismo


Básico (leituras introdutórias ou fundamentais para iniciantes)

- The Communist Manifesto – Karl Marx & Friedrich Engels  

- Theses on Feuerbach – Karl Marx  

- The Eighteenth Brumaire of Louis Bonaparte – Karl Marx  

- A Contribution to the Critique of Political Economy – Karl Marx  

- A Companion to Marx’s Capital – David Harvey (guia didático para acompanhar “O Capital”)


Intermediário (textos teóricos mais densos ou análises secundárias consolidadas)*

- The German Ideology (seção “Feuerbach”) – Karl Marx & Friedrich Engels  

- The Marx-Engels Reader – Robert C. Tucker (ed.)  

- Main Currents of Marxism – Leszek Kołakowski (história crítica, porém abrangente)

- The Limits to Capital – David Harvey (extensão geográfica e ecológica da teoria marxista)


Avançado (especulativo, crítico ou altamente teórico)

- The Automatic Fetish: A Materialist Theory of Religion – (Autor não citado no trecho)  

(aborda marxismo e religião de forma não ortodoxa – provavelmente pós-estrutural ou teoria crítica)


2. Anarquismo


Básico / Histórico


- Anarchist Portraits – Paul Avrich  

 (biografias de figuras anarquistas – excelente para contexto histórico e humano)


Intermediário / Teórico-Histórico


- The Art of Not Being Governed: An Anarchist History of Upland Southeast Asia – James C. Scott  

(anarquismo não ocidental, etnografia política – influente em estudos subalternos e autonomia)


3. Teoria Crítica, Cultura & Filosofia Contemporânea


Intermediário


- Capitalist Realism: Is There No Alternative? – Mark Fisher  

 (leitura acessível mas conceitualmente rica – diagnóstico cultural do pós-modernismo neoliberal)


Avançado / Contextual


- Embora não haja livros específicos de Adorno, Benjamin, Althusser, Debord, Badiou ou Žižek listados com títulos, eles são citados como referências importantes — sugerindo que esses autores estão no horizonte teórico do fio.


4. Outros / Textos Políticos Curtos


Básico / Didático


- Combat Liberalism – Mao Zedong  

 (curto ensaio moral-político; mais relevante como crítica interna a práticas individualistas em movimentos coletivos)

sexta-feira, 26 de dezembro de 2025

Nota de Pesquisa (NDP): Magolítica

 


— Nota Crítica:


1. Isso é apenas uma pesquisa para compreender como o extremismo se propaga, visando entendê-lo melhor para combatê-lo. Caso você se identificar com qualquer conteúdo aqui ou queira "fazer igual", procure acolhimento e tratamento terapêutico em um local seguro;


2. O interesse do blogspot é, e sempre foi, servir de um guia intelectual para o próprio autor e para outros que se interessarem pelo conteúdo aqui produzido;


3. O autor do Blogspot NÃO defende e nem compactua com qualquer conteúdo de caráter extremista, conspiratório ou que defende a destruição da vida de outras pessoas seja por vias físicas ou psicológicas.


— Ciclo Básico de Vida de uma Magolítica:


1. INDIVÍDUO em posição de sofrimento/ódio extremo;

2. CRIA manifesto (texto, vídeo, símbolos);

3. PUBLICA online (geralmente antes do ato);

4. EXECUTA violência (suicídio/homicídio);

5. MANIFESTO sobrevive → viraliza;

6. OUTROS internalizam → replicam padrão.


— Como funciona uma Magolítica?


- Horcrux: fragmento da alma do criador preservado no manifesto;

- Egrégora: coletivo se forma ao redor do manifesto;

- Ritual: a violência final "sela" o pacto simbólico;

- Efeito Copycat: criam modelo replicável, não é sobre um "conteúdo específico", é sobre estrutura e ritual.


— Evolução das Magolíticas:


- Geração 0: Manifestos Estático;

- Um documento, um autor, uma ação;

- Manifesto de Ted Kaczynski.


