terça-feira, 23 de dezembro de 2025
O Necrológio Cadavérico #2 — O que vem depois?
O Necrológio Cadavérico #1 — Se eu morresse hoje
Se eu morresse hoje...
Eu podia escrever um "necrológio" altamente elogioso, dizendo meus melhores feitos — se eu tivesse algum — e ignorando meus maiores defeitos — dos quais me recordo de inúmeros. Prefiro um tom confessionalista, estilo Agostinho de Hipona, mas nem tão cristão.
Eu costumo pensar a vida em termos substantivos. Eu fico pensando: "o que substancialmente mudou dessa experiência para outra?". Se eu olhar para o passado, vejo que estive navegando por um oceano de vulgaridade por causa da minha carência.
Recordo-me de que, até pouco tempo atrás, considerava que uma amizade era uma relação duradoura na qual o número de bebidas ultrapassava o número de encontros. É evidente que, até o presente momento, eu não tinha percebido isso. Hoje eu posso perceber que, ao olhar para trás, posso ver que minhas amizades se resumiam a drogas e a bebidas.
Sempre fui uma pessoa que gostava de ler e escrever, mas não podia ter uma relação pautada em leitura e em escrita. Isso me frustrou absurdamente. Depois disso, vi que minhas relações não eram apenas superficiais, eram absolutamente falsas.
Se eu morresse hoje, sentiria uma grande dor. Não tive amizades que eu poderia considerar verdadeiramente substanciais. Só tive amizades absolutamente descartáveis. Do mesmo modo, namorei mulheres e homens que não faziam sentido algum para mim. Mulheres e homens que se atraíam por mim de modo completamente enganoso. E olha que sequer sou um indivíduo bonito. O sentimento que sobra disso é um vazio e o vazio que sobra vem com um sabor de arrependimento. Nunca pude conversar nada de substancial com quem namorei.
Não encontrei sentido algum em nenhum trabalho, não raro me sentia abandonado no meio de um local vazio de significado. Do mesmo modo, fiz faculdade de filosofia e pós-graduação em neuropsicanálise clínica. Não sinto vocação alguma para nada disso. De certo modo, faço mais análises literárias pois gosto de escrever do que por ter feito filosofia. De semelhante modo, escrevi e teorizei sobre a Segunda Geração de Guerra Memética por ter sido algo que me marcou e não por gostar de teorias psicológicas e saber a correlação disso com guerras informacionais e meméticas.
O meu deslocamento me fez entrar muito em chans. Li de tudo. Descobri a correlação do Kekismo Esotérico com QAnon. Descobri a famosa teoria do Kantianismo Esotérico. Além de ter criado a Magolítica (manipulação política ou magia política) baseado em fenômenos como o QAnon. Na época, isso soou espetacular para mim. Hoje em dia eu sequer me importo. Do mesmo modo, grande parte da cultura channer se tornou extremamente banal para mim. Ainda posso entrar no /lit/ do 4chan para apreciar a descoberta de novos livros, mas dificilmente engataria em uma discussão. Frequento chans apenas pelo fato de eu ser estranho.
Pensando mais abertamente, o que sobraria é esse blogspot recheado de análises e um bocado de weblivros no Medium. Alguns poderiam ler isso e achar alguma recomendação apreciável e acho que isso justifica grande parte dessa jornada interminável de textos que escrevi apenas para me livrar da minha solidão. Porém, no fim de tudo, acho que vivi uma vida vazia e cheia de pessoas que não me representam absolutamente nada.
Li muita coisa e ainda leio muita coisa. Gosto de ler, mas não sei até onde isso é escapismo. Para mim, a leitura se tornou muito parecida com uma válvula de escape, visto que odeio muito do que está ao meu redor.
Acabo de ler "Red Tory" de Phillip Blond (lido em inglês/Parte 3)
— Livro:
Red Tory: how left and right have broken Britain and how we can fix it
— Author:
Phillip Blond
Phillip Blond anteriormente citou a tradição Tory Anglicana. Nesse ponto do livro, ele traz uma ligação com o pensamento distributista de Hilaire Belloc e G. K. Chesterton. Adicionando uma camada a mais: o pensamento de Samuel Brittan e Noel Skelton.
Chesterton e Belloc tinham chegada a conclusões semelhante, e até mesmo complementares, à tradição Anglican Tory. Eles viam que o capitalismo levava a concentração de terra, propriedade e capital nas mãos dos capitalistas. Ao mesmo tempo, o socialismo privava a todos de terem propriedades em nome da propriedade geral e o monopólio comunal. Em outras palavras, capitalismo e socialismo levariam a concentração das propriedades. A solução que eles colocaram seria uma distribuição de propriedade e recursos para todos (distributismo).
A adição que Phillip Blond fará será a junção disso com:
1. Noel Skelton: a ideia conservadora de uma democracia de propriedade;
2. Samuel Brittain: uma renda básica em conjunção a distribuição de recursos.
Se juntarmos tudo isso temos:
1. Distribuição de propriedades para todos;
2. Distribuição de recursos para todos;
3. Uma renda básica ao lado e em conjunção da distribuição de recursos;
4. Uma ideia de uma sociedade democrática onde todos têm propriedade, recursos e renda básica.
Socialismo? Não, conservadorismo vermelho.
A ideia central de um Red Tory é a ideia de um conservadorismo que cumpra os seguintes requisitos:
1. Preserve e extenda a estabilidade humana;
2. Crie condições para o florescimento humano.
Isso é uma real economia política para o pobre.
segunda-feira, 22 de dezembro de 2025
NGL #19 — O que é efetivamente gostar?
NGL #18 — Redes Sociais
Me enviem as suas perguntas anônimas: https://ngl.link/lunemcordis
Rede social é um bagulho que eu não gosto ou sinceramente acho bem mais ou menos. Se quiser uma lista de locais de comunicação que eu considero mais importantes, eu colocaria esses aqui:
- Blogger: onde estão grande parte dos meus textos;
- Medium: vários weblivros meus lançados lá;
- PIS (Portable Intellectual System): sistemas intelectuais portáteis da esochannealogia;
- 4chan (/lit/, /mu/, /v/, /x/ e /r9k/): únicos locais que eu consigo conversar com pessoas sobre assuntos realmente interessantes;
- Wizchan (Wizardchan): chan extremamente comfy, sobretudo no /hob/;
- Leftypol: acho o /edu/ bacana, as discussões no /leftypol/ também são maneiras;
- Reddit: vários subreddits maneiros, sobretudo os gringos;
- Telegram: boas comunidades, uso mais para falar com gringo do que com brasileiro.
domingo, 21 de dezembro de 2025
Recomendações Cadavéricas #2 — Man Carrying Thing
Recomendações Cadavéricas: uma série de postagens de recomendações do escritor do blogspot Cadáver Minimal.
https://youtube.com/@mancarryingthing?si=kvKl25RRRMybTqcj
Esse é um dos meus canais de humor prediletos. É fantástico como nada escapa do olhar crítico do Jake. Creio que a decepção politica sempre se torna mais tolerável com uma boa dose de humor. Jake faz isso muito bem trazendo um humor de alta qualidade. Com vídeos curtos, mas feitos com excelentes roteiros, Jake traz alguma paz de espírito num período turbulento da história americana.






