segunda-feira, 6 de janeiro de 2025

Acabo de ler "Zanuff the Butcher" de Jouyama Yui (lido em inglês)

 


Nome:

Zanuff the Butcher


Autor:

Jouyama Yui


O que nos torna bom e o que nos torna maus? O mangá conta uma história de um homem que se vê culpado e amaldiçoado pela culpa do próprio passado. Toda reflexão parte de um crime que ele cometeu.


Quando ele conhece uma garotinha, chamada Alice, uma reflexão começa a surgir em sua mente. Ele se lembra do próprio passado, mesmo sem querer. É aí que ele passa por um processo de ressignificação e possibilidade de mudança atitudinal.


O mangá fala sobre criação familiar e lembra traumas do passado. No homem, o trauma está na infância e na idade adulta. Na garotinha, o trauma se encontra no presente. A criação do homem foi difícil e isso gerou nele o mal que ele se transfigurou. Na garotinha, o mal é presente, mas há possibilidade de mudança. A garotinha, a Alice, representa a mudança positiva. Todavia tudo muda novamente no xadrez existencial da vida.


Sempre nos deparamos com a possibilidade de sermos bons e com a possibilidade de sermos maus. O mundo sempre joga uma questão que deve ser respondida com algum movimento existencial. A one shot inteira trabalha com o bem, o mal e a moralidade.

domingo, 5 de janeiro de 2025

Acabo de ler "El camino del libertario de Javier Milei" de Juan Fernando (lido em espanhol/Parte 1)

 


Nome:

El camino del libertario de Javier Milei


Autor:

Juan Fernando Suazo Irachez


A Argentina é um país maravilhoso. Sua história, seus conflitos, a proximade que tem para nós brasileiros. Tudo isso é marcante e não passamos alheios aos seus problemas. O que acontece na Argentina, ressoa dentro de nós. Seja por empatia, seja pela correlação da cadeia de eventos que nos conectam.


Javier Milei é um outsider. Sua carreira começa com uma dura crítica a política dos K. Os argentinos estavam muito cansados da economia altamente inflacionária e difícil de controlar. Para todos, a inflação destruía as suas vidas. Seja pela diminuição do seu poder de compra, seja pela incapacidade de prever os rumos econômicos do país.


O interesse de Javier Milei pela economia começa durante uma crise inflacionária do país. Ali ele começou a sentir uma revolta que, por um impulso, levou ele a tentar compreender os problemas do país e a natureza econômica desses problemas. Nesse sentido, podemos especular um certo ranço – perfeitamente justificável – para com a inflação que tanto empobreceu e destruiu a vida dos argentinos.


Creio que Javier Milei é um produto histórico. A sua voz é um ataque contra uma política que era posta no seu país. Um reação natural, por assim dizer. Quando uma política vai muito para um lado, o outro lado passa a ser desejado.

sábado, 4 de janeiro de 2025

Acabo de ler "How Cultural Marxism Threatens the United States" de Mike e Katharine (lido em inglês/Parte 1)


Nome:

How Cultural Marxism Threatens the United States—and How Americans Can Fight It 


Autores:

Mike Gonzalez;

Katharine C. Gorka.


O debate cultural nos Estados Unidos é um tema muito, muito longo. Há tempos que se fala de guerra cultural e quais são as táticas de guerra que devem ser tomadas nessa batalha. No geral, há uma confusão acerca dos atores dentro desse palco em que as ideias sangram. Temos, por exemplo, várias versões de feminismo que são colocadas lado a lado numa análise superficial. Existem vários tipos de conservadores, mas são tratados todos em uníssono. Diante de tamanha complexidade, o que podemos fazer?


A história geral vocês já devem conhecer: fim da União Soviética e desesperança geral na esquerda. Muitos creem que o marxismo tinha por fim sido derrotado e seria chutado do debate público. Outros pensam que existe um reducionismo na forma com que os dois lados disparam uns contra os outros. Porém a pergunta geral é: qual direita e qual esquerda está disparando? Nem toda a esquerda americana pode ser resumida como "marxista". Existe diferença entre se basear no marxismo em dado aspecto e ser marxista. Uma modalidade pode ser sintética ou se projetar em forma de síntese, a outra pode adentrar no puro pensamento marxista. Outra menção honrosa é a luta entre diferentes tipos de conservadores e a luta da direita alternativa contra os conservadores. 


