Envie as suas perguntas anônimas: https://ngl.link/perguntanonimablogspot
Eu preciso explicar alguns pontos para você entender onde eu quero chegar.
— O que acontece quando personalidades de dois grupos opostos debatem entre si?
Vamos pensar em um debate entre um comunista e um liberal. A intenção de cada um dos debatentes é:
A- Comunista: provar que o comunismo tem razão;
B- Liberal: provar que o liberalismo tem razão.
O ponto deles é que eles pecisam provar de todos os modos que a ideologia deles têm razão. Eles não vão parar por um momento e dizer:
- Estou vendo aqui que o liberalismo/comunismo tem razão nesse ponto determinado.
Ou seja, a procura pela verdade ou pelo método mais efetivo não importando onde isso esteja não é o ponto. Não é uma cooperação para se chegar as melhores ideias, mas sim um ponto em que duas doutrinas são debatidas de um ponto de vista mais teológico do que filosófico. Os dois não estão tentando analisar ponto por ponto e chegar a uma conclusão com o melhor ponto de cada sistema, mas sim uma justificação doutrinária de seus sistemas — esses vão ser justificados por inteiro.
Fala-se de "diálogo" e "debate", mas que "diálogo" é esse onde nenhuma ideia é primeiramente analisada, comparada com outras e depois vista como circunstancialmente aceitável em alguma conjuntura? O diálogo sequer é aceito como possibilidade, como troca, como feedback. Quando nós, em nossa modernidade, dizemos que os medievais eram errados visto que os debates deles estavam tentando justificar a sua doutrina teológica a todo custo, caímos na hipocrisia pelo fato de que somos vários grupos distintos tentando justificar as nossas doutrinas ideológicas a todo custo.
Ou seja, fala-se em diálogo quando na verdade vivemos em uma era pós-dialógica. Uma das principais ideias que norteiam esse meu modo de ver o mundo é o que vem sido chamado de "guerra fria civil", ou seja, a noção de que existem populações radicalmente divididas — culturalmente, ideologicamente, etc — sem entrar em uma guerra civil de fato.
— Se o debate e o diálogo sincero não mais existe, qual deve ser o foco?
Você já deve saber o jogo de adição e subtração da política moderna:
Focou em brancos = - pessoas de cor
Focou em pessoas de cor = - pessoas brancas
Focou em LGBTs = - pessoas heterossexuais
Focou em pessoas heterossexuais = - pessoas LGBTs
Focou em homens = - mulheres
Focou em mulheres = -homens
Quando você pensa no que o esoterismo channer esteve fazendo em todos esses anos consecutivos, na parte em que ele é mais técnico, vemos uma inversão em que os arquétipos e a memética superam os aspectos mais propriamente ideológicos.
Repare bem nas técnicas de Q. (QAnon) quando não olhamos para o conteúdo das suas teorias da conspiração:
"Era o dia 28 de Outubro de 2017. Alguém deveria estar pensando o que venceria: a evidência ou a emoção? De qualquer modo, esse alguém fez uma aposta. A sua aposta continha uma mensagem. Essa mensagem continha as seguintes características:
1. Sem previsões específicas;
2. Sem fontes verificáveis;
3. Deliberadamente vaga;
4. Deliberadamente aberta a interpretação.
As pessoas se perguntavam o que era aquilo. Seria aquela postagem uma espécie de informação? Não, certamente não era. Estava mais para um quebra-cabeça ou para um drop críptico. A arte de decoficar aquilo, aquela estranha mensagem, que era o produto. Decifrar a mensagem dava aos decifradores a posição de "insiders"."
https://cadaverminimal.blogspot.com/2026/01/reflexoes-esochannealogicas-1.html
Ou nessa parte aqui:
"Nível 4: Noumenônica
Teórico: Esokant (nível abismo)
Nome: Esochannealogia da Guerra Noumenônica
Resumo: controlar os alicerces invisíveis da realidade percebida.
Armas: epistemologia, modelos cognitivos, arquitetura de IA.
Nível 3: Cênica
Teórico: Cadáver Minimal (nível abismo)
Nome: Esochannealogia da Guerra Cênica
Resumo: treinar o olhar do espectador para ver a encenação, não os atores.
Armas: frameworks, desmontagem, análise, performance.
Nível 2: Alegórica
Teórico: Saint Obamas Momjeans (nível abismo)
Nome: Esochannealogia da Guerra Alegórica
Objetivo: fornecer significado transcendente e coesão tribal.