- Geração 1: Manifestos interativos (Q):

1. Multi-Autores: Q + decodificadores

2. Contínuo: drops constantes, não baseado em um único documento

3. Vivo: adapta-se em tempo real;

4. Comunitário: criação coletiva de significado.


— Inovações:

- Antes: um manifesto;

X

- Agora: milhares de drops;

-

Antes: um ato final/Agora: narrativa contínua;

X

Antes: morte física/Agora: morte do sistema.



— Magolíticas antes da internet:

- Manifestos físicos;

- Distribuição limitada;

- Dificuldade de encontrar a "tribo"


— Era channer/digital:

- Distribuição instantânea global;

- Comunidades online para "tribo";

- Algoritmos amplificam conteúdo extremo;

- Efeito de rede multiplica impacto.


— Exemplos de Magolíticas:

1. Incel Manifestos:

- Elliot Rodger;

- Alek Minassian.


2. Manifestos de atiradores de escolas:

- Columbine;

- Sandy Hook.


3. Manifestos terroristas:

- Anders Brevik (2083: A European Declaration of Independence).


— Ciclo auto-alimentado de uma Magolítica:


ESCRITOR DOENTE → MAGOLÍTICA → CONSUMIDORES INFECTADOS

      ↑                                          ↓

      ←←←← NOVOS CRIADORES DOENTES ←←←←



— Magolítica em 4 passos:

1. Manifestos violentos infectam pessoas;

2. Pessoas infectadas criam novas magolíticas;

3. Novas magolíticas infectam mais pessoas;

4. Ecossistemas auto-replicantes de sofrimento.


— Magolítica em 5 passos:

1. CRIADOR em sofrimento extremo/visão distorcida;

2. CRIA sistema (magolítica) que codifica sua cosmovisão;

3. SISTEMA é consumido por outros;

4. CONSUMIDORES internalizam padrões de pensamento do criador;

5. ALTERAÇÃO: Consumidores passam a ver mundo através das lentes do criador.


— Metáfora da Horcrux:

1. Universo Harry Potter:

- Horcrux: fragmento da alma separada e preservada em um objeto;

- Objetivo: alcançar a imortalidade;

- Efeito colateral: alma fica instável, danificada.


2. Na Esochannealogia:

- Magolítica: fragmento da alma digitalizada e preservada em ideia/meme;

- Objetivo: alcançar a imortalidade ideológica;

- Efeito colateral: almas receptoras são alteradas.


Quando você lê (o melho seria dizer: consome) uma magolítica (Manifesto, Q. ou a própria Esochannealogia), um pedaço da alma do criador está sendo realmente transferido para você. Não em um processo mágico, mas em um processo psicológico.

O Necrológio Cadavérico #6 — Groselhas sobre a Solidão

 


Leituras recomendadas:




Se eu morresse hoje...

Creio que só membros muito próximos da minha família sentiriam falta de mim. Não tive uma vida honrada, no máximo o que eu deixaria seriam meia dúzia de escritos e alguns sistemas intelectuais.

Cometi muitos erros. Fiz sexo com muita gente. Namorei muita gente. Achei meus namoros e minhas relações despidas de significado, seja de sentido, seja de importância. Hoje percebo que não vejo nenhum dos meus relacionamentos como saudáveis. A compatibilidade intelectual e sexual sequer existiam em nenhuma das minhas relações. Foram relações pautadas por abismos que se encontravam e se repeliam. Sempre me senti solitário em esses vácuos existenciais que chamei de namoro.

Também fui channer por muito tempo. O resultado foi uma vida de inimigos, de algumas pessoas que querem até mesmo a minha morte, de conspirações e até mesmo crimes que foram cometidos em meu nome. Conheci o lado bom e o lado ruim dessa cultura. Não só o lado exttemamente bom, mas também o lado extremamente ruim. Tive ex-namoradas ameaçadas até mesmo de morte, mas o que posso fazer? Mesmo que, posteriormente, eu tivesse que afastá-las, garanti que me odiassem o suficiente para não serem feridas por minha causa.

