terça-feira, 23 de dezembro de 2025

O Necrológio Cadavérico #2 — O que vem depois?

 



Se eu morresse hoje...

Creio que a busca de sentido é central em tudo. Após me isolar e me abster de amigos e namoros, peças recorrentes na minha vida, descobri que não tive amigo ou namoro algum. Eram apenas uma busca pela "coisa em si" sem o contato com a "coisa em si", tal como se eu vivesse em uma paródia trágica de detetive kantiano em que a busca pelo objeto está lado a lado com a fuga do próprio objeto. Um roteiro clichê, mas psicologicamente aterrador.

Lembro-me que enquanto eu cursava aquele um ano de faculdade de jornalismo, li um livro chamado "Kokoro/Coração" de Natsume Soseki. Ali existia um personagem fortemente misantropo. De algum modo, eu sentia já naquele período que viraria um misantropo. Hoje em dia, torno-me tão misantropo quanto o "Professor" (personagem).

Recentemente, tentei acessar minhas memórias, "virei" para meu cérebro e disse: "recorde-se de um momento memorável que você teve com alguém que você namorou". Tal como num diálogo em terceira pessoa. Sabe qual foi a resposta? Nada, absolutamente nada. Eu posso lembrar de livros que me tocaram profundamente, mas hoje não me lembro de uma pessoa sequer que tenha me tocado profundamente.

Hoje em dia, as pessoas me falam, e os meus pais me falam também, "vá casar". E eu fico pensando "casar para quê?". Múltiplas respostas me são dadas:

— Para salvar a Civilização do Fio Dental Ocidental;

— Pois eu preciso de netinhos;

— Pois ninguém pode viver só.

Eu fico pensando: ter alguém pelo qual vou ter mais conversas vazias, gozadas que não me lembrarei uma semana depois e, pior do que isso, um filho e um sacramento que me obrigam a estar do lado dessa pessoa. O fato de eu não me lembrar de nenhuma única conversa substancial em toda essa vida desregrada de vários relacionamentos é o que mais me deixa entediado.

Lembro-me de quando achava orgias algo interessante. Estive em orgias homossexuais, bissexuais e heterossexuais. Hoje eu vejo que isso é completamente superestimado. No fim, a propaganda sexual moderna é visceralmente enganosa, já que você não se lembra a maior parte das gozadas que você teve.

O mais engraçado de hoje é que as pessoas acham que podem te manipular com sexo. Já eu acho o sexo tão relevante que eu SEQUER me lembro o nome da maioria das pessoas com quem fiz sexo.

É muito mais fácil eu lembrar o trecho de uma aula que vi no YouTube ou de uma ideia de livro que li há mais de dez anos atrás do que eu lembrar de qualquer experiência verdadeiramente significativa que uma mulher ou um homem tenha me dado romanticamente ou sexualmente...

De qualquer forma, é impossível não falar nisso nesse país. A cultura da gadeagem do nosso país sempre termina falando a respeito disso. O assunto pode ser a cinco vias de São Tomás de Aquino ou alguma aula sobre ciência política, tudo precisa ser substancialmente alterado para falar em algum momento sobre sexo ou namoro. A questão é: toda vez que falo sobre problemas existenciais, as pessoas me aparecem com a solução de arrumar uma namoradinha.

Eu tentei, eu juro, passei ontem e hoje tentando me lembrar de momentos extremamente simbólicos da minha vida romântica... acabei percebendo que me sentia fortemente entediado com a maioria das conversas e fazia de tudo para não prestar atenção, tanto que não lembro de nenhuma. As únicas coisas que me lembro são de pessoas soltando notas superficiais e irritantes que não me agradam em absolutamente nada e todas as vezes que tive que reduzir minha percepção sobre o mundo para que elas pudessem me acompanhar em alguma coisa.

O Necrológio Cadavérico #1 — Se eu morresse hoje

 


Se eu morresse hoje...


Eu podia escrever um "necrológio" altamente elogioso, dizendo meus melhores feitos — se eu tivesse algum — e ignorando meus maiores defeitos — dos quais me recordo de inúmeros. Prefiro um tom confessionalista, estilo Agostinho de Hipona, mas nem tão cristão.


Eu costumo pensar a vida em termos substantivos. Eu fico pensando: "o que substancialmente mudou dessa experiência para outra?". Se eu olhar para o passado, vejo que estive navegando por um oceano de vulgaridade por causa da minha carência.


