sexta-feira, 27 de fevereiro de 2026

Acabo de ler "The King in Orange" de John Michael Greer (lido em inglês/Parte 1)

 


Nome:

The King in Orange: The Magical and Occult Roots of Political Power


Autor:

John Michael Greer 


O autor começa a sua análise brincando com a autoimagem da sociedade contemporânea. Isto é, a ideia que vivemos num mundo racional e que o mundo nada mais é do que uma máquina sendo regida por leis deterministas. Essa crença nos diz que, se tivermos dados suficientes, podemos fazer com que essa máquina (mundo) vá em direção ao nosso desejo.


Acontece que as regras que acreditamos são apenas um compilado de narrativas. O mundo que acreditamos nos vem com pacotes de meias verdades e de evasivas confortáveis. Temos a necessidade psicológica de profetas, visto que necessitamos de um mundo onde tudo seja previsível e endireitado ao cumprimento de nosso desejo. Acontece que, ano após ano, todos  os políticos, os mais preparados, com seus dados e sua capacidade de mexer com a grande máquina do mundo falharam.


Nas eleições de 2016, os democratas viviam numa bolha, em uma câmara de eco da qual só podiam ouvir as próprias vozes ecoando infinitamente. Enquanto isso, Trump servia para mídia e para os seus adversários banquetes de polêmicas. Esses banquetes geravam hiperreatividade e Donald Trump usava essa energia hiperreativa como instrumento de guerra política.


As ações de Trump, a forma como tudo se encaixava no seu jogo, fazia com que as suas ações parecessem com uma espécie de mágica. Porém isso só poderia ser considerado impossível: como a mágica seria possível na moderna sociedade industrial? É com isso que o autor trabalhará.


Durante anos, aprendemos em nossas escolas, em nossas faculdades, em nossa querida mídia, que a mágica era algo do passado e estava morta. Acontece que nossa definição de mágica era absolutamente errônea. Isso também levava que nossas escolas, faculdades e mídias a atacarem um espantalho. A verdadeira definição de mágica não é outra, se não essa: mágica é a arte e a ciência de causar mudanças na consciência de acordo com a vontade. O autor nos dá essa frase baseado em seu estudo de Dion Fortune.


Como isso é possível? Se pensarmos bem, a parte de nós que é racional é a parte menos desenvolvida e recente de nossa mente. A grande parte ainda é dominada a linguagem do mito e do símbolo. É possível influenciar essa parte. Por exemplo, quando pensamos no slogan "MAGA" (Make America Great Again), não temos uma frase que signifique alguma coisa exata. A frase apenas diz: "Fazer a América Grande De Novo". Essa frase poderia ser um slogan até do Partido Democrata. Essa frase não foi feita para falar com o racional, mas com o imaginário afetivo.


Quando pensamos em Donald Trump nas eleições de 2026, entramos em mundo infamiliar onde as regras regulares não eram mais aplicáveis e estranhas formas surgiam das profundezas. O que Trump fazia era magia política (lembre-se da definição de mágica: "mágica é a arte e a ciência de causar mudanças na consciência de acordo com a vontade") e é por isso que Trump era uma anormalidade.