terça-feira, 12 de maio de 2026

Acabo de ler "Dark Psychology" de James W. Williams (Parte 1/lido em inglês)

 


Livro:

Dark Psychology: The Practical Uses and Best Defenses of Psychological Warfare in Everyday Life


Autor:

James W. Williams


Narcisismo, psicopatia e maquiavelismo. Cada uma dessas palavras compõe a chamada dark triad.

- Narcisismo: senso de direito, sensação de superioridade, inveja do sucesso alheio e um comportamento explorador;

- Psicopatia: ausência de culpa, falta de empatia, impulsos comportamentais destrutivos, egocentrismo e ausência de habilidade para aceitar responsabilidade;

- Maquiavelismo: egoísmo, crueldade e comportamentos manipulativos.


Quanto maior for a dark triad em um indivíduo, maior a possibilidade desse indivíduo se envolver em crimes. Quanto maior for a dark triad numa sociedade, maior a possibilidade dessa sociedade ter altos níveis de criminalidade.


Usualmente pessoas com esses traços criam uma falsa sensação de segurança antes do ataque. Essa construção visa gerar algumas dependências; as mais comuns são:

- Dependência financeira;

- Dependência emocional;

- Dependência espiritual.


Eles precisam criar essa dependência para isolar as suas vítimas, eles precisam criar a sensação de que são necessitados. Isto é, de quem podem resolver os problemas. Criando uma necessidade relacional. O padrão é bem conhecido: os desejos e as necessidades emocionais das vítimas são virados contra elas mesmas. A razão para tal padrão? É a própria humanidade. A humanidade é composta por desejos, esperanças, aspirações e questões sobre como viver uma vida transcendente. Necessidades humanas, quedas humanas. Pessoas com padrões sombrios exploram a humanidade das suas vítimas.


Temos que ter em conta que a vida humana necessita de conexão. O isolamento aumenta os níveis de ansiedade e afeta a produtividade. Além disso, os hábitos alimentares e a capacidade de dormir também são alterados. Perder a conexão também leva à perda do senso de realidade e pode levar à paranoia. Necessidades emocionais podem ser extremificadas contra nossa capacidade de pensamento racional.

segunda-feira, 11 de maio de 2026

Acabo de ler "On being conservative" de Michael Oakeshott (lido em inglês)

 


Livro:

On being conservative


Autor:

Michael Oakeshott


O conservadorismo não é uma ideia geral. O conservadorismo não é um credo nem uma doutrina. O conservadorismo é uma disposição. Enquanto os reacionários se perguntam o que foi, enquanto os revolucionários perguntam o que poderia ser, os conservadores se questionam o que está disponível. O que o conservador busca estimar é o presente. O presente, por sua familiaridade, é melhor do que o risco de perder tudo. O conservador valoriza o passado, mas como fonte de familiaridade e recursos presente, não como um modelo a ser restaurado rigidamente. Essa diferença entre conservadores e reacionários é algo que muitos poucos sabem.


O conservador é o sujeito que prefere o familiar ao desconhecido, o que prefere o que foi tentado pelo que não foi tentado, o que prefere o fato ao mistério, o que prefere o atual ao possível, o que prefere o limitado ao ilimitado, o que prefere o próximo ao distante, o que prefere o suficiente ao superabundante, o que prefere o conveniente ao perfeito, o que prefere a risada do momento do que a graça utópica. A condição conservadora é uma inclinação a apresentar o que é presente e o que está disponível. E é por essa razão que um conservador prefere pequenas e lentas mudanças do que mudanças grandes e súbitas. Quanto mais for assim, mais assimilável algo é.


O conservador é um homem que calcula. Ele olha para cada inovação mensurando o seu risco e visando um equilíbrio. Ele quer ver qual a perda e qual o ganho. Ele pensa que mudanças pequenas e limitadas apresentam menos riscos. O problema que ele tem com progressistas é esse: progressistas buscam por um bem desconhecido. O que os progressistas chamam de covardia conservadora, o conservador chama de prudência racional, o que os progressistas chamam de timidez, o conservador chama de cautela. Para o conservador, a segurança do presente é melhor do que o perigo de uma mudança radical.


