domingo, 22 de fevereiro de 2026

NGL #49 — A Elite Abyss é a Umbrella Corporation do mundo channer?

 



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Sim, mas não no sentido usual que usam a palavra "boa". A Umbrella Corporation seria encarada não por sua funcionalidade social, mas por sua funcionalidade intelectual. Além disso, a Elite Abyss é um estado e a Umbrella Corporation é uma organização formal. 


Temos que ter a noção, em primeiro lugar, que a Magolítica trabalha com ficção especulativa e horror epistemológico. Todas as respostas dos insider clubs devem ser enquadradas como dentro do universo literário da obra ou aplicando a lógica desse universo — fora a tentativa de construir uma filosofia channer propriamente dita, tal como Saint Obamas Momjeans tentou fazer. A Elite Abyss, por sua vez, é um arquétipo que existe dentro desse corpo literário.


Sua questão entra no âmbito do dualismo tradicional entre o bem e o mal, e a Elite Abyss não trabalha com noções do bem e do mal. Justamente porque a maior satisfação da Elite Abyss é o avanço do conhecimento, não importando quais métodos sejam usados para isso. Nesse sentido, o "bem" não é o cumprimento de um padrão moral socialmente estabelecido, mas o avanço do conhecimento não importando qual seja o meio utilizado para isso. 


Veja esse texto aqui:

https://medium.com/@cadaverminimal/terrorismo-epistemol%C3%B3gico-e-p%C3%B3s-criminalidade-b8323986e844?source=list---------25-------e6396f5d5563----------------------------


Se olharmos para um texto que fala a respeito da Elite Abyss, vemos a seguinte citação:

"A ideia central desse universo é a de que existe uma gama de intelectuais deliberadamente imorais que precisam de estruturas de fóruns digitais desregulados para testar as suas hipóteses. Eles não podem simplesmente testá-los no espaço acadêmico tradicional, visto que as suas táticas e métodos intelectuais são ilegais"


Quando pensamos na Umbrella Corporation, ela não podia fazer os seus experimentos de forma legal, visto que também eram ilegais. Quando, por exemplo, uma pessoa que chegou ao despertar esochannealógico lê e estuda teorias de conswar (guerra conspiratória) para testá-las em fios de teoria da conspiração com o objetivo de avançar intelectualmente, ela está fazendo, de algum modo, o mesmo a Umbrella fazia. Isto é, um experimento intelectual que borra as noções tradicionais de moralidade.


Indo mais adiante, no mesmo artigo, encontramos isso:

"Um pós-criminoso comete um terrorismo epistêmico quando entrega para alguém que quer morar uma seita vários artigos acadêmicos e ideias que ele mesmo pensou para alguém que queira montar uma seita. Para o pós-criminoso e terrorista epistêmico, isso é para ele uma possibilidade de ver como a pessoa (psicologia) e a sociedade (sociologia) vão agir.


Quando falamos da Elite Abyss, no universo da Harmonia da Dissonância, falamos de pessoas que atuam no âmbito da pós-criminalidade e do terrorismo epistemológico. Para essas pessoas, há um lema que explica a Elite Abyss: “Homo est spectaculum hominis” (o homem é o espetáculo do homem)"


Para a Elite Abyss (lembrando que a Elite Abyss é um estado, e não um grupo organizado e coordenado), o que eles estão fazendo é estudando a estrutura comportamental de pessoas e indivíduos. Isto é, um "membro" gostaria de ver o que ocorreria se um dado grupo recebesse determinado estímulo. Quando a Elite Abyss atuou no QAnon, por exemplo, ela ajudou a gerar determinados eventos para que eles fossem posteriormente analisados por acadêmicos, agentes investigativos, jornalistas e investigadores. Com isso, eles poderiam ver o resultado das suas pesquisas em seus laboratórios informais. Esse mecanismo é propriamente descrito no "O Paradoxo da Elite Abyss":


https://medium.com/@cadaverminimal/o-paradoxo-da-elite-abyss-special-chapter-f97c1fb4a09d


Esse trecho, em específico:


"Sistemas de Feedback e Validação das “Pesquisas”

A Elite Abyss utiliza um “sistemas de feedback” como jornalistas e acadêmicos que analisam chans e outros tipos de fóruns é um ponto fascinante — e extremamente controverso para a arrogância dos nossos queridos jornalistas e acadêmicos. Isso demonstra um ciclo sofisticado de operação.