Segundo os autores, o novo marxismo se basearia não mais na classe trabalhadora (leia-se proletariado e campesinato), mas em raça, sexo e nacionalidade. Essas teriam correlações com o movimento negro, com o feminismo e com os movimentos das nacionalidades periféricas. As principais influências desse novo método de organização revolucionária seriam Gramsci e Escola de Frankfurt. Uma breve nota é que: até agora não encontrei nenhuma menção a Escola de Paris – essa costuma a ser confundida com a Escola de Frankfurt por suas temáticas.


Uma das principais alegações seria a corrupção do sistema de ensino. A doutrinação teria sido criada a partir de um ecossistema: professores marxistas cuidavam pessoalmente da ascensão de alunos marxistas, esses alunos marxistas eram privilegiados na educação e na carreira acadêmica e posteriormente seriam doutrinadores diretos para continuar a roda do ecossistema. A conclusão evidente seria a exclusão de outros pontos de vista – gradual diminuição das outras escolas de pensamento – junto com a dominação da academia inteira.


É deveras interessante que nessa linha se mesclam conservadores que se sentiram ou foram excluídos da academia junto com toda a crítica da esquerda americana aos Estados Unidos da América. O fato é que muitos americanos não gostam e se ressentem aos ataques contra a imagem dos Estados Unidos da América. Essa imagem, a que é projetada, é que os Estados Unidos é universalmente ruim. Isso estaria ocorrendo em filmes, shows de televisão, livros, revistas em quadrinhos, jogos, mídias sociais e sistemas de pesquisa. Aparentemente a esquerda não considerou o impacto psicológico e sociológico dessa ação. O que fortaleceu não só os argumentos, mas a condução narrativa da direita: "a esquerda odeia a América, basta ver tudo o que ela produz culturalmente".

Acabo de ler "Cuba: restructuración económica, socialismo y mercado" de Vários Autores (lido em espanhol)


Nome:

Cuba: restructuración económica, socialismo y mercado


Autores:

- Julio Carranza;

- Pedro Monreal;

- Luis Gutiérrez.


Adentramos numa época em que vemos o fim do socialismo clássico como modelo. Adentramos numa época em que se fala de um novo socialismo, muito inspirado no socialismo chinês.


O que seria ou, melhor, o que foi o socialismo clássico? O socialismo clássico foi um socialismo que se norteava muito pelo papel protagônico do Estado como principal planejador e distribuidor dos recursos. Ou seja, é o Estado que toma o papel de construir o processo econômico. Essa política vigorou por muito tempo, até entrarmos na construção de um novo projeto econômico socialista.


Os autores definem bem: o socialismo é um regime em que o sistema de propriedade, é um sistema de propriedade em que a sociedade controla genuinamente os meios de produção fundamentais e se beneficia do uso desses meios de produção. Ou seja, a aplicação do regime econômico socialista é a propriedade social dos meios de produção fundamentais e não de todos os meios de produção.


Uma reforma econômica em Cuba seria uma reforma que tivesse os seguintes critérios

  • Recuperação do crescimento econômico;
  • Justiça social;
  • Independência nacional;
  • Redefinição das bases sociais de acumulação;
  • Reinserção na economia internacional;
  • Reforma do sistema econômico.
Os países e as experiências que foram observados como base para essa reforma foram:
  • Novo Mecanismo Econômico (Hungria);
  • Reforma Econômica Vietnamita (Vietnã);
  • Reformas de Deng Xiaoping (China);
  • NEP (União Soviética);
  • Perestroika (União Soviética);
  • Transições pós-comunistas (União Soviética e Leste Europeu).

A reforma abarcaria uma redução do papel do plano como instrumento central da assignação de recursos e coordenação econômica.


quinta-feira, 2 de janeiro de 2025

Acabo de ler "The Real Costs of America's Border Crisis" da "Heritage Foundation" (lido em inglês)

 


A questão da crise da fronteira americana é problemática. Há muita desinformação e formação narrativa por todos os lados do espectro político. Além disso, a visão dos cidadãos nativos é muitas vezes ignorada ou simplesmente acentuada. Ora se dá margem para um discurso de "aumentar a imigração a qualquer custo", pouco importando os impactos negativos que ela causa. Ora nos deparamos com campanha anti-imigração inflamados pela mais inflamada retórica racista – isso quando não nos deparamos com nacionalistas brancos.