O conservadorismo é mais comum nos mais velhos. A razão é pelo fato de o conservadorismo exigir a construção de uma identidade. Quanto mais a identidade se matura, maior a possibilidade do conservadorismo surgir junto a ela. A disposição conservadora surge em quem já está com sua personalidade mais bem estabelecida. No entanto, saliento que isso não é uma questão de idade cronológica. Essa disposição conservadora, segundo Oakeshott, pode aparecer em qualquer idade. Todavia, ela ocorre mais facilmente conforme existe um cultivo da experiência. 


Michael Oakeshott estabelecerá que o conservadorismo na política não tem a ver com a lei natural (jusnaturalismo), nem com uma ordem providencial, tampouco com uma moral ou uma religião. O conservadorismo tem a ver com o nosso estado atual de vida e um governo limitado. O governo, na visão conservadora de Michael Oakeshott, deve possibilitar às pessoas a perseguirem suas próprias atividades e escolhas. Isso deve ocorrer com poucas frustrações. Ou seja, um indivíduo deve ser livre para perseguir a sua disposição. Um indivíduo deve seguir o seu próprio caminho. Isso levará a outro problema que Michael Oakeshott encontrará em progressistas: é o fato de que eles tornam sonhos privados em um compulsório jeito de vida. O Estado ideal, na visão de Oakeshott, deve manter as regras do jogo, as associações civis livres, em vez de propor um propósito comum. 


O conservadorismo de Michael Oakeshott acredita que adultos não precisam justificar as suas preferências e as suas escolhas de vida. O governo, por sua vez, não deveria particularmente se objetar a escolhas individuais. Em outras palavras, não é função do governo modificar o estilo de vida de alguém. É por essa razão que conservadores rejeitam projetos de engenharia social, isto é, projetos de uniformidade substantiva. Um governo que segue pela paz é um governo melhor que um que tenta colocar uniformidade substantiva. Governos que tentam a segunda escolha, a da uniformidade substantiva, entram facilmente em colisão de interesse e em frustração mútua. O governo, em vez disso, deveria aceitar o estado corrente de atividades e crenças, ou seja, aceitar a diversidade de crenças e escolhas individuais. A política conservadora, em Oakeshott, se traduziria pelo ceticismo em relação a planos racionais grandiosos, tendo por preferência por ajustes incrementais e rejeição pela chamada política da fé (sonho e governança lado a lado).


Michael Oakeshott tem uma frase brilhante: a conjunção entre governar e sonhar gera a tirania.

Weirdposting #5 — I am just a misfit

 


>I take a breath another time

>readings that don't get over

>line after line

>I will write for /lit/ again

>thoughts without censorship

>beer after beer

>I travel so fast

>I don't know what love is

>George Grant after Christopher Buckley

>I can go

>I can pass to every topic

>NRx after Never Trumper

>my past is like a Saturn

>a great Ouroboros eating me

>girlfriend after girlfriend

>courses in Hillsdale College

>studies in Christendom College

>critical theory after tomism

>every anon wants to run the world

>I don't know why

>Dostoievski after Molière

>I can't touch the sky

>I am so serious in my ultimate thinking

>Nick Land after David Frum

>no girl really loved me

>no woman really loved me

>thread after thread

>I am just a misfit

>without a real love

>book after book 

>I take a breath another time

>readings that don't get over

domingo, 10 de maio de 2026

Weirdposting #4 — Loveless Sex

 


>ex-girlfriend broke up with me

>can't wrap my head around the whole thing

>my feelings are a constant mess when it's about her

>yeah, she actually left

>but every single thought is just her and what we had

>just stuck in my own head

>telling myself not to waste my time

>"if you don't love me, I can see it"

>see it everywhere, in every moment

>you don't look for me in your actions

>just sex after sex

>we were experts at that

>did it every single day

>but... that isn't love

>we're strangers to what love actually is

>I don't need the sex

>I need the love

>I don't care about the body

>I wanted the heart

>everything is scorched earth now

>realize I don't even know her, not really

>I know every detail of what she likes in bed

>but I know absolutely nothing about her soul

>mfw we shared everything but felt nothing

>feelsbadman.jpg

Caveira Casual #8 — Caim, Abel, Shakespeare e Cachaça


Não sei o que estou fazendo da minha vida. Sou só um garoto, perdido no meio do lixo, sem nada mais. É o que costumo dizer para mim mesmo. O álcool me embriaga; a solidão me faz companhia, formando a solitude. Ontem não estive só, estive com um grupo formado por mim, um amigo e novos amigos. Para ser exato, um grupo de seis pessoas. Quatro rapazes e duas moças. Estivemos numa mesa, rodas de cerveja, rodas de cachaça, rodas de petisco. Algo que julgo ser bem brasileiro. Tenho duas fotos disso, embora nós não tenhamos fotos em grupo.





