terça-feira, 5 de novembro de 2024

Acabo de ler "Mobilize New Recruits and Conduct Political Work Among Them" de Deng Xiaoping (lido em inglês/Parte 1)



Nome:

Mobilize New Recruits and Conduct Political Work Among Them

Autor:
Deng Xiaoping


Quem poderia ganhar uma batalha contra um inimigo formidável como o Japão naquela época (1938)? A questão não era tão somente encarada a curto prazo, mas a longo prazo. A batalha era também de resistência e de persistência. Mobilizar toda uma população não é tão fácil, mesmo durante um período de guerra. Ao contrário do que se espera, as pessoas não de movem tão facilmente mesmo quando são ameaçadas por um invasor externo.

A problemática chinesa se encontrava em três gravidades. Uma delas era que culturalmente se tinha a crença de que um bom homem não utilizava armas. Em segundo lugar, havia a educação das massas. Em terceiro lugar, o modo em que o recrutamento era executado poderia trazer um questionamento acerca da ética desse recrutamento, sobretudo por parte das famílias que criavam uma resistência ou de pessoas que se sentiam ou eram coagidas para lutar.

Durante esse período, encontraram-se uma série de erros. Um deles era a incapacidade que as pessoas tinham de compreender que o futuro do país estava na balança. A necessidade de combate exigia uma mobilização, não uma fuga. Ademais, o governo se demonstrava incapaz de aumentar a sua capacidade de defesa, o que fazia com que o povo ficasse insatisfeito perante a ausência de resultados.

As pessoas não compreendiam o que era que movia tantos homens. Elas não compreendiam aquele sentimento que muitos homens compartilhavam na luta contra o inimigo. Elas não compreendiam o amor que eles tinham pela sua nação e por suas famílias. Ou seja, elas não compreendiam a fé que movia as suas almas. A partir dessa descrença, não poderiam compreender a unidade das forças armadas e o povo. As forças armadas, quando bem pensadas, tem uma unidade para com o seu povo: eles querem a proteção do povo e da nação que tanto amam. Muitos não só odiavam as forças armadas, como odiavam ter entrado nelas.

A guerra se trata de variáveis combinações. É preciso ensinar o povo a necessidade de autodefesa. Combater o inimigo interno e externo. Educar sobre a necessidade da luta. Vencer argumentativamente, militarmente se necessário, os colaboradores do adversário. Aumentar os números e vencer através da persistência e da resistência.

segunda-feira, 4 de novembro de 2024

Acabo de ler "New Libertarian Manifesto" de Konkin III (lido em inglês/Parte 2)


Nome:

New Libertarian Manifesto

Autor:
Samuel Edward Konkin III


Quando pensamos em libertarianismo podemos cair numa armadilha. Ao termos em conta a opressão do Estado, muitas vezes decaímos num desvio. Esse desvio está em mais de preocupar com a consistência da teoria libertária do que uma prática ou ação libertária. Com esse erro, pensamos mais na "perfeita idealidade" do que queremos conceber do que na concepção em si. O libertarianismo se torna, por fim, num esforço abstracionista e isolado no terreno da mente.

O esforço agorista vai em direção a outro sentido. Esse sentido não é só teórico, ele é um exercício prático que se transforma em algo teórico no processo de seu exercício. A questão é: uma sociedade livre, sem Estado, requer pessoas que possuam conhecimento do que estão fazendo e que aprendam com a prática do que fazem. Lacunas teóricas são consideradas, mas elas fazem parte do processo de aprendizagem. A liberdade sempre é assim, o preço da liberdade é a eterna vigilância.

A liberdade implica um risco e esse risco é o risco até mesmo de uma possibilidade de agressão. A defesa duma sociedade livre é algo que deve ser corretamente considerado, mas sem cair na reformulação do Estado enquanto agente de proteção dessa sociedade. E os inimigos internos e externos nos tentarão conforme nos dediquemos a essa sociedade e a essa prática.