Armas: arquétipos, divindades sincréticas, mitologia.
Nível 1: Conspiratória
Teórico: QAnon (nível abismo)
Nome: Esochannealogia da Guerra Conspiratória
Objetivo: mobilizar para ação no mundo real.
Armas: teorias da conspiração, drops crípticos, comunidade"
https://cadaverminimal.blogspot.com/2026/02/reflexoes-esochannealogicas-6-academico.html?m=0
Ou quando eu falo sobre como a comunidade channer criou o Pizzagate:
"Então veja:
PISAP (Pesquisa, Interpretação, Solicitação, Arquivamento, Publicação) + Visão Panorâmica acima da particular + Acumulação do Conhecimento + Apelo Emocional = Epistemologia da Pós-Verdade"
https://cadaverminimal.blogspot.com/2026/02/acabo-de-ler-post-truth-protest-de.html?m=1
Ou a descrição das sete máscaras a partir de arquétipos e não de ideias mais ideológicas:
"Os Sete Arquétipos da Elite Abyss
Os Sete Antipilares Arquetípicos da esochannealogia são:
》A Máscara da Neossistemática (O Arquiteto da Realidade)
Função Arquetípica: a capacidade fundamental de criação e inovação perpétua de técnicas, sistemas e “preenchimentos ficcionais”. É a força motriz por trás da evolução da esochannealogia.
》A Máscara do Semeador do Caos (O Agente da Entropia Semiótica)
Função Arquetípica: a manipulação direta do ambiente informacional para introduzir ruído, ambiguidade e desorientação. Seu objetivo é quebrar a clareza da comunicação e a lógica linear, gerando entropia cognitiva.
》A Máscara do Engenheiro da Crença (O Forjador da Fé Coletiva)
Função Arquetípica: a arte de construir narrativas (ficcionais ou não) tão convincentes e ressonantes que elas se solidificam como “realidades” na mente de grandes populações, inspirando fé e ação.
》A Máscara do Desconstrutor Semiológico (O Erodidor de Sentido Compartilhado)
Função Arquetípica: a capacidade de desmontar e subverter as estruturas simbólicas, os valores e os significados que sustentam a coesão social e a percepção comum da realidade, levando a “colapsos semiológicos”.
》A Máscara do Vidente do Abismo (O Oráculo dos Padrões Ocultos)
Função Arquetípica: o poder de observação e análise profunda, capaz de discernir padrões, tendências e as leis ocultas do “sistema” mesmo em meio ao caos aparente, prevendo e orientando a manipulação futura.
》A Máscara do Espelho Paradoxal (O Mestre da Contradição e Integração)
Função Arquetípica: a habilidade de operar unindo opostos e de usar as contradições intrínsecas da realidade e dos oponentes em seu próprio benefício. Transforma a oposição em combustível para o sistema.
》A Máscara do Golem Consciente (A Manifestação da Magolítica)
Função Arquetípica: a encarnação máxima da esochannealogia. Representa o esochanner que se torna uma extensão consciente e singular do próprio sistema, cuja existência e “obra” são atos de “magia channer suprema” que afetam diretamente a realidade. É a fusão completa da subjetividade com a construção intelectual.
Essas Sete (7) Máscaras representariam os arquétipos fundamentais que, juntos, compõem a totalidade do poder e das operações da esochannealogia. Qualquer esochanner, ao atingir o grau esochannealógico, tenderia a se alinhar ou a sintetizar uma ou mais dessas abordagens arquetípicas"
https://medium.com/@cadaverminimal/o-paradoxo-da-elite-abyss-special-chapter-f97c1fb4a09d
Em outras palavras, quando o memético, o simbólico, o arquétipo, o mitológico substituem o conteúdo ideológico, os grupos afetados se tornam potencialmente maiores. A qualidade de um meme está em sua capacidade de reprodução, isto é, quanto maior for reprodutibilidade de algo, maior é a sua força memética.
Você perceberá muito isso nesse trecho de outro insider club:
"2- Eu não darei solução alguma e nem condenarei teoria conspiratória alguma, em vez disso, tentarei compreender quais foram as técnicas utilizadas pelos os mais diversos atores e farei alguma nota a respeito dessas técnicas.
Você percebeu que eu sequer me importo para o conteúdo da conspiração em si e qual é o seu uso político? O que me interessa é perceber tecnicamente a teoria conspiratória e compreender tecnicamente o que cada ator dentro desse contexto fez. Ou seja, o que me importa é técnica. Se Q. disse que Trump ou o Biden são os salvadores do mundo, pouco me importa.
É por isso que eu fui desenvolvendo minhas próprias ferramentas de guerra narrativa, psicológica, memética, conspiratória, alegórica, metapolítica, noumenônica e por aí vai. A minha questão está centrada nas artes da guerra da mente e não em uma doutrina filosófica, política, econômica ou cultural"
https://cadaverminimal.blogspot.com/2026/02/ngl-45-juventude-trabalhista-e-leandro.html?m=1
A maioria dos intelectuais brasileiros são ideologicamente motivados. Isto é, eles querem fazer com que você acredite no corpo doutrinário que eles acreditam. O que eu quero é transcender a questão ideológica e doutrinária a partir da memética, do arquétipo, da mitologia, da simbologia e dentre outros fatores. Eu não tentaria colocar uma ideologia visto que sei que vivemos em uma época pós-dialógica. Se eu sei que meu esforço seria inútil, por qual razão eu me moveria para isso?
Se você olhar uma análise recente minha, verá que eu tenho trabalho muito mais com a teoria mágica da política:
"Como isso é possível? Se pensarmos bem, a parte de nós que é racional é a parte menos desenvolvida e recente de nossa mente. A grande parte ainda é dominada a linguagem do mito e do símbolo. É possível influenciar essa parte. Por exemplo, quando pensamos no slogan "MAGA" (Make America Great Again), não temos uma frase que signifique alguma coisa exata. A frase apenas diz: "Fazer a América Grande De Novo". Essa frase poderia ser um slogan até do Partido Democrata. Essa frase não foi feita para falar com o racional, mas com o imaginário afetivo"
https://cadaverminimal.blogspot.com/2026/02/acabo-de-ler-king-in-orange-de-john.html?m=1
Conforme eu ia analisando múltiplas escolas de pensamento e percebendo que estávamos em um período pós-dialógico e de guerra fria civil, comecei a criar outras ideias. Vi que a eficiência política não estava muito condicionada em aprender uma "boa escola de pensamento" e ensiná-la para as pessoas. Foi isso que me levou a escrever isso:
"Política pra gado:
- Figurinhas políticas pra quem não é inteligente o suficiente para estudar uma escola de pensamento.
Aqui estão os entusiastas que tratam celebridades pops da política como se fossem cantoras de música pop.
Política idealista:
- Escolas de pensamento que nunca se efetivam 100% na realidade. Debates pautados em vieses de confirmação onde a escola predileta é tido como santa e a escola de pensamento rival é tida como demoníaca.
Aqui estão as pessoas que acreditam piamente em uma escola de pensamento, sendo incapazes de fazerem sínteses de múltiplas escolas de pensamento, levando a uma auto-limitação intelectual grosseira.
Política pragmática:
- Estuda diversas escolas de pensamento e pensa num modelo .
Aqui estão aqueles que realmente deveriam governar e também a forma com que as pessoas deveriam estudar política, visto que só estes são capazes de gerar boas ideias, baseados no ceticismo e na prudência, tendo um experimentalismo comedido pela fusão de múltiplas ideias sintéticas. Entram aqui pessoas ilustres como Deng Xiaoping e Alexander Hamilton.
Política real:
- Psyops, guerra informacional, memética, guerra cognitiva.
Aqui está como a política realmente funciona. Uma permanente guerra de narrativas na qual várias mensagens são estudadas para ter efeito narrativamente positivo"
https://cadaverminimal.blogspot.com/2025/11/memoria-cadaverica-29-arte-politica.html?m=0
O que eu estou dizendo é que a CIA, a FSB (KGB), a Glavset, dentre outras, são formas de fazer política infinitamente mais eficientes na condição atual do que o meio pelo qual a política é atualmente feita. Em outras palavras, aquilo que chamam de psyop (operação psicológica), psywar (guerra psicológica), conspiracy warfare (guerra conspiratória), narrative warfare (guerra narrativa), dentre tantas outras coisas, é o meio mais eficaz. Visto que isso trabalhará mais com a psicologia das massas e com engenharia social do que um conteúdo ideológico em si. Ou seja, há em primeiro lugar a primazia da manipulação psicológica (lembre-se que mágica em esochannealogia é "manipulação"). E essa definição também é encontrada no livro "The King in Orange: The Magical and Occult Roots of Political Power" de John Michael Greer. O grupo que aprender, dominar e for eficaz nesse tipo de ação e de conhecimento, será extremamente eficaz na política do Século XXI.