Os democratas muitas vezes acentuam o gasto público para promover políticas de bem-estar social para imigrantes ilegais. Essas políticas de bem-estar social são custeadas pelo dinheiro de cidadãos nativos. Esses cidadãos nativos se revoltam – e com certa razão – contra essa "transferência de renda". As políticas de bem-estar social deveriam cobrir aqueles que pagam os impostos, não aqueles que não contribuíram. Deveria ser estabelecido um tempo mínimo de contribuição para os beneficiários de programas sociais. Dar assistência, sem mais nem menos, apenas consagra a retórica anti-imigratória. Pior do que isso, dá margem para ampliação de grupos extremistas da pior espécie.


Existem, é claro, falácias no campo da alt-right. Essas falácias se concentram no ódio a toda e qualquer imigração de grupos étnicos não-brancos. O ódio contra indianos, por exemplo, disparou. Em verdade, os Estados Unidos são "sugadores de cérebro". Eles se beneficiam diretamente da sua capacidade de atrair "capital humano" do mundo todo, tendo a sua produção e qualificação amplificada. A retórica anti-imigratória pode levar a uma perda da competitividade da economia americana.


Um problema muito visto, sobretudo que vejo ser repetitivamente usado por latino-americanos, é a ideia que a política anti-imigração levaria a expulsão de latinos que estão legalmente nos Estados Unidos. Essa retórica, usada para fortalecer o Partido Democrata, não é boa. Ela apenas fará com que um debatente mais exímio utilize essa falácia para atacar com mais maestria quem se opõe a anti-imigracionistas.


Outra questão apresentada no documento é o fator educacional. As crianças, muitas delas desacompanhadas, apresentam um aumento de gastos na educação pública. Muitas dessas crianças não possuem um inglês adequado e não conseguem acompanhar as aulas adequadamente. Para tal, os professores gastam um empenho a mais tentando ensiná-las a língua inglesa. O aumento recorde desses alunos se torna um grande problema econômico, social e acadêmico – tudo isso de forma crescente.


O pequeno arquivo – ele só tem 13 páginas – termina com um aviso: nenhuma nação poderia sobreviver com fronteiras abertas e Estado de bem-estar distribuído a todos que entram. E isso é um fato: seria a falência econômica do Estado.

sexta-feira, 22 de novembro de 2024

Acabo de ler "Project 2025" de John Madison (lido em inglês/Parte 1)


Nome:

Project 2025

Democracy at Risk: TRUMP and the Future of U.S. Politics.


Autor:

John Madison


Aviso:

Essa análise vai do Capítulo 1 ao 4.


O desenvolvimento do Projeto 2025 tem chamado a atenção não só nos Estados Unidos da América, como também no mundo todo. Por tal razão, resolvi iniciar uma série de leituras para compreender mais sobre o tema. Para quem se interessar, todas as leituras correlatas ao Projeto 2025 serão lançadas com  o marcador "Project 2025", inclusive aquelas que são "expansões" para a melhor compreensão do debate. Recomendo também, antes da leitura de qualquer texto daqui, a leitura do "Agnosticismo Metodológico".


O próximo governo dos Estados Unidos tem os seguintes nortes: liberdade individual, governo limitado e soberania nacional. Existirão uma série de reformas. Sejam essas econômicas, militares, nas leis de migração, no tratante aos trabalhadores do Estado, na educação.


Algumas características:

– Desburocratização;

– Revisão das leis de imigração;

– Redução de impostos;

– Educação sem doutrinação e promotora dos valores americanos; 

– Reforma do sistema de saúde baseada em leis de mercado;

– Responsabilidade individual;

– Modernização das Forças Armadas e da Segurança Nacional;

– Competição com a China.