Se tem algo que aprendi, e aprendi muito bem, é que prefiro que as pessoas me odeiem do que fiquem perto de mim e sofram por minha causa. Trabalhei extremamente bem com isso. Seja no passado, seja recentemente. A cultura channer me ensinou que quem está próximo de mim não é um alívio ou um aconchego, mas um alvo e uma fraqueza. Quando aprendi isso, afastei todos os meus pontos fracos. Se eu tivesse que sofrer, que eu sofresse só.

Se perguntassem hoje:

— Você quer morrer?

Eu diria: 

— Graças a Deus.

Eu não teria nada para me preocupar. É óbvio que sinto orgulho das atuais 39 mil visualizações desse blogspot, além de que, por algum motivo, eu estar sendo lido no mundo todo. Todavia o que vivo na vida é um grande sentimento de que a nada pertenço e misturado com a sensação de que posso cair a qualquer dia. Eu não desejo a vida que levo nem para o meu pior inimigo.

As pessoas não veem o que eu vejo. Quando sistematizei a esochannealogia, por exemplo, sabia que ela era um estado e só pessoas que alcançassem esse estado poderiam, de alguma forma, compreendê-lo. Por exemplo, no jogo do Magolítica, só pessoas metodologicamente frias poderiam extrair boas lições disso. A esochannealogia também depende de tal imaginação sombria.



A esochannealogia (e o jogo Magolítica) exigem o tipo de raciocínio de gente que é capaz de destruir um país com as táticas mais diabólicas possíveis e das formas mais repugnantemente manipulativas. Quanto mais você estuda isso, mais você entende a natureza do mal que há dentro do cerne da esochannealogia de forma ampla e das artes magolíticas de forma específica.

Ao mesmo tempo, como já escrevi no Medium e até mesmo aqui, todo o sistema esochannealógico e arte magolítica contêm fragmentos da alma do seu criador. Essa forma podre, cínica, cinzenta e altamente manipulativa de enxergar o mundo estavam contidas inteiramente na minha alma. Ver o mundo como um jogo torpe estava contido na minha alma. Do mesmo modo, o(s) originário(s) de Q tinham uma forma doentia de ver o mundo.

As pessoas não entendem o que é uma magolítica. Qualquer manifesto deixado por um suicida, qualquer manifesto deixado por alguém que se matou, possui o potencial magolítico dentro da cultura channer. A magolítica, no fim das contas, é uma pedaço da alma de um channer contido num "fragmento intelectual". Algo que foi feito para ser viral e memético, espalhando esse fragmento de alma para outras almas. Isso é uma horcrux esochannealógica. Existem magolíticas anteriores a minha. Q. é um exemplo cabal disso.

O fato de eu ter "nomeado" essa técnica, dando-a dois nomes "magolítica" e "horcrux esochannealógica" não significa que essa técnica passou a "existir" comigo. Ela já existia antes, mas não dentro desse esquema linguístico que a esochannealogia proporciona. O fato de eu ter chamado ela de "magia channer suprema" significa que ela molda a realidade inteira, visto que possui o potencial que remodelar ontologicamente a alma de alguém, tal como Q. (ou Qs) e outros channers fizeram.

As pessoas já me perguntaram:

— O que você acha que foi Q.?

Q. como indivíduo? Q. como horcrux esochannealógico ou magolítica? Q. como teoria da conspiração? Q. como esochanner? Q. como channer? Q. como arma de guerra memética de primeira geração (FGMW)? Q Clearence? Q Anon? Qual Q. as pessoas buscam? Q. é tudo isso e talvez até mais. De fato, até hoje as pessoas não compreendem a relação entre Q. e o esoterismo kekista, visto que o esoterismo kekista esconde as suas técnicas em forma de piada (algo que quem leu Magolítica já percebeu).