A liberdade apresenta rápidos crescimentos materiais e não materiais, já que a liberdade é uma expressão artística não violenta. Todavia precisamos cuidar para que essa sociedade não se autodestrua no processo. 

sábado, 2 de novembro de 2024

Acabo de ler "New Libertarian Manifesto" de Konkin III (lido em inglês/Parte 1)



Nome:
New Libertarian Manifesto

Autor:
Samuel Edward Konkin III

Não importa qual vertente teórica esteja estudando, a coerção sempre aparece como fator notório no campo de análise. A forma como devemos lidar com a opressão, nas linhas que estamos, é variável. Alguns buscam catalogar o que seria uma boa coerção, outros tentam colocar uma coerção mínima. Existem aqueles que compreendem que toda relação humana envolve um jogo de poder. Há aqueles que querem abolir a coerção. Essa variedade não pode ser ignorada e nem abolida do debate.

Qual seria a fonte primordial da opressão? Se não a fonte primordial, qual seria a pedra angular ou, precisamente, aquilo que faz com que uns possam se sobrepor aos outros nas relações sociais? Se existe um fator decisivo na balança da opressão, esse fator decisivo é o Estado. Por tal razão, não convém a nós perguntar se o Estado deve ser alterado, se o Estado deve ser mudado e, se me permitem ir mais longe, se o Estado deve acabar? Esse livro fala sobre estratégias e táticas para acabar com o Estado, mesmo que isso soe um absurdo para alguns.

Konkin III tem um ponto: ele defende uma mudança cataclismática e uma grande estratégia. O que ele propõe, em outros termos menos brandos, é uma revolução. Uma revolução diferente da maioria das revoluções, já que seria uma revolução contra o Estado. Uma proposta bem ousada, já que o Estado sempre é utilizado para beneficiar um grupo e atacar outro. Muitos revolucionários, na sanha de mudar o mundo, recorrem ao Estado para os seus propósitos. Konkin segue uma linha diferente, não podemos mudar o mundo por meio do Estado pois o Estado é propriamente o culpado do mundo assim estar.

A pergunta que virá a muitos é: por qual razão o Estado? O Estado é propriamente a instituição da coerção, a centralização da imoralidade, o aparelhamento do roubo e do assassinato, a coordenação da opressão numa escala inconcebível para criminosos menores. O Estado representa um poder que é grande demais para qualquer pessoa, um poder que sempre poderá ser usada contra nós, um poder tamanho que nenhum de nós deveria possuir. Naquele tempo em que esse documento foi escrito, o Estado já tinha matado mais do que qualquer período da história; o Estado tinha roubado mais do que em qualquer período da história; o Estado já tinha iludido mais que em qualquer período de irracionalidade da história.

O que foi o século XX? O século XX foi o século em que a guerra matou mais que todas as anteriores. Em que as taxas e a inflação roubaram mais do que já foi produzido. Em que as mentiras políticas, em que a propaganda e em que a "educação" confundiram mais do que qualquer superstição na história.

Qual seria a solução para todo esse poder sempre distorcido pela natureza do Estado? Confiar ao Estado maiores possibilidades de distorções futuras com nossos nobres ideais? O Estado é a distorção, ele sempre distorcerá. A ação revolucionária não pode, por sua vez, se embasar no uso do Estado pois o Estado sempre a distorcerá.

O chamado de Konkin não é um chamado para ocupar o Estado com propostas reformistas. Não é o de criar um "Estado revolucionário". O chamado de Konkin é por uma unidade revolucionária de libertários que não aceitam a principal raiz de distorções: o Estado. Para tal, o libertário deve viver de forma alternativa ao poder do Estado. O movimento libertário deve ser um movimento de criação de alternativas ao Estado para destruir o Estado.

sexta-feira, 1 de novembro de 2024

Acabo de ler "Anatomy of the State" de Murray N. Rothbard (lido em inglês/Parte 7 – Final)

 


Nome:

Anatomy of the State


Autor:

Murray N. Rothbard


Para Murray, existem dois paralelos. A história da ação não-estatal, marcada por uma cooperação e competição. A história estatal, marcada pelo domínio e uso da força. Essas duas histórias sempre se cruzam, ora tendendo para um lado, ora tendendo para outro.


Os argumentos que o Murray utiliza contra o Estado são, é claro, bastante interessantes. Há uma verve libertária inegável. Embora se possa afirmar que exista uma simplificação dos fenômenos sociais e psicológicos. Além do Estado, existem opressões sociais. O Estado pesa muito no exercício dessas opressões, todavia elas não necessariamente precisam do Estado para existirem. De qualquer forma, pensar num mundo sem Estado e estabelecer uma crítica ao Estado é de suma importância para o debate e Murray não pode ser simplesmente ignorado ao fazer isso.