Atualmente, encontro-me bebendo. Bebendo chop. Algo que tenho feito com dada frequência. Naquela mesa, percebi que éramos todos jovens adultos LGBTs. O que me deixou levemente mais confortável. Contei até um caso de um amigo hétero que, embora tivesse posicionamentos progressistas, desconsiderava a ameaça trumpista. O que quero dizer? Quero dizer que ele não via, diante dos próprios olhos, a ameaça que surgia. Sei que pode parecer cafona e brega. Sei que pode parecer progressista. Mas di-lo-ei: eu não vejo nada de bom no espírito trumpista. Eis aqui o meu chopp:




Dizem que Trump é ruim só se você for de esquerda. Eu digo o contrário. Eu digo que odeio Trump por ser de direita. Eu digo que odeio Trump por ser conservador. O que pode parecer difícil para a maior parte das pessoas. Eu odeio ataques às instituições. Eu odeio a demolição das instituições. É por isso que sou conservador.


Sou conservador, pois não espero que humanos sejam íntegros e sóbrios por natureza. Reconhecer que grupos dominantes detêm o local público para si e oprimem quem não o detém é ser conservador, reconhecendo também que a alma humana é uma miserável pilha de segredos, então eu chego à mesma conclusão. O mundo não era melhor antes. A natureza humana não será melhor agora. A maldição de Caim é essa: escravizar os outros em conformidade com a sua própria natureza. Héteros não são do mal por serem dominantes, são do mal por serem humanos e dominantes. A natureza humana é um amontoado de diferentes ciclos de dominação. Pode ser hétero, patriarcal, burguesa ou socialista. A burocracia soviética era mais opressora que a dominação hétero-burguesa. Se o mundo for bissexual, será tão opressivo quanto.


Certa vez, li um livro de teologia algo mais ou menos assim: Abel significa livre como o vento. Caim significa atado à Terra. Abel ofereceu uma oferenda melhor para Deus. Não porque era melhor, mas porque não pagava imposto. Quando Deus puniu Caim colocando-o como Abel, Caim não foi punido. Ele se tornou tão livre quanto Abel. Mas o que Caim fez? Recriou o imposto e o Estado. As estruturas de repressão são comuns à natureza humana desde a sua queda. A maldição de Caim é recriar as condições de opressão. Não importando qual seja o modo. Sou conservador. Logo levo o pessimismo antropológico bastante a sério. Creio que isso explica a razão de eu ser conservador. Não é a bissexualidade que me afasta do conservadorismo, é ela que me leva a ele. Creio que isso explica a razão de eu ser conservador. Não é a bissexualidade que me afasta do conservadorismo, é ela que me leva a ele. A estrutura de Caim é imortal... visto que é ela que demonstra que religiosidade extrema não é sair nas ruas cortando cabeças. É poder levitar mesmo com todas as contradições mundanas. O ser é, mas tudo leva a crer que não pode sê-lo.

Parmênides = o ser é e o não-ser não é.
Heráclito = a existência precede a essência.
("Não se pode banhar duas vezes no mesmo rio", essa frase cria uma identidade fluida, logo não há um ser tão definido como em Parmênides. Por tal razão, uso a solução de Sartre para explicar o que penso de Heráclito)
Mas a existência é, em si mesma, uma essência.
Ela indica um ser que quer se realizar, mas as condições sociais tolhem isso.
O ser justifica-se perante a tribo.
O ser justifica-se perante a matéria que o nega.
O paraíso é a totalidade do ser. 
E a totalidade do ser é Deus.
O ser só é ser perante o absoluto, visto que o ser só é ser perante Deus e mais nada.
Vimos, no maior dos filósofos conservadores, em Shakespeare, a seguinte pergunta:
Ser ou não ser, eis a questão.
Nesse teatro, Rei Lear, ele finge loucura até ser quem quer ser. Ele nega o ser até poder afirmá-lo.