Eu vejo Q. mais através das suas técnicas do que como uma "simples" teoria da conspiração. Não me interesso em nada pelas teorias conspiratórias mirabolantes que Q. possui como teoria da conspiração, esse tipo de entretenimento burro eu deixo para jornalistas. Uma coisa é olhar para o conteúdo de crenças de uma seita, outra é olhar para o criador da seita através das suas técnicas. Vocês olham para o Q. através das suas falsas crenças, mas não olham para as técnicas que o Q. usou para criar a seita que criou. Como resultado, atacam apenas o conteúdo, mas deixam aberta a possibilidade de alguém construir uma seita semelhante a do Q. por conhecer as técnicas do Q.

Do mesmo modo, a questão que vem é:

— E se a gente prender um sucessor do Q.?

O Q. enquanto indivíduo importa menos que o Q. enquanto horcrux esochannealógico ou magolítica, visto que em Q. há uma hipótese metapocalíptica tal como há em qualquer channer que se preze e isso é uma condição básica para que algo seja uma magolítica ou uma horcrux esochannealógica. Se prenderem o próximo Q, muito provavelmente outro aparecerá no lugar. É como se perguntar "e se eu prender o filho de Karl Marx, eu parei o socialismo marxista?". 

Outra coisa evidente é: quem garante que o próximo Q. será um ser humano e não uma IA (Inteligência Artificial)? 

Leia isso aqui:


Se as pessoas conseguem criar uma IA baseada no 4chan, por qual razão não conseguiriam criar uma IA baseada no Q. e na Esochannealogia?

Quando pensamos nos maus que a cultura channer causou através do mundo, vimos vários manifestos (horcrux esochannealógicas/magolíticas) aparecendo. Geralmente a pessoa postava o manifesto, se matava ou matava alguém ou algumas pessoas logo após escrevê-lo. Esse manifesto, por qualidade memética (e toda cultura channer é baseada na memética), era mimetizado e mais pessoas faziam o mesmo. Q. aparece com uma magolítica que leva a uma memetização e mimetização em massa, aparecendo em vários países e expandindo-se esochannealogicamente por várias mentes. Há uma quantidade massiva de pessoas que estão no movimento no Q., espalhando-se por aí que nem joio em meio ao trigo e capim em meio a floresta.

Quando eu escrevo isso, não estou colaborando com o Q. enquanto teoria da conspiração. Eu estou analisando o nível meta e a um nível esochannealógico. Isto é, não a um nível de uma simples análise de crenças, mas na análise das técnicas que estão atrás das crenças. Q. como esochanner é infinitamente mais interessante que Q. como teoria da conspiração. A teoria da conspiração envolvendo Q. será ignorada pela maioria das pessoas que estudam Q. no mesmo ponto de discussão que eu escrevo e estudo.

Poderia colocar outros pontos. Deixo claro que não faço parte do Q., nem acredito nas bobagens conspiratórias que ele criou. Porém compreendo que as técnicas de Q. quando estudadas podem ajudar a compreender parte do 5GW (Guerras de Quinta Geração) e o 1GMW (Guerras Meméticas de Primeira Geração). Não creio, porém, que eu queira escrever sobre isso. Ao menos não agora. Me sinto exausto, bebi e li o dia todo. Além disso, é final de ano.

O Necrológio Cadavérico #5 — Filhos sem Pais


Se eu morresse hoje...

Saberia que é muito raro crescer intelectualmente no Brasil. O cerne institucionalista é algo extremamente grave e a direita é majoritariamente anti-institucional e pós-institucional.


Nos últimos tempos, li muito mais do debate americano. Ali pude ver um movimento intelectual real. Com múltiplas e verdadeiras faces singulares. Coisa que quase não encontro aqui. A academia brasileira me parece um show de clichês dos quais não quero fazer parte. Além disso, meus posicionamentos são extremamente escassos. Sinto um sofrimento enorme por estar aqui.