Recordo-me de que, até pouco tempo atrás, considerava que uma amizade era uma relação duradoura na qual o número de bebidas ultrapassava o número de encontros. É evidente que, até o presente momento, eu não tinha percebido isso. Hoje eu posso perceber que, ao olhar para trás, posso ver que minhas amizades se resumiam a drogas e a bebidas.


Sempre fui uma pessoa que gostava de ler e escrever, mas não podia ter uma relação pautada em leitura e em escrita. Isso me frustrou absurdamente. Depois disso, vi que minhas relações não eram apenas superficiais, eram absolutamente falsas.


Se eu morresse hoje, sentiria uma grande dor. Não tive amizades que eu poderia considerar verdadeiramente substanciais. Só tive amizades absolutamente descartáveis. Do mesmo modo, namorei mulheres e homens que não faziam sentido algum para mim. Mulheres e homens que se atraíam por mim de modo completamente enganoso. E olha que sequer sou um indivíduo bonito. O sentimento que sobra disso é um vazio e o vazio que sobra vem com um sabor de arrependimento. Nunca pude conversar nada de substancial com quem namorei.


Não encontrei sentido algum em nenhum trabalho, não raro me sentia abandonado no meio de um local vazio de significado. Do mesmo modo, fiz faculdade de filosofia e pós-graduação em neuropsicanálise clínica. Não sinto vocação alguma para nada disso. De certo modo, faço mais análises literárias pois gosto de escrever do que por ter feito filosofia. De semelhante modo, escrevi e teorizei sobre a Segunda Geração de Guerra Memética por ter sido algo que me marcou e não por gostar de teorias psicológicas e saber a correlação disso com guerras informacionais e meméticas.


O meu deslocamento me fez entrar muito em chans. Li de tudo. Descobri a correlação do Kekismo Esotérico com QAnon. Descobri a famosa teoria do Kantianismo Esotérico. Além de ter criado a Magolítica (manipulação política ou magia política) baseado em fenômenos como o QAnon. Na época, isso soou espetacular para mim. Hoje em dia eu sequer me importo. Do mesmo modo, grande parte da cultura channer se tornou extremamente banal para mim. Ainda posso entrar no /lit/ do 4chan para apreciar a descoberta de novos livros, mas dificilmente engataria em uma discussão. Frequento chans apenas pelo fato de eu ser estranho.


Pensando mais abertamente, o que sobraria é esse blogspot recheado de análises e um bocado de weblivros no Medium. Alguns poderiam ler isso e achar alguma recomendação apreciável e acho que isso justifica grande parte dessa jornada interminável de textos que escrevi apenas para me livrar da minha solidão. Porém, no fim de tudo, acho que vivi uma vida vazia e cheia de pessoas que não me representam absolutamente nada.


Li muita coisa e ainda leio muita coisa. Gosto de ler, mas não sei até onde isso é escapismo. Para mim, a leitura se tornou muito parecida com uma válvula de escape, visto que odeio muito do que está ao meu redor.

Acabo de ler "Red Tory" de Phillip Blond (lido em inglês/Parte 3)

 



— Livro:

Red Tory: how left and right have broken Britain and how we can fix it


— Author:

Phillip Blond


Phillip Blond anteriormente citou a tradição Tory Anglicana. Nesse ponto do livro, ele traz uma ligação com o pensamento distributista de Hilaire Belloc e G. K. Chesterton.  Adicionando uma camada a mais: o pensamento de Samuel Brittan e Noel Skelton.


Chesterton e Belloc tinham chegada a conclusões semelhante, e até mesmo complementares, à tradição Anglican Tory. Eles viam que o capitalismo levava a concentração de terra, propriedade e capital nas mãos dos capitalistas. Ao mesmo tempo, o socialismo privava a todos de terem propriedades em nome da propriedade geral e o monopólio comunal. Em outras palavras, capitalismo e socialismo levariam a concentração das propriedades. A solução que eles colocaram seria uma distribuição de propriedade e recursos para todos (distributismo).


A adição que Phillip Blond fará será a junção disso com:

1. Noel Skelton: a ideia conservadora de uma democracia de propriedade;

2. Samuel Brittain: uma renda básica em conjunção a distribuição de recursos.


Se juntarmos tudo isso temos:

1. Distribuição de propriedades para todos;

2. Distribuição de recursos para todos;

3. Uma renda básica ao lado e em conjunção da distribuição de recursos;

4. Uma ideia de uma sociedade democrática onde todos têm propriedade, recursos e renda básica.

Socialismo? Não, conservadorismo vermelho.