Nota: quando estava escrevendo isso, eu estava bêbado. Quando fui editar isso, eu estava bêbado. Quando fui olhar esse texto de novo, eu literalmente tinha virado a noite numa festa de quinta pra sexta e outra de sábado para domingo. Meu cérebro parece que foi jogado num liquidificador. De modo que, mesmo revisando o texto agora, ele me parece mais algo saído de um fluxo de consciência precarizado pelo álcool do que produto de alguma razão. E percebo isso agora mesmo estando completamente cansado das duas festas a que fui anteriormente. Resolvi preservar o texto em sua loucura original apenas pois o formato dessas postagens (Caveira Casual) me permitem isso.

quinta-feira, 7 de maio de 2026

terça-feira, 5 de maio de 2026

Acabo de ler "Lament for a Nation" de George Grant (lido em Inglês/Parte 5)

 


Nome:

Lament for a Nation: The Defeat of Canadian Nationalism


Autor:

George Grant


Todas as classes dominantes são produzidas pelas sociedades que elas devem governar. Isto é, a forma que elas governam se correlaciona com a estrutura de poder que as forma. Se a estrutura de poder é voltada à dominação, ela atua para dominar. Se a estrutura de poder é voltada para subserviência, ela atua para ser subserviente.


Nos anos 1960, o Império Americano criou um Estado capitalista altamente tecnológico. Criaram-se ali um governo privado de corporações e um governo público para o Estado; esses dois setores coordenavam as atividades dessas corporações (o governo do Estado e o governo das grandes empresas). No Canadá, as classes dominantes criaram basicamente uma "planta" ou um "setor" do Império Americano através do continentalismo. Essa política é muito associada ao C. D. Howe (ex-ministro da Inovação, Ciência e Indústria do Canadá). Ela pode ser resumida a desenvolver todos os recursos para o capitalismo continental. 


Há um drama entre a queda da hegemonia do Reino Unido e a ascensão da hegemonia dos Estados Unidos. O Partido Conservador, no Canadá, sempre se alicerçou pelo contato e pela admiração ao Reino Unido. Já o Partido Liberal, sobretudo nos anos de 1940, procurou aproximação com os Estados Unidos. Criando aquilo que chamam de "capitalismo continental", isto é, uma integração econômica com os Estados Unidos.


John Diefenbaker tinha um senso de continuidade histórica. Sua vitória está conectada com a sua ligação com os pequenos comércios que foram abandonados pelo Partido Liberal.


George Grant, ao analisar a situação, chega à conclusão de que somente o nacionalismo pode providenciar o incentivo político para o planejamento e somente o planejamento pode vencer o continentalismo. Só que havia um problema: as corporações canadenses eram basicamente antinacionalistas. John Diefenbaker não soube analisar corretamente a estrutura das classes com que ele deveria se lidar. Diefenbaker muitas vezes não equilibrava o populismo, a livre iniciativa e o nacionalismo. Além disso, cometeu um erro ao não colocar um estrito controle governamental no investimento. Fora isso, o serviço público, composto por oficiais não eleitos, compunha uma espécie de força antinacional. Outra questão não profundamente analisada foi o network de redes de televisão privada. Elas pouco se importavam com a cultura canadense, apenas importavam conteúdo dos Estados Unidos.


Uma das maiores questões apresentadas é a questão da divisão entre o anglo-canadense e o franco-canadense. Existe um Canadá que é de origem francesa e católica, existe outro Canadá que é de origem britânica e protestante. O nacionalismo americano é fundado em direitos individuais que se acomodam numa cultura comum. O nacionalismo canadense deve ter outra base, isto é, além dos direitos individuais, é necessário que existam direitos dos povos, das nações, dos grupos. Os direitos dos canadenses franceses devem ter correlação com sua linguagem, cultura e identidade. Diefenbaker errou ao trazer uma ideia liberal de direitos. Isto é, baseou-se inteiramente nos direitos individuais universais. Um verdadeiro conservador deveria pensar na preservação das tradições e das comunidades históricas.