segunda-feira, 24 de fevereiro de 2025

Acabo de ler "The MAGA Doctrine" de Charlie Kirk (lido em inglês)

 


Nome:

The MAGA Doctrine


Autor:

Charlie Kirk


Tradicionalmente o conservadorismo americano apresentava algumas divisões. Existiam os libertários, os conservatários, os paleoconservadores, os neoconservadores, os anticomunistas, os conservadores sociais, os conservadores fiscais. Várias subdivisões. Com a vitória do Trump, o movimento nunca mais foi o mesmo.


Atualmente surge um novo tipo de conservador na tradição do conservadorismo americano. Esses novos conservadores, um gigantesco movimento de massas, são chamados de "MAGA conservatives" (Make America Great Again [Faça a América Grande de Novo]). Um conservadorismo de uma verve mais populista.


Se perguntarmos de onde surgiu o apoio a Donald Trump temos em vista um cenário em que os grandes partidos (Democrata e Republicano) param de apoiar a população para se ancorar em sólidas relações com grandes corporações. Grande parte do povo americano se sentiu abandonado pelos políticos. Trump é um fenômeno dificilmente ignorável. Ele é, em verdade, o clamor de um povo que vê cada vez mais o seu voto sendo anulado pelas gigantescas correlações dos dois grandes partidos com grandes corporações. Trump vem com uma mensagem, uma retórica, que se aproxima das massas populares e suas crenças.


Não é possível deixar de citar o caso dos intelectuais. Os intelectuais, durante o surgimento do movimento MAGA, estavam mais ocupados em defender as suas próprias pautas do que pensar no que o próprio povo queria. O afastamento, sempre maior, do intelectual médio (aqui em gostos e afinidades) para com o povo se tornou cada vez mais triste. A cada dia que passa, o intelectual médio se torna cada vez mais distante do povo. O intelectual médio é visto como um burocrata que aparece tão somente para ditar regras e acabar com a diversão. Essa separação acaba gerando um sentimento de que intelectuais são contra o povo. E rapidamente o povo se torna contra os intelectuais.


A eleição de Trump e a reeleição de Trump demonstram algo que o mundo inteiro ainda não absorveu ao todo. É demonstrado cabalmente que a aliança entre políticos, corporações e intelectuais gera um rival que é notoriamente anti-político, anti-corporação e anti-intelectual ao menos no que se refere a retórica. Em todo mundo, intelectuais passam a ser vistos como cordeiros ou como cúmplices ou como parte do establishment. Em outras palavras, parte do problema e não a sua solução. Visto que são parte do sistema que simplesmente ataca e zomba do povo.


Num cenário em que o intelectual médio é anticristão, em que o intelectual médio é defensor de "formas alternativas de amor", em que o intelectual médio é a favor de uma regulação cada vez maior do discurso – o que infringe sobretudo as massas populares –, em que o intelectual médio quer controlar e regularizar tudo com base em seus próprios gostos, é natural que o povo crie sentimentos cada vez mais anti-intelectuais. O que não é uma aversão ao intelectualismo ou o academicismo em si mesmo, mas ao intelectualismo e academicismo de esquerda ou qualquer versão que se alinhe a linha a trindade governo-corporação-academia.


Creio que muito dificilmente os problemas serão entendidos. Atualmente a maioria dos intelectuais seguirá uma vida excêntrica, desprezando o povo – e rindo dele –, os políticos continuarão com os seus sólidos laços corporativistas e novos populismos surgirão. Esse século pode ser marcado pela trindade governo-corporação-academia contra o eixo outsider-populista.

sábado, 22 de fevereiro de 2025

Acabo de ler "It Was All a Lie" de Stuart Stevens (lido em inglês)

 


Nome:
It Was All a Lie

Autor:
Stuart Stevens

O que é verdade e o que é mentira? Os Estados Unidos passa por uma provação na qual a sua identidade pode se perder. Não só a identidade histórica dos Estados Unidos, como a identidade histórica do Partido Republicano e também a do conservadorismo americano.


O fato é que muitos conservadores se manifestaram contra Donald Trump. Para eles, Trump era um homem inculto e incapaz. Mas toda história republicana contemporânea está marcada por várias chagas que dificilmente podem ser resolvidas: o partido não poderá se ancorar nos votos de pessoas brancas por muito tempo. O país está cada vez mais racialmente diverso, o que impossibilita garantir vitória só com um grupo racial – e esse grupo racial é cada vez menor.