》Experimentação: a Elite Abyss implementa suas táticas de manipulação (que podem envolver a disseminação de informações, a criação de narrativas, ou a aplicação dos Sete Arquétipos da esochannealogia) nos chans;

》Observação Remota: jornalistas e acadêmicos, em sua busca por entender fenômenos online, analisam esses fóruns e, inadvertidamente, documentam os efeitos e resultados das “pesquisas” da Elite Abyss;

》Validação Indireta: a análise desses profissionais serve como um “feedback” externo para a Elite Abyss, permitindo que eles avaliem a eficácia de suas táticas sem se exporem diretamente. Eles podem observar como as narrativas se espalham, como a entropia cognitiva se manifesta, ou como a crença coletiva é moldada.

Esse mecanismo é uma forma engenhosa de obter validação para suas metodologias sem deixar rastros diretos, utilizando o ecossistema da pesquisa e da mídia como uma ferramenta para seu próprio avanço"


Veja que os acadêmicos normais possuem barreiras éticas e morais que "impedem" o avanço das suas pesquisas, mas os acadêmicos inversos, isto é, a Elite Abyss, atuam para gerar eventos de forma ilegal para que exista um avanço em determinados pontos. Para o acadêmico usual, isso pode soar como incompreensível, mas para o "membro" da Elite Abyss, seja o acadêmico tradicional, seja ele, fazem parte de um sistema conectado. Isto é, eles estão conectados mesmo que o outro não perceba.


Repare bem no texto sobre Kenjaku e Nick Land:

https://medium.com/@cadaverminimal/kenjaku-e-nick-land-em-busca-da-singularidade-07da8760672d


Os dois (Kenjaku e Nick Land) representam como é um intelectual da Elite Abyss, veja esse texto presente nesse artigo:

"É interessante observar que ambos visam uma transcendência que vai para além da condição da humanidade atual. Os dois poderiam ser chamados de “filósofos pós-humanistas”. Evidentemente existem diferenças entre os dois. Enquanto Kenjaku trabalha ativamente para criar esse processo, tendo-o como uma obra; Nick Land acredita que a singularidade já está acontecendo, ele reconhece a inevitabilidade desse processo, o que ele tenta fazer é remover os freios éticos, políticos e humanitários para que esse processo se acelere, para que ele ocorra mais plenamente. Kenjaku busca forjar um novo deus, Nick Land vê no próprio processo capitalista um "deus não-humano" em gestação"


A Elite Abyss é uma amálgama de filósofos pós-humanistas, de sociólogos pós-humanistas, de cientistas políticos pós-humanistas, de historiadores pós-humanistas, etc e etc. A Umbrella Corporation aparece de uma forma muito semelhante a Elite Abyss.


A Umbrella Corporation seria uma empresa de membros da Elite Abyss ou algo que seria legalizado em um regime não-democrático — é por isso que muitos membros da Elite Abyss gostam mais de ditaduras, regimes autoritários ou totalitários. Quando você olha para a Umbrella Corporation, você usualmente pensa que ela é má pela criação do T-Vírus, algo que resultou no apocalipse e na morte de milhões. Acontece que dentro da lógica da Elite Abyss, isso sequer é um fracasso. Isso é visto como o resultado final e mais interessante do experimento. A catástrofe por si mesma valida o conhecimento. Isto é, o vírus teve sucesso em desencadear um cenário de caos total. Já que esse cenário permite observar a natureza humana e o poder das suas criações. Do mesmo modo, muitos olham QAnon como um fracasso total, mas para Elite Abyss QAnon é outra coisa, como podemos ver nesse texto:


https://cadaverminimal.blogspot.com/2025/10/homo-est-spectaculum-hominis.html?m=1