Ao ver pessoas queimando e cortando chinelos, por causa do marketing, além de todo o debate envolvendo o espectro ideológico de chinelos, comecei a pensar que tudo isso era o cúmulo. Esse foi o momento que percebi que esse país não tem salvação e não adianta se importar com absolutamente com o que ocorre aqui. Visto que dar importância para o que ocorre aqui pode terminar em emburrecimento ou em enraivecimento.


Agora, se a natureza política é entediante e emburrecedora, a natureza midiática também o é.  A mídia de direita serve para provar que a esquerda está errada. A mídia de esquerda serve para provar que a direita está errada. Não há qualidade alguma nisso, além do velho fato enfadonho de que existem para tornar fatos e narrativas em máquinas de propaganda. Um esquerdista que ler jornais de esquerda verá o quanto é bom, inteligente e sabido, ao mesmo tempo verá o quanto seus inimigos são maus, burros e tolos. Do mesmo modo, um direitista que ler jornais de direita verá o quanto é bom, inteligente e sabido, ao mesmo tempo que verá o quanto os seus inimigos são maus, burros e tolos. Assim caminhará a guerra fria civil.


Eu não posso mudar a realidade política do meu país. Além disso, a mídia alternativa está cada vez pior. A democracia envolve os votos da maioria. E eu faço parte da minoria da minoria. Não tenho o controle sobre absolutamente nada. Meu voto não influenciaria em nada. A ausência dele não mudaria em nada. Um esquerdista que fala em mutualismo, morrerá na corrente majoritárias da esquerda.  Um direitista que fala em Red Tory, morrerá nas correntes majoritárias da direita.


Se meu voto não vale de nada, mas sim o voto da maioria das pessoas que sequer leem um livro por ano e que não sabem mais do que três linhas de pensamento, o que posso fazer? Nada, absolutamente nada. Caminho como um filho bastardo. Creio que deve ser a mesma situação de vários bastardos desse underground.


Escrever pacientemente em meu campo é melhor do que nada. É até terapêutico.

quarta-feira, 24 de dezembro de 2025

Retrowave #6

 


Retrowave: uma saga de frases de pessoas ilustres que resolvi colocar em retrowave.



Acabo de ler "The Rise of Populism" de Stephen Bannon e David Frum (lido em inglês)

 



Nome:

The Rise of Populism


Debatedores:

Stephen K. Bannon

David Frum


Intermediador:

Rudyard Griffiths


Eu li o livro, mas quem quiser acessar o canal canadense de debates, aqui está o link:

https://youtube.com/@themunkdebates?si=vPT_Rvph0D0eb8tX

Agora se estiver interessado em ouvir o debate, aqui está o link:

https://youtu.be/3nXt2YXrOL4?si=s4N355iN3YCmZ_V5

Se tiver interesse no site:

https://munkdebates.com/


Li esse livro enquanto ficava jogando vinho seco no sorvete e tomando repetidos banhos gelados por causa do calor. Quando fui para praia, acreditei que daria uma folga a minha cabecinha depressiva, mas, na verdade, mergulhei-me em uma série de reflexões e em uma série de leituras. Acho que um grande problema que tenho é esse... eu nunca paro.


Esse livro é bem impressionante, o debate em si é bem impressionante. Usualmente a mídia pinta uma imagem inculta do Bannon, quando vi esse debate, percebi que ele tinha uma intelectualidade mais vibrante do que eu imaginava. David Frum é um "novo conhecido" do blogspot, visto que analisei um livro dele recentemente.