Muitas polêmicas surgiram graças a má atuação ou má compreensão dos republicanos em suas ações. Além disso, as várias tendências conservadoras não podem ser facilmente conciliadas. O Partido Republicano não é um partido da direita, mas sim um partido de direitas. O Partido Republicano não é um partido de conservador, mas diferentes tonalidades de conservadorismo.

Trump representa um componente novo. Ele é mais filho direto do populismo americano do que do conservadorismo americano. A sua retórica é meio confusa. Ela mescla o isolacionismo com o nacionalismo, uma adesão – embora não estrita – a parcela branca da população e um desejo de retorno a grande era americana. De fato, a hegemonia americana está ameaçada e grande parte da produção nacional não mais existe. O país está se tornando cada vez mais ditado por serviços e a qualidade da educação está decaindo. Tudo isso gera novas e novas preocupações.

O fato de Trump ser um outsider e a sua retórica ser confusa aos meios de que vem, além dos republicanos previamente não acharem que ele venceria... Tudo isso indica um momento em que os Estados Unidos procurarão cada vez mais práticas para superarem a sua perda de hegemonia.


quinta-feira, 6 de fevereiro de 2025

Blog Cadáver Minimal

 O Blog Cadáver Minimal


– É um blog acadêmico que tem como fim a análise do debate público de diversos países do mundo, mas com foque central no continente americano;

– Analiso, de forma razoavelmente imparcial, pensadores dos mais diversos espectros;

– Os assuntos se centram nas ciências humanas, mas você poderá encontrar conteúdos que escapam um pouco desse escopo;

– Como a natureza do blog é analisar o debate, ele não se prende a uma análise conteudistística voltada à esquerda, à direita ou ao centro, mas ao debate em si;

– O blog varia em períodos, ora analisando mais questões e doutrinas que outras, mas isso não altera a natureza de analisar o debate em si.

sexta-feira, 31 de janeiro de 2025

Acabo de ler "Rebooting the American System" de American Compass (lido em inglês/parte 5)


Nome:

Rebooting the American System


Autor:

– American Compass;

– Wells King.


A guerra de 1812 levou a uma economia nacionalista que era naturalmente anti-britânica. Disso surgiu uma lição comum: a busca pela autossuficiência.


Três suportes mútuos:

– Proteção baseada em tarifa para as indústrias nascentes;

– Um sistema de financiamento nacional;

– Aperfeiçoamento Interno/Infraestrutura.


Algumas características da Escola de Pensamento Americana seriam:

– Batalha de Ideias;

– Contestação entre Nações;

– Busca pela felicidade e prosperidade geral;

– Segurança nacional;

– A unidade entre as analises econômicas, sociais e os fatores geopolíticos.


O Sistema Nacional era formado pela importância da economia nacional  na emergência da economia global. E o fim era um grau elevado de independência, cultura e prosperidade material – esse conjunto de fatores garantiria segurança interna. Da presidência de Abraham Lincoln até o fim da Segunda Guerra Mundial, os Estados Unidos da América tiveram a economia mais protegida do mundo.

terça-feira, 28 de janeiro de 2025

Acabo de ler "Rebooting the American System" de American Compass (lido em inglês/parte 4)


Nome:

Rebooting the American System


Autor:

– American Compass;

– Wells King.


Os Estados Unidos teve o debate entre dois modelos econômicos que poderiam levar ao crescimento. Esses dois distintos modelos eram chamados de "The Hamiltonian Visión" e "The Jeffersonian Vision".


The Hamiltonian Vision:

- República comercial;

- Dirigida pela industrialização;

- Sistema financeiro robusto.


The Jeffersonian Vision:

- Democracia agrária;

- Pequena;

- Fazendeiros livres.


Como o plano de Hamilton acabou sendo seguido, vou detalhá-lo mais aqui:

- Agenda econômica agressiva;

- Tarifa econômica geral para criar um fundo do governo, fundo esse garantiria a função de empréstimo e a sua operação;

- Banco Nacional para a utilidade pública;

- Industrialização com subsídio nacional;

- Independência e segurança materialmente conectada com a prosperidade da indústria;

- Confiança no capital público para assegurar o desenvolvimento nacional, visto que o capital privado não seria o suficiente para assegurar esse desenvolvimento;

- Aquilo que ele era de interesse nacional deveria ser assegurado pela patronagem do governo;

- O investimento é uma afirmativa obrigação do governo federal;

- O interesse público supre a deficiência do setor privado.


domingo, 19 de janeiro de 2025

Acabo de ler "Rebooting the American System" de American Compass (lido em inglês/parte 3)

 


Nome:

Rebooting the American System


Autor:

– American Compass;

– Wells King.