Uma das principais características que chamam a atenção no documento é a semelhança entre o que foi o governo de Ronald Reagan e o que será o governo de Donald Trump. Além disso, é dito que Ronald Reagan seguiu o planejamento de Heritage Foundation e que Donald Trump também seguirá. Embora sejam planos diferentes, adaptados a realidades históricas diferentes.


Quanto a divisão de poderes, serão estabelecidos limites constitucionais para o legislativo, para o executivo e para o judiciário. Além disso, o federalismo será reforçado para maiores ações locais e autonomia entre as regiões.


Cybersegurança:
Um dos campos mais mencionados no livro é a questão da cybersegurança. A modernização e o investimento nesse setor é crucial para lidar melhor com inimigos/competidores externos, como a Rússia e a China. Além disso, serão analisados crimes virtuais. Outra preocupação que surge é o 5G e a corrida tecnológica com a China. Sem a supremacia tecnológica americana, muito dificilmente os EUA manterá a sua soberania global. Outra questão que entrou é a biotecnologia.


Educação e Trabalho:

Existirá um programa educacional especial voltado a promoção da ciência, da tecnologia, da engenharia e da matemática. Fora isso, se priorizará a maior escolha das famílias quanto a educação dos filhos e uma educação mais voltada as transformações que ocorrem no mercado de trabalho.


Reforma Econômica:
O programa econômico do segundo Governo Trump será muito semelhante ao que chamamos de "nacionalismo liberal" em alguns aspectos. Ou seja, um "livre mercado" mais interno. Terá uma desregulação para maior liberdade empresarial, diminuição de taxas para que os empreendedores ganhem mais estímulos para empreender, promoção de negócios e investimentos que tenham correlação com interesses americanos.


Forças Armadas:
Com o avanço da Rússia na Europa e com o desenvolvimento rápido da China, tornou-se necessário uma renovação das forças armadas americanas. Alguns pontos elencados são:

– Inovação tecnológica para manter soberania;

– Aumento das capacidades nucleares;

– Investimento em tecnologia espacial;
– Investimento em armas avançadas;
– Investimento em inteligência artificial;
– Investimento em computadores quânticos;
– Investimento em robôs;
– Investimento em hipersônicos.


China:

A China vem sido considerada uma crescente ameaça ao domínio americano. Seu desenvolvimento constante e a expansão da sua influência global tem sido não só má vista pelos EUA, como também é um ponto de interrogação quanto ao protagonismo que os EUA exerce no mundo. O documento cita alguns pontos que são observáveis na China e que levam os EUA a uma preocupação constante:
– Rápida modernização militar;
– Aumento da influência econômica;
– Ambições estratégicas;
– Rota da Seda e aumento da influência global da China;
– 5G e corrida espacial.


Segurança interna:

Em relação a segurança interna, a imigração e a infraestrutura adentram. Os EUA têm encontrado um problema constante com imigrantes ilegais e com infraestrutura sucateada. Problemas que se não forem corrigidos, podem levar a ruína do Estado americano. Para tal, o documento pontua algumas necessidades:

– Segurança nas fronteiras;
– Controle da imigração;
– Proteção da infraestrutura crítica;
– Maior capacidade de responder desastres.


Proteção Contra Influência Externa e Informação:

O documento também fala acerca da influência externa e dos serviços de informação para a segurança nacional. Além de não medir esforços sobre uma parceria com os aliados para o aumento da qualidade tecnológica para dar respostas rápidas contra agentes adversários. O autor lembra do período em que os EUA confrontou a União Soviética, também citou a era da guerra contra as ações terroristas e adentra na chamada "Segunda Guerra Fria" contra a China. Para uma maior segurança nacional, os seguintes movimentos serão tomados:

– Procurar a integridade de uma informação;

– Descobrir campanhas de desinformação e propaganda;

– Assegurar um sistema de votos seguro;

– Promoção da cultura da vigilância;

– Maior vigilância em redes sociais para possíveis táticas de subversão de agentes externos.


Respeito aos Direitos Civis:

A constante tensão entre a necessidade de proteger os Estados Unidos e os direitos civis para assegurar a liberdade dos indivíduos requer um questionamento frequente acerca das ações que serão tomadas para não prejudicar os lados dessa balança entre segurança e liberdade. O documento fala sobre transparência e respeito aos padrões de ética.