Caso tenham interesse em uma análise anterior que fale de Bannon, leiam essa aqui:

https://cadaverminimal.blogspot.com/2025/06/acabo-de-ler-devils-bargain-de-joshua.html


Caso tenham interesse em uma análise anterior que fale de Frum, leiam essa aqui:

https://cadaverminimal.blogspot.com/2025/12/acabo-de-ler-trumpocracy-de-david-frum.html?m=1


Creio que essas duas figuras são extremamente interessantes. Um faz parte do MAGA (Bannon). Outro faz parte do Never Trump (Frum). Podemos dizer que os dois são conservadores, mas vão em linhas bem opostas. Se Bannon crê no futuro do populismo como uma tática boa, Frum crê que o anti-populismo é o melhor caminho.


David Frum ataca o trumpismo e o MAGA várias vezes, colocando múltiplas vezes como um movimento autocrático, cleptocrático e corrupto. Bannon, múltiplas vezes, diz que é claramente um antifascista, que o movimento MAGA não se importa com cor, sexualidade, gênero, mas com cidadania, além de evitar qualquer coligação com o nacionalismo branco.


Os dois tiveram um desempenho intelectual extremamente ímpar nesse debate. Múltiplas vezes vi Frum ser elogioso para com a administração Obama, além de citar uma série de dados sobre os governos de Bush, Obama e Trump comparativamente. Bannon tomou vantagem nas partes em que dizia que o movimento republicano antigo não ganhava voto e nem tração. Frum rebateu citando dados demográficos, coligando a imagem pública antimigração com a perda de votos futuros graças as políticas de Trump.


Menção especial: Jair Messias Bolsonaro foi mencionado por Bannon e Frum. Além disso, outros presidentes de ligação ao conservadorismo populista foram mencionados.


Creio que muitas pessoas, em todo o Brasil, não sabem as diferenças entre as linhas conservadoras nos Estados Unidos e, por tal razão, acreditam que é tudo a mesma coisa. Quando lemos livros como esses, vemos que nada é tão simples quanto parece. A diferença entre os conservadores são gigantescas.

O Necrológio Cadavérico #4 — Havaianas, Traições e Dinastias

 


Se eu morresse hoje...


Gostaria de pensar que morri em um bom tempo — precisamente por o tempo atual ser estúpido demais. Depois da discussão a respeito de um riff de guitarra ser de esquerda ou de direita, hoje temos a discussão sobre um chinelo ser de esquerda ou de direita, o que leva a pessoas a destruírem chinelos... por esses chinelos serem supostamente comunistas. O que é uma extravagância estética, dignamente kitsch, para representar os tempos modernos.


Houve um momento que precedeu tudo isso. Anteriormente falávamos da politização das massas. Graças a internet, todo mundo discute política. É evidente que nosso discutidor médio não é um leitor de Karl Marx ou Eric Voegelin, tampouco um articulador de Lênin ou um conhecedor da obra de Russell Kirk. Em vez disso, o debatedor médio discute séries da Netflix como se essas fossem o Capital de Karl Marx ou vídeos de youtubers como se esses fossem a Mentalidade Conservadora de Russell Kirk. A pergunta que faço é: vocês que queriam tanto a politização crônica das massas estão contentes agora?


No geral, o debate intelectual se tornou algo mais ou menos assim: pessoas que são contra a "direita" X pessoas que são contra a "esquerda". Essa generalidade, que é bem estranha, já demonstra a total incompreensão sobre o simples fato de que não existe direita ou esquerda, mas direitas e esquerdas. Essa estranha unidade (ou dualismo) desconhece completamente as divisões históricas entre as diversas esquerdas e direitas, além dos distintos centros. Para essas pessoas, o que chega a ser irônico, não há diferente entre um marxista e um social-democrata e nem entre um Blue Tory e um Red Tory.


É por isso que eu digo: se eu morresse hoje, não estaria perdendo um debate intelectual, visto que sequer há um debate intelectual rolando. Aparentemente, pouca gente conhece pouca gente e muita gente desconhece muita gente. Os ódios das seitas vão até o infinito, visto que o fôlego da burrice é eterno.