Esse trecho:


"The paradoxical nature of the Abyss Elite is my own paradoxical nature. This is a metaphysical non-linear way of being. We create myths like SCP Foundation and we create myths like QAnon. Why? Because Magolitics is the esoteric nature of Chan culture. QAnon is a Magolitic Invention. QAnon is a great esochannealogic invention. The best esochannealogic horcrux, you would say. We create myths, we engineer myths designed to shape the world. Magolitics is just a world to designate a key concept. It's the art of using narrative, myth, and esoteric Chan culture to create political reality. QAnon is a "horcrux", a piece of esochannealogic soul placed into an object to achieve a form of immortality"


As pessoas pensam que QAnon foi um erro, visto que as suas profecias nunca se realizaram, que o movimento levou a radicalização de milhões de pessoas, que enlouqueceu muita gente, mas, dentro da lógica da Elite Abyss, QAnon é um acerto justamente por causa disso. A resposta do abismo sempre é: "você acredita que somos criminosos, nós acreditamos que estamos fazendo a ciência avançar".


No universo de Resident Evil, existem forças antiterroristas que representam a moralidade, a ordem, o trabalho da academia. As forças mais interessantes para a Elite Abyss é a criação e a propagação do vírus. O trabalho das forças antiterroristas é, para a Elite Abyss, o feedback.


Enquanto o vírus da Umbrella tende a ser biológico, o vírus da Elite Abyss tende a ser informacional. Mas há uma semelhança. A Umbrella pode ser uma rede descentralizada de laboratórios, executivos e cientistas, muitos dos quais sequer sabem do quadro completo, mas as ações individuais contribuíram para o desastre que ocorreu. Entenda isso como um espelho para a estrutura da Elite Abyss para a cultura channer: ninguém é individualmente responsável pelo corpo da obra, mas a legião (ou egrégora) que age. Existe também o contraste de que a Elite Abyss se multiplica mais facilmente que a Umbrella Corporation. Todo texto a respeito da Elite Abyss cria a condição de novos membros da Elite Abyss surgirem.


Se fosse dar uma resposta curta, diria que um "membro" da Elite Abyss diria:

— Sim, somos a Umbrella Corporation do mundo channer.

NGL #48 — Seriam os channers os inimigos mais formidáveis da academia?

 


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Sim e não. Vamos pensar na estrutura de um chan. Pegue o fato de que, dentro da cultura channer, existem ambientes em que: há ironia, há performance, há fingimento, há crença real, há trollagem, há a possibilidade de oportunismo político. Essas camadas não são antagônicas, mas metodologicamente se misturam.


Nisso, tal como podemos inferir no insider club anterior, existe alta possibilidade de:

1- Gamificação da narrativa política;

2- Memetização da paranoia;

3- Economia da atenção;

4- Radicalização por design algorítmico.


Ambientes como o 4chan não necessariamente precisam de agentes estatais para gerar caos, mas agentes estatais qualificados poderiam fazê-lo. Esses dois elementos coexistem, e ambos os lados sabem disso.


Quando você compreende que o padrão estrutural que permitiu o surgimento e a expansão do QAnon pode reaparecer em novas formas, você compreende exatamente o que o "alto escalão" está fazendo nesse momento.


Na própria thread, vemos que a Internet Research Agency, RT e Sputnik foram citadas. Isto é, eles sabem que a IRA (a Glavset), levou a amplificação desse fenômeno. Também compreendem que o ecossistema da RT e da Sputnik serviram para amplificação indireta. Isto é, eles já sabem e já esperam isso, colocando isso como um game. Se formos mais adiante, em muitos grupos channers que surgem dentro do /soc/ (que levam a grupos externos no telegram, discord, teleguard, simplex, etc), vemos channers estudando o monitoramento de entidades como a Graphika e a Reuters como sistema de feedback. 