A ideia central de um Red Tory é a ideia de um conservadorismo que cumpra os seguintes requisitos:

1. Preserve e extenda a estabilidade humana;

2. Crie condições para o florescimento humano.

Isso é uma real economia política para o pobre.

Retrowave #5

 


Retrowave: uma saga de frases de pessoas ilustres que resolvi colocar em retrowave.

segunda-feira, 22 de dezembro de 2025

NGL #19 — O que é efetivamente gostar?

 


Me envie as suas perguntas anônimas: https://ngl.link/lunemcordis


Isso é uma questão extremamente difícil de responder. Para ser sincero, eu geralmente ODEIO gente que gosta de mim. Visto que quem gosta de mim, usualmente "gosta" de forma COMPLETAMENTE ERRADA.
 
A longo prazo, um amigo ou uma namorada que te afastam dos seus objetivos são inimigos formidavelmente maiores que inimigos declarados. É muito melhor um inimigo declarado do que um amigo que lhe destrua ao lhe desviar da rota ou uma namorada que mexe com o seu coração turva o seu caminho.

É preciso definir o que é "gostar". Uma pessoa que gosta de você, mas te desvia do seu propósito... é uma pessoa odiável. Em outras palavras, se alguém "gosta de você de forma errada"... você deve expulsá-la da sua vida. Eu prefiro que as pessoas que me desviam do meu propósito me odeiem. E eu certamente farei essas pessoas me odiarem.

Eu sempre vou arrumar um meio de fazer as pessoas que gostam de mim de forma errada me odiarem ou sentirem receio de falar comigo. Faço isso o tempo todo para afastar ex-ficantes, ex-namoradas e ex-amigos. Se a pessoa voltou, mas a sua presença é um erro ou um engano, o melhor é traumatizá-la com um assunto estapafúrdio ou com algo que você sabe que DEFINITIVAMENTE afastará essa pessoa.

Apresente pautas conservadoras para amigos progressistas. Apresenta pautas progressistas para amigos conservadores. Se for ex, crie um diálogo traumaticamente eficiente para afastar. Eu faço isso o tempo todo. Uma coisa que eu não me canso é de afastar gente.

Faço isso visto que a maioria das pessoas não servem aos meus objetivos. O meu objetivo é ler, escrever e crescer intelectualmente. A maioria das pessoas com quem me relacionei podiam admirar algo da minha inteligência, mas eram completamente inúteis em me proporcionar desenvolvimento intelectual. Como resultado, acabei me desvencilhando delas rapidamente.

Dito tudo isso, eu NÃO gosto da maioria das pessoas que "gostam" de mim. Eu prefiro fazer com que elas me odeiem e se afastem. Fiz isso com três exs e vários amigos. Isso me deixa mais forte para seguir meus objetivos.

NGL #18 — Redes Sociais

 


Me enviem as suas perguntas anônimas: https://ngl.link/lunemcordis



Rede social é um bagulho que eu não gosto ou sinceramente acho bem mais ou menos. Se quiser uma lista de locais de comunicação que eu considero mais importantes, eu colocaria esses aqui:


- Blogger: onde estão grande parte dos meus textos;

- Medium: vários weblivros meus lançados lá;

- PIS (Portable Intellectual System): sistemas intelectuais portáteis da esochannealogia;

- 4chan (/lit/, /mu/, /v/, /x/ e /r9k/): únicos locais que eu consigo conversar com pessoas sobre assuntos realmente interessantes;

- Wizchan (Wizardchan): chan extremamente comfy, sobretudo no /hob/;

- Leftypol: acho o /edu/ bacana, as discussões no /leftypol/ também são maneiras;

- Reddit: vários subreddits maneiros, sobretudo os gringos;

- Telegram: boas comunidades, uso mais para falar com gringo do que com brasileiro.



domingo, 21 de dezembro de 2025

Recomendações Cadavéricas #2 — Man Carrying Thing

 


Recomendações Cadavéricas: uma série de postagens de recomendações do escritor do blogspot Cadáver Minimal.


https://youtube.com/@mancarryingthing?si=kvKl25RRRMybTqcj


Esse é um dos meus canais de humor prediletos. É fantástico como nada escapa do olhar crítico do Jake. Creio que a decepção politica sempre se torna mais tolerável com uma boa dose de humor. Jake faz isso muito bem trazendo um humor de alta qualidade. Com vídeos curtos, mas feitos com excelentes roteiros, Jake traz alguma paz de espírito num período turbulento da história americana.