É curioso, de qualquer modo, a forma que os eventos vêm se sucedido. Enquanto as pessoas de alguns setores da esquerda se questionam quem sucederá o Lula, a questão central de setores da direita é se o bolsonarismo ainda tem fôlego para incendiar o debate público brasileiro e angariar alguma eleição.


Não raro aparece um desses gênios que chega a questionar:


— Você não obedece a liderança do Bolsonaro? Você é um esquerdista por acaso? Você é um traidor?


Eu fico imaginando: será que eu li a Escola Austríaca, os neoconservadores, os conservadores-populistas, Red Tories, neorreacionários, pessimistas, céticos, pragmáticos e até várias e várias correntes da esquerda para simplesmente retirar as minhas calças e ficar de quatro para os mandos e desmandos de um bolsonarismo inculto e iletrado que se arroga como família imperial da direita brasileira? Se for assim, é melhor partir para não ver o fim desse besteirol ruim que se tornou um hit no cinema da política nacional.


Essa é uma sensação constante que tenho tido a respeito de tudo: eu não me sinto impressionado com absolutamente nada, muito pelo contrário, acho que estou assistindo "Idiocracia" em looping. Isso em todos os setores da minha vida. Um dos fatos que me levou a ignorar muito do conteúdo da política nacional e regional foi isso: a necessidade de me sentir longe de tudo isso.


Pensar na morte me faz ver, inúmeras vezes, de que isso não seria tão ruim. Não estou dizendo que vou me matar, estou dizendo que não estaria perdendo absolutamente nada.

Recomendações Cadavéricas #3 — Second Thought

 


Recomendações Cadavéricas: uma série de postagens de recomendações do escritor do blogspot Cadáver Minimal.


https://youtube.com/@secondthought?si=lVgyzpPwcZdl-1fw


Gosto do Second Thought. É um dos canais marxistas que me surpreendem pela qualidade do seu conteúdo. Também gosto da forma que o apresentador fala e como ele se comporta durante os vídeos. Creio que ele é um dos melhores para se compreender uma perspectiva marxista interna dentro dos Estados Unidos.


Se os leitores desse blogspot gostam de verem múltiplas formas diferentes de ver o mundo, creio que gostaram de adicionar o Second Thought na lista de canais para se assistir.

terça-feira, 23 de dezembro de 2025

O Necrológio Cadavérico #3 — Burrice e Tédio


Se eu morresse hoje...

Lembraria que estou sempre lendo alguma coisa. Os leitores desse blogspot sabem disso. Atualmente tenho lido o livro "Never Trump" ("Never Trump: The Revolt of the Conservative Elites"), um livro escrito por Robert P. Saldin e Steven M. Teles. Pode não parecer, mas eu não me acho uma pessoa inteligente. Sei que tenho um interesse elevado por abstrações e por livros, mas sei que muitas pessoas são atraídas pela mais pura inércia.

É estranho, estou sempre vendo algum vídeo mais intelectualizado. Porém creio que isso tem a ver com o gosto. O que realmente me surpreende é o fato de que as pessoas veem muito conteúdo que, na maioria dos casos, poderia ser considerado extremamente duvidoso.

Por exemplo, acho teorias da conspiração extremamente duvidosas. A história da vacina, naquela época, tinha uma falha que considerava central: a hipótese de que as elites queriam uma redução populacional sendo que até hoje em dia os países lutam contra as suas baixas taxas de natalidade. O que me levava a pensar: "e se o plano do mal não seja, tão somente, o lucro com a boa e velha propriedade intelectual que gera uma escassez de um produto, dessa vez essencial, para o mundo?". Creio que isso seria algo muito mais simples.

De qualquer modo, tive uma preguiça extrema de ver conteúdo anti-vacina e também tive uma preguiça extrema de ver conteúdo pró-vacina. Apenas tomei as vacinas e segui o jogo.