Acabo de ler "Anatomy of the State" de Murray N. Rothbard (lido em inglês/Parte 6)


Nome:

Anatomy of the State


Autor:

Murray N. Rothbard


Recebemos, inúmeras vezes, a ideia de que o Estado é um instrumento de primeira categoria na alavancagem da ordem social e da civilização. Seria essa informação verdadeira? Existem vários Estados através do mundo. As relações entre diferentes Estados gasta muito tempo e energia. Se uma área é inabitada, por exemplo, um Estado poderá requerer monopólio sobre ela. Se outro Estado a quer, se estabelece um conflito. O Estado quer o monopólio de força e violência, para extrair recursos e utilizá-lo como bem queira. Em relação ao Estado, a história demonstra que os períodos de paz são mais episódicos e singulares do que os períodos de guerra. Os últimos são sempre mais constantes.


Quando pensamos nos cidadãos de todo mundo e a natureza de guerra contínua dos Estados entre si, podemos levantar a seguinte pergunta: quem, de fato, se interessa pela guerra? Não é possível que um Estado represente a totalidade dos interesses dos seus cidadãos. É impossível que todos os cidadãos de um determinado país estejam, por assim dizer, particularmente interessados na guerra e a apoiem de fato. A concordância de um cidadão com o seu Estado nunca se dá de maneira integral e nunca se dá em todos os tempos.


O Estado não tem uma legitimidade perfeita e plena tal como sempre alega em sua autodefesa. O Estado tem, no máximo, uma aprovação temporária e parcial. Quando o Estado começa a tomar ações por aqueles que ele julga seus representados, geralmente ele se julga acima desses representados em expressar os seus verdadeiros desejos. Já que é da natureza do Estado não representar integralmente os desejos de seus representados, mas o desejo daqueles que estão ancorados em suas estruturas de poder.


Talvez seja um absurdo anunciar isso, mas o Estado deve constantemente se reinventar para demonstrar que possui alguma legitimidade. Já que o que interessa ao Estado é manter essa mesma legitimidade para gozar do benefício de usurpar os seus cidadãos. A razão das pessoas quererem manter o Estado está mais ligada aos seus interesses do que os interesses da coletividade. E os interesses dos dirigentes do Estado ora menos ora vai contra os interesses daqueles que são considerados cidadãos do próprio Estado.

Acabo de ler "Anatomy of the State" de Murray N. Rothbard (lido em inglês/Parte 5)

 


Nome:

Anatomy of the State


Autor:

Murray N. Rothbard


O Estado quase sempre acaba de duas maneiras: (I) ao ser conquistado por outro Estado pela guerra; (II) ao ser derrubado por um grupo de revolucionários. Quando o povo se move nessas duas direções, seja para o combate do Estado inimigo, seja para a revolução, movem-se pela crença de que, no fundo, estão se dirigindo para a realização da própria vontade ou para defenderem a si mesmos.


O ilusionismo coletivista sempre é, historicamente, um dos principais meios de mobilização. A palavra "nós" é algo muito difícil de se conceituar com precisão. Sim, fazemos parte de uma formação específica e estamos situados no espaço-tempo. Nossa língua talvez seja igual e quiçá tenhamos pontos semelhantes. Todavia pegar uma série de características comuns e, a partir disso, criar uma unidade perfeita de coesão é um salto argumentativo tremendo. Existem pontos, em cada indivíduo, de conexão ou de separação. No máximo, podemos falar de interesses semelhantes ou próximos em dados pontos em alguns momentos. Não há nem coletividade e nem individualidade plena.


O momento em que isso, o ilusionismo coletivista, mais ocorrer é durante uma guerra ou durante uma revolução. O Estado está particularmente interessado na guerra, já que é a partir dela que ele pode utilizar um dos maiores mecanismo de autopreservação que possui: a crença dos indivíduos de que a sociedade existente e o próprio Estado são uma mesma identidade e, portanto, possuem os mesmos fins.


Seríamos nós o Estado? Há um entretanto particularmente interessante. Se o Estado somos nós, por qual razão o Estado está mais preocupado em punir crimes contra a existência de si próprio do que crimes cometidos de um cidadão para outro? Ora, todo crime dentro do Estado, sendo a sociedade o próprio Estado, seria um crime contra o Estado e teria igual valor, não?

Acabo de ler "Anatomy of the State" de Murray N. Rothbard (lido em inglês/Parte 4)

 


Nome:

Anatomy of the State


Autor:

Murray N. Rothbard


A relação do Estado com intelectuais é bastante complexa. Duma série de conceitos ou políticas criados, inclusive para reduzir o tamanho ou o poder do próprio Estado, todas sempre se demonstraram falhas em frear o Estado em sua expansão. Quando conceberam a democracia moderna, pautando o poder pelos "anseios do povo", acreditaram que a tirania seria freada. Todavia esse mecanismo se tornou um mecanismo dentro do poder de repressão do próprio Estado. De modo semelhante, a ideia de direitos naturais se tornou algo que o Estado mesmo deveria promover. O utilitarismo se tornou uma justificação para as ações do Estado.


O propósito inicial da constituição americana era, por exemplo, limitar a possibilidade de tirania que o Estado poderia causar caso fosse deixado livre. Todo cidadão americano identificava, na constituição, os limites que asseguravam a sua vida da tirania. Só que havia um porém: ao identificar na constituição do Estado a própria segurança contra o poder do Estado, ele legitimou a existência do Estado. O Estado, por sua vez, aproveitou-se disso para sorrateiramente justificar a sua existência e ação através do tempo. O Estado conseguiu isso através da chamada "revisão judicial". Essa "revisão judicial" ampliava a ação do Estado conforme o tempo passava com base em revisões que seriam supostamente feitas para que o Estado cumprisse a sua própria função.


As raízes da expansão do Estado americano estavam contidas na própria crença de que a constituição era legítima. Crer na constituição do Estado americano era acreditar, por pressuposto, na legitimidade do Estado americano. Só que há um problema nessa legitimidade: o Estado só pode fornecer essencialmente algo que ele proibiu ou limitou os outros de fornecerem por si mesmos. Se o Estado é de fato bom nisso, por que as suas funções não são voluntariamente aceitas? Ao acreditar na arbitrariedade e na contingência do Estado americano, o americano passivamente autorizou a existência do Estado.


Se a existência do Estado americano era justificável pela as suas decisões serem ínfimas, não atacando liberdades essenciais concernentes aos indivíduos, o rumo americano foi logo mudado. O Estado americano foi fundado com a premissa de que ele seria diferente de todos os outros, essa diferença estava em seu tamanho enxuto. O seu tamanho era enxuto pois os outros Estados tinham feito enormes tiranias e ações arbitrárias em nome seus cidadãos. O caminho pro Estado americano se refundar e expandir o seu tamanho se encontrava dentro da própria legitimidade que os americanos davam e dão a constituição.


Quem poderia, dentro dos Estados Unidos, decidir k quão pequeno o Estado pode ser com base na constituição? Em última instância, esse papel depende da Suprema Corte. Só a Suprema Corte pode vetar uma decisão e só dependeria dela interpretar se algo é um aumento nocivo do Estado ou se algo é uma função natural do Estado. Nenhum outro cidadão deteria tal função, nenhum outro grupo, apenas os próprios burocratas que estavam mais interessados em seus próprios interesses enquanto grupo burocrático do que nos interesses de cidadãos particulares.


Quando pensamos no Estado, geralmente pensamos nas condições mais ilustres acerca da dignidade que ele supostamente tem. O problema é que o Estado não é e nem pode ser confiável. O Estado tem poderes que nenhum cidadão privado, por assim dizer, poderia exercer. Esse poder está nas mãos de pessoas que são movidas pelos mesmos interesses do cidadão comum, isto é, a maximização do seu próprio bem-estar. Quando alguém adquire poderes acima dos normais, essa pessoa sempre se corromperá por se habituar ao uso de um poder que, para começo de conversa, deveria ser proibida de obter. O aumento da tirania do Estado não é um acaso ou uma deturpação, ele é a própria natureza do Estado. Já que o Estado é, em si mesmo, corrupto. E a tendência do uso do seu poder corrupto é a corrupção e o aumento das justificativas dessa corrupção.