O que é necessário para uma nação se desenvolver saudável e forte? Deixá-la livre para correr nos ventos do livre-mercado? Atá-la um compulsivo projeto de planejamento central? Ou unir o melhor do planejamento central junto ao mais dinâmico sistema de mercado? Observar as devidas proporções e os devidos ajustamentos históricos é extremamente necessário.


Três colocações centrais podem ser feitas:

  1. Um Banco público para o financiamento de um concreto e elaborado projeto nacional;
  2. Um escudo para com a produção estrangeira através de tarifas e um incentivo fiscal para as empresas nascentes;
  3. Uma infraestrutura que conecte os centros comerciais ao restante do país.
É evidente que esse planejamento, por mais simples e mínimo que seja, encontrou posição até no solo americano. O substituto para tal programa era o livre-comércio puro e simples, sem qualquer outra questão ou plano adicional.

Enquanto a esquerda se preocupa com a globalização e a redistribuição de renda, a direita apenas ignora as necessidades atuais dos cidadãos e as necessidades econômicas do país. Esse documento da American Compass, instituição conservadora americana, traz uma nova luz ao debate.


Acabo de ler "Rebooting the American System" de American Compass (lido em inglês/parte 2)

 


Nome:

Rebooting the American System


Autor:

– American Compass;

– Tom Cotton.


Nenhuma nação pode ser considerada verdadeiramente livre se não tem uma indústria forte o suficiente para suprir o essencial. Nenhuma nação pode ser considerada livre se não é capaz de fabricar aquilo que lhe é essencial, em especial no suprimento militar. Nenhuma nação pode ser considerada livre se os instrumentos essenciais da sua defesa nacional estão sujeitos a especulação de indivíduos ou de nações estrangeiras. Visto que indivíduos particulares seguem seus próprios interesses e nações estrangeiras pensam em defender a si mesmas e a perseguir seus próprios interesses.


A razão do surgimento do Banco Central nos Estados Unidos não era outra: a construção de uma indústria forte para assegurar a independência do seu próprio país frente a ameças externas. Em outras palavras, a segurança de uma nação depende da própria nação, visto que a confiança em fatores externos é prejudicial: países e indivíduos particulares estão na busca dos seus próprios interesses. A segurança nacional é de importância e interesse nacional, não pode correr riscos e nem se deixar levar por uma vaidade.


Durante o período da covid, máscaras respiratórias e medicamentos básicos ficaram a mercê da China, nação inimiga e hostil aos interesses dos Estados Unidos. Para piorar a situação americana, a China era o centro de suprimento global. A China vem colocado tecnologia avançada na comunicação em prol de agentes de espionagem chineses. As pretensões chinesas variam, mas podem ser descritas:

  1. Tecnologia avançada;
  2. Economia forte;
  3. Destruir a ordem americana global;
  4. Tecnologia avançada, sobretudo de duplo uso;
  5. Roubo de propriedades intelectuais.
A China foi considerado um parceiro estratégico durante a Primeira Guerra Fria. Atualmente estamos na Segunda Guerra Fria. Os Estados Unidos precisam passar por alguns processos para conseguirem se preparar para a Segunda Guerra Fria. Entre eles:

  1. Construção de uma força militar mais potente e em constante atualização;
  2. O governo federal deve fazer investimentos estratégicos em tecnologia avançada e em infraestrutura crítica;
  3. Aumentar o investimento federal em pesquisa e em desenvolvimento de forma continuada;
  4. Trazer de volta: medicina, semicondutores e tudo que for essencial;
  5. Correlacionar a protagonismo estratégico do governo a um capitalismo dinâmico para uma robusta economia nacional.
O mundo de hoje é um mundo em que duas potências (Estados Unidos e China) voltam a se confrontar numa guerra fria. A Segunda Guerra Fria já é realidade. Esse processo não pode ser ignorado. Ele influenciará todos os dias da nossa vida.