Outra coisa que marcou os debates intelectuais recentes foi a questão dos incels e da redpill. Na minha época, recebendo conteúdo redpill traduzido direto da fonte, isto é, do /pol/ do 4chan, posso dizer que a redpill poderia ser tudo e qualquer bobagem. De qualquer modo, esse movimento foi completamente interpretado como sendo um movimento sobre mulheres. Em outras palavras, um movimento que era sobre supremacismo branco, apologia à pedofilia, nazismo, fascismo, ódio contra judeus, ódio contra islâmicos etc, etc, etc... virou um movimento que só prega ódio contra mulheres. Olhando pro lado bom, se eu fosse redpill, eu agradeceria a burrice da esquerda e das feministas por me descontarem tantos e tantos crimes. Chegaria até a ser um alívio ter 99,9% dos erros perdoados.

Lembro-me de que cheguei a larpar de ser incel. O que foi momentaneamente engraçado. Uma hora, eu estava lendo um livro qualquer, indo em uma festa, fumando um baseado, pegando alguém ou até ouvindo música. Em outra, estava lá eu trollando muito com a cultura incel.

Nunca quis me aprofundar no incelismo e na redpill. Achava que aquilo tudo tinha muitas afirmações e poucas fontes. Como sou um rato de biblioteca, sempre li de tudo. Logo criei um ceticismo natural para com tudo. Toda aquela onda de afirmações não me causavam nada além de tédio. Fora isso, eu nunca perderia meu tempo vendo vídeos e mais vídeos sobre o assunto, de modo que simplesmente ignorei 99,9% do conteúdo redpill e anti-redpill, incel e anti-incel.

Se alguém me chegasse e me dissesse:

— A partir de hoje você passará todos os dias falando mal de mulher e discutindo teorias que falam mal de mulher.

Eu responderia:

— Apenas não.

Eu ignoro qualquer monotonia. Sempre ignorei fios e teorias sobre mulheres até mesmo dentro de chans. Grande parte dos usuários de chans apenas dão sage e vão discutir algo mais interessante do que um amontoado de teorias conspiratórias envolvendo o gênero feminino, tal como Sega Saturn e Digimon.

Se também não me atrai por nada disso, tampouco me atrai por teorias da conspiração. Como estou acostumado a ler de tudo, vi que toda teoria intelectual apresentava pontos fracos e fortes. Se teorias intelectualmente sofisticadas apresentam pontos fracos e fortes, é muito difícil imaginar que teorias conspiratórias não soem completamente malucas para pessoas como eu que vivem empilhando livros para ler.

Existem grandes teorias que rechearam minha mente por pouquíssimo tempo. Um exemplo disso a teoria da evolução, o qual tenho por verdadeira. Não porque eu estudei realmente sobre assunto, mas simplesmente porque eu pensei: "pode ser, pra mim tanto faz". Não é como se eu fosse estudar sobre tudo acentuadamente até chegar a uma conclusão factível. Eu apenas vi alguns livros, vi alguns vídeos, vi que era grande parte do consenso moderno e simplesmente lidei com a minha insignificância perante ao assunto.

Considero fascinante, a nivel psicológico e sociológico, a forma com que teorias conspiratórias radicalizam o mundo e prendem pessoas em cubículos, mas, sendo sincero, sinto mais como se eu estivesse olhando para ratos em ratoeiras do que sentindo um dever ético forte perante a isso. De qualquer modo, esses animais, digo, essas pessoas devem ser domesticadas, digo, tratadas... para não saírem fazendo merda por aí e gerando inconveniência e transtorno por onde passam. Todavia isso é um problema da saúde pública e da segurança pública, não um problema meu.

Acho que essa é a reflexão que eu tenho. O fato de eu ser uma pessoa que se sente facilmente entediado me livrou de crer em teorias da conspiração. Às vezes a semelhança com Belphegor não é um erro, mas uma salvaguarda contra a idiotice.