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quinta-feira, 30 de abril de 2026

Caveira Casual #5 — The Cure, Baladas, Cinemas e Videogames!

 


Começo a escrever ouvindo o álbum "Three Imaginary Boys" do The Cure. Estou na primeira música, uma das que mais gosto, aliás, a "10:15 Saturday Night". É um pouco estranha a minha história com The Cure. Ouvi The Cure mais por recomendação de um ex-namorado de uma amiga e por um amigo. Recentemente fui num bar de rock, o Mister Rock Bar, e lá estava tocando um cover do The Cure. E comecei a ver que gosto da banda. 


Faz tempo que não pego um tempo para escrever um texto ouvindo um som. Escrever um texto enquanto ouço o lindo baixo de "Accuracy" é impressionante. Embora, nesse exato momento, esteja tocando "Grinding Halt". A razão de eu voltar a escrever ouvindo um som é por minha mãe ter comprado um fone de ouvido novo para mim, nesse mesmo dia ela me arrumou novos óculos. 


Nesse exato momento, começa a tocar "Another Day". A sensação que o som me passa é de embriagamento. É como se o som passasse como uma alucinação produzida pelo excesso de calor. O que é uma sensação estranhamente gostosa de se ter? Por algum motivo que eu particularmente não saberia explicar. Estou percebendo que os sons do The Cure são altamente inventivos, não se parecendo com nada que eu tenha ouvido antes.


Falei do Mister Rock Bar no começo do texto. Nunca fui muito de frequentar bares de rock. Tanto que o lugar a que mais fui é o Nossacasa Confraria das Ideias, na Vila Madalena. Lembro-me de quando era pré-adolescente. Todo mundo falava sobre baladas. Eu mesmo, mais tardiamente, frequentei baladas. Hoje em dia me deparo com o estranho fato das baladas estarem acabando. É como se as baladas fossem lembranças mortas de uma outra era. Escrevo isso enquanto toca a música "Object", uma música mais dançante.


A estranheza de crescer é ver um mundo que acreditava imutável mudar. Por falar em mudança, começou a tocar "Subway Song". Essa música tem um baixo bastante audível e detalhado, controlando grande parte da música. Disse, no parágrafo anterior, que as baladas estão a morrer. Outra coisa que noto na geração mais nova é o fato de eles jogarem menos jogos single-player ou focados no modo história. É uma tristeza ver que muitas empresas estão abandonando o modo história e oferecendo coisas absurdas como "jogos como serviço".


Nesse momento, estou a ouvir "Foxy Lady". E lembrei-me de que os cinemas estão a ir para a falência. Ninguém quer mais ver filmes com telas grandes. Talvez seja o preço do cinema que aumentou no mundo todo. Talvez sejam os serviços de streaming que se tornam parte do dia a dia. Alguns argumentam que o streaming é menos elitista que o cinema. De qualquer modo, não investiguei o caso a fundo, visto que aceitei tal mudança paradigmática. Enquanto escrevia isso, saí de "Foxy Lady" e fui parar em "Meat Hook".


Como prometi a mim mesmo que ouviria o álbum inteiro, preciso colocar mais assuntos aqui. Enquanto toca "So What", lembrei-me das postagens constantes sobre um jovem com a sua namorada. E sempre que essa postagem aparece, vem a seguinte pergunta: "Qual a sua desculpa?" Eu não tenho desculpa, eu não tenho que me desculpar. Eu já namorei oito ou nove vezes. Não sou virgem. Não preciso ser obrigado a namorar. Me deixem em paz. Termino esse parágrafo enquanto toca "Fire in  Cairo".


Meu tio veio falar comigo. Me disse que olhou a conta do telefone fixo. Ele notou que, em vários meses consecutivos, ninguém usou o telefone para absolutamente nada. Em outros, o telefone foi usado por um minuto ou três minutos. O que é, em si, mais um sinal de desgaste de uma antiga era que vai, aos poucos, deixando de existir para dar lugar a uma outra. Uma era de telefones celulares. 


Comecei a ouvir a música "It's Not You". Procurei alguma razão para esse parágrafo existir, já que preciso continuar escrevendo até o parágrafo acabar. Então vou falar da nova onda política: proibir cigarros para gerações mais novas. Essa onda de leis diz que pessoas nascidas em determinada data não poderão comprar mais cigarros. Eu sou fumante desde o ensino fundamental. Nenhuma lei me impediu de fumar, mesmo quando eu era menor. Ah, começou a tocar "Three Imaginary Boys". Adoro quando o nome de uma música é o mesmo nome do álbum. Voltando ao assunto, creio que isso vai ter o mesmo efeito que a lei seca. Todo mundo sabe que proibir apenas leva ao surgimento de um mercado negro. E acho bem possível de isso acontecer novamente. Embora muitos digam que a lei é muito bem construída, posso alegar que a volatilidade humana ainda é indomável.


Ah, o álbum chega ao fim com "The Weedy Burton". Um som instrumental de cinquenta e três segundos. Creio que esse texto ficou desconexo. Não era minha pretensão. De qualquer forma, escrevo essa série apenas para continuar escrevendo em vez de ficar enferrujado.