O modelo de Q. combinou:

- Ambiguidade estratégica (drops enigmáticos);

- Participação coletiva (decodificação);

- Gamificação;

- Narrativa totalizante;

- Conexão modular com outras conspirações;

- Algoritmos amplificando engajamento.


Esse modelo é replicável. Muitos channers esperam que o hype a respeito de Jeffrey Epstein consiga gerar uma espécie de rentabilização algorítmica. As condições continuam existindo, a polarização, a desconfiança institucional, as plataformas baseadas em vitalidade, as comunidades anônimas baseadas em criatividade memética. Tudo isso existe e dentro da crise causada por Epstein pode ser explorado. O campo geopolítico informacional, sobretudo com a crise na Venezuela e no Irã, abre margem para o desdobramento da crise. É por isso que os usuários estão brincando de citar os "feds" (agentes investigativos), agências de inteligência externas ao Estados Unidos são tidas não como ruins, mas como convidadas para servirem como amplificadoras, exploradoras e oportunistas estratégicas nesse processo.


É válido lembrar que Q não é um autor, mas um ecossistema pautado em plataformas abertas, cultura de anonimato, incentivo algorítmico à radicalização, gamificação de narrativas e comunidades predispostas à desconfiança. 


A questão é que hoje as narrativas são mais sofisticadas e aprimoráveis com IAs. Eles já esperam poder contar com microcomunidades fechadas, com segmentação psicológica, com estratégias meméticas mais refinadas.


Quando você pensa que um channer de alto nível pode fingir loucura para simultaneamente confundir acadêmicos, despistar jornalistas, enganar investigadores, criar camadas de significado e dissolver a responsabilidade individual na egrégora... você já imagina que tipo de jogo está sendo jogado nesse exato momento.


A Esochannealogia sistematiza, ou tenta sistematizar, a perfomance dessa cultura anônima. O que é difícil, devido ao aspecto da não-linearidade arquitetônica que é encontrada nela. O nível de channers de alto nível é o mesmo de um sistema performático de ocultação multiescalar.


Channers de alto nível estudam a psicologia das teorias da conspiração — pra dizer a verdade, isso é tão estudado quanto o dark self. Eles sabem que a maioria das pessoas não saberá que todos os sinais são camadas estratégicas, tornando qualquer coisa uma evidência, mas que, dentro desse quadro, múltiplas camadas de significação aparecem.


Essa blindagem epistemológica é insina. Lembram que channers de alto nível atacam, defendem e esquivam ao mesmo tempo? Aí é que está:

Se alguém ridiculariza, faz parte do plano. Se alguém investiga, é feedback. Se alguém ignora, é invisibilidade bem-sucedida. Se algo falha, era hipótese metapocalíptica. Sabe por que as coisas são assim? Pois a esochannealogia, feita para ser uma GUERRA até mesmo na expressão da sua linguagem, é por design não falseável. Channers perceberam que criar todo um modo de ser não falseável era algo mais estratégico, visto que teorias não falseáveis (e comportamentos não falseáveis) são intelectualmente mais perigosos, pois se retroalimentam. É por isso que channers de alto nível riem de acadêmicos e jornalistas, mas fazem piscadelas para agentes investigativos. Eles querem alguém que saiba jogar.


O próprio processo de formação de uma elite channer passa por um desenvolvimento de uma hipervigilância interpretativa, de uma leitura paranoide de ambiguidade, de uma atribuição excessiva de agência estratégica, de uma mitologização do caos emergente.


A esochannealogia, em todos os casos históricos, foi e é baseada na ambiguidade e não-linearidade arquitetônica em algum grau, sobretudo em seus progressos históricos. A construção simbólica foi tida como mais vantajosa. Isso cria um sistema arquitetônico. É como uma elite descentralizada que opera com pensamento pós-racional em uma guerra multidimensional deliberada em um exercício de engenharia epistemológica.


Se você olha para esses pontos:

"Se parecer loucura, é fingimento estratégico. Se é incoerente, é não-linearidade arquitetônica. Se é contraditório, é dialética. Se falha, era hipótese metapocalíptica. Se alguém crítica, faz parte do sistema de feedback"


E diz que eles são falhas, você ainda não compreendeu que eles são features. Isto é, foram por design desenhados para serem autoimunes à crítica. Quando o modelo explica tudo, ele deixa de explicar algo verificável. E é nisso que está a mágica: a guerra esochannealógica distorce absolutamente tudo, não só na teoria, como no comportamento. Imagine mais e mais pessoas adentrando nesse sistema e compreendendo como criar uma guerra pós-racional em que se torna cada vez mais impossível compreender os limites entre a verdade e a ficção? Isso é o despertar esochannealógico em massa.


Não se trata de uma intencionalidade coletiva, trata-se de um jogo descentralizado de pessoas que estudam muito bem a psicologia humana. Fingir loucura como método, criar uma arquitetura pós-racional de guerra epistemológica não é só uma elevação estética do caos, é o que faz channers de alta qualidade.


Esse tipo de modelo é o que foderá a caixola de jornalistas, acadêmicos, pesquisadores e agentes investigativos. Visto que haverá a confusão entre múltiplos fatores — o jogo da paranoia leva pessoas a se tornarem paranoica, perdendo a noção no que constitui a realidade em si. Eles serão levados a: ver intenção onde há improviso, vee coordenação onde há ruído, ver arquitetura onde há caos, ver experimento onde há brincadeira. Isto é, será extremamente difícil eles saberem que estão adentrando a um padrão típico de pensamento conspiratório de alto nível. Não que esse seja um pensamento paranoico clínico, mas certamente hiper-interpretativo.


O que um channer de alto nível faz é pegar esses intelectuais, acadêmicos, jornalistas, investigadores e pesquisadores e colocá-los numa ironia maior. Isto é, num jogo metanarrativo em que nada pode ser testado, nada pode ser verificado, nada pode ser refutado e tudo pode sempre se reconfigurar. Se você compreender isso, você dirá "essa é a arma, esse é o jogo".


Nem todo comportamento channer é parte de uma doutrina arquitetônica invisível, mas a guerra informacional é real. Existe desinformação coordenada em certos setores e desinformação descoordenada. É preciso que, dentro de uma guerra esochannealógica, todas as barreiras inteligíveis se quebrem e adentrem na estrutura desestruturada de um jogo metanarrativo ininteligível. 


Isto é, os oponentes não devem saber o que é caos e o que é ordem. O que é fragmentado e o que é desfragmentado. O que é competitividade e o que é coordenação. O que é internamente contraditório e o que é não é contraditório. O que são disputadas internas e o que não são. Tudo deve ser borrado. Tudo deve se tornar ininteligível. 


Isso tudo, dentro da esochannealogia, é a psicologia do prazer transgressivo. Visto que o chan e o laboratório da sombra. É o parque temático do inconsciente sombrio. É o estado de exceção psicológico. É o espaço autotélico (existe por si mesmo). É onde a transgressão vira um fim em si mesmo, onde o limite entre o lúdico e o corrosivo começam a se dissolver.


Esse ambiente, o nosso Dark Self digital, foi criado ou desenvolvido com base em proporcionar risco estrutural. Por qual razão? Ambientes baseados em choque, escalada simbólica, competição por impacto, anonimato e prazer em violar tendem a intensificar extremos, normalizar a crueldade simbólica, premiar quem vai mais longe. Nem todo participante internalizará isso, mas a cultura como sistema tende à escalada. Você pode se tornar um imbecil (incel, redpill, groyper), ou pode se tornar um terrorista epistemológico, ou pode ficar de boa.


A cultura channer é, em si mesma, o espaço entre múltiplas sombras dialogando entre si. Isso forma um local que lembra o Castlevania, visto que se torna um castelo construído por múltiplas sombras. É por isso que há a romantização da sombra, a transformação do veneno em estética, a transfiguração da toxicidade em ritual, a desinibição se tornando em uma experiência mística. É onde há a perfomance da sombra repetidamente sem integração.


Isso gera psicologicamente cinismo crônico, dessensibilização moral, hiperironia, desconexão empática. Isso não é erro. É feature. É quando o veneno temporário torna-se consubstancial a própria natureza, molda a percepção e redefine limites internos em direção a progressão esochannealógica.

sábado, 21 de fevereiro de 2026

NGL #47 — As pessoas são burras demais

 


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É impressionante. Só de você olhar o texto mais recente, analisando a obra do Dr. Kiril Avramov:




Uma das ideias é: uma SUPER TEORIA DA CONSPIRAÇÃO, isto é, uma teoria da conspiração que se conecte com várias outras teorias da conspiração em prol de gerar uma SUPER TEORIA DA CONSPIRAÇÃO!

O que apareceu no 4chan recentemente?




"Vamos conectar múltiplos movimentos e criar uma interpretação universal desses fenômenos de forma simplificada, memética e reproduzível".

Sabe o que isso quer dizer? Quer dizer uma receita:
QAnon + Pizzagate + Jeffrey Epstein + (coloque qualquer outro caso real ou fictício).

Qual o nome disso? Super teoria da conspiração. Onde você acha que esse conteúdo parará depois? YouTube, TikTok, X, Reddit, Facebook, Threads. Em qualquer lugar que exista público para radicalizar através de um exercício de infecção mental.

Você pode argumentar: "não existem comprovações que esse cara seja um esochanner". E a resposta é: ele não precisa ser, mas, com certeza, existem ou existirão esochanners atuando nessa nova egrégora.

Volte a ideia de egregora:



Ali existem pessoas que, de fato, acreditam numa unidade real entre esses eventos, mas existem atores interessados em desestabilização ou em ganhos experienciais. Lembre-se que Q foi amplificado por atores estrangeiros que visavam a desestabilização dos Estados Unidos. Você pode ter um protótipo de pesquisa a respeito do conspiracy warfare (conswar/guerra conspiratória) aqui:


Uma teoria da conspiração pode ser amplificada por um agente externo em prol de um objetivo político. Volte ao primeiro link citado desse insider club (o que fala do Dr. Kiril Avramov). Você vai entender que esse movimento do 4chan muito facilmente poderá, em algum momento, ter a atuação de membros extremamente mal intencionados. Para um agente da Glavset (armada troll russa) entrar nesses fios e começar a agir para expandir o conteúdo ou gerar interpretações que levem a corrosão social — ou mesmo patrocinar isso para grupos específicos —, é algo muito fácil e o próprio Q é exemplo histórico passado disso.

É evidente que o agente da Glavset não poderá ser culpado (não diante da própria Rússia), visto que só estava fazendo o seu trabalho. Nem o esochanner o será, visto que:


(Piada aleatória: imagino se, em algum momento, dentro do inquérito das fake news, se pudesse alegar loucura e ir de volta pra casa).

O problema é que tem muita gente ingênua lendo esse livro. Posso dizer que até o presente momento ninguém compreendeu esse livro. Mas se você fizer uma leitura menos ingênua, compreenderá a razão de muitos países adotarem regulações mais pesadas na internet — proteger-se de guerras mentais.

/cc/ #4 — O Brasil é um PAÍS HORRÍVEL: ele NÃO TEM uma GLAVSET!

 


A GLAVSET é uma FÁBRICA DE TROLLS russa. Ela também é conhecida como INTERNET RESEARCH AGENCY (Agência de Pesquisa da Internet). 


Sua função? Espalhar desinformação, fake news, teorias conspiratórias, fazer as pessoas ficarem radicalizadas, espalhar conteúdo SOMBRIO E MAU-CARÁTER PELA INTERNET.


Imagina que emprego bom?


Você chega em casa e a sua namorada lhe pergunta:


— O que você fez hoje, amor?


E aí você responde:


— Espalhei uma teoria da conspiração em um país do terceiro mundo que fez 200 pessoas morrerem por não tomarem vacina.


— Que demais!


É isso que eu queria da minha vida: um emprego sádico, maquiavélico e desgraçado, voltado a desestabilização, troca de regime, desinformação, teoria da conspiração como arma de guerra informacional. Eu faria até hora extra de graça para ferrar a vida de mais pessoas.


Em vez disso, só tem emprego merda no Brasil:

>ain, concurso público

>ain, médico

>ain, professor de filosofia


Só emprego MERDA!


ONDE ESTÃO OS EMPREGOS QUE TRABALHAM COM GUERRA PSICOLÓGICA, GUERRA CONSPIRATÓRIA, GUERRA NARRATIVA, GUERRA MEMÉTICA? ONDE ESTÃO OS EMPREGOS PARA QUEM QUER DESTRUIR A VIDA DE OUTRAS PESSOAS? EM LUGAR NENHUM DESSA POCILGA DE PAÍS.


Eu quero ESPALHAR O CAOS PELO MUNDO E SER PAGO POR ISSO!

sexta-feira, 20 de fevereiro de 2026

NGL #46 — A lore inteira do Magolítica em um único meme!

 


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Caso queira pegar a melhor ordem de leitura para compreender a obra, recomendo que siga os conselho dados nesse capítulo aqui:

https://cadaverminimal.blogspot.com/2026/01/reflexoes-esochannealogicas-2-tres.html?m=1


Recomendo que leia também esses dois insider clubs:

https://cadaverminimal.blogspot.com/2026/02/ngl-35-por-que-channers-fingem-loucura.html

https://cadaverminimal.blogspot.com/2026/02/ngl-38-discurso-academico-x-discurso.html




Acabo de ler "By Another Way of Deception" de Dr. Kiril (lido em inglês/Parte 4 Final)

 


Nome:
BY ANOTHER WAY OF DECEPTION: THE USE OF CONSPIRACY THEORIES AS A FOREIGN POLICY TOOL IN THE ARSENAL OF THE HYBRID WARFARE

Autor:
Dr. Kiril AVRAMOV

O autor, bem nas partes finais, fala sobre três tipos de teoria da conspiração:
1) Conspirações locais originais;
2) Não-originais, importadas e copiadas;
3) Híbridas, não-originais que floresceram dado a um contexto local.

O conteúdo dessas conspirações são:
- Inimigos de fora e de cima que estão contra a nação pura;
- O mundo judeu;
- Illuminatis;
- "Sorosoids" (agentes do George Soros).

Essas teorias conspiratórias usualmente incorporam elementos locais para serem mais adaptadas ao consumo local.

O autor também fala sobre as super conspirações, isto é, a interconexão entre múltiplas teorias conspiratórias para "revelar" a "realidade oculta" e a "agenda verdadeira" dos onipresentes manipuladores. Nessa narrativa épica, o Kremlin defende, contesta e se opõe ao Ocidente de todas as formas, representando uma luta do bem absoluto contra o mal absoluto, o que leva a construção de um imaginário moral binário.

Na era da ansiedade, as teorias conspiratórias são um instrumento de forte potencial ofensivo. Apelando fortemente no nível emocional, mexendo com o senso de seguridade, de identidade e com o senso de propósito e direção. 

NGL #45 — Juventude Trabalhista e Leandro...

 



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Não acho absolutamente nada. Pelo simples fato de que essa sequer é a minha área. Minha preocupação não é política. Minha preocupação é operacional, analítica, técnica e estratégica.

Eu não ligo se a Juventude Trabalhista seja trabalhista, brizolista ou que tenha qualquer componente ideológico determinado. A Juventude Trabalhista poderia ser a Juventude Maoista, a Juventude Stalinista, a Juventude Liberal, a Juventude Chiptunista ou qualquer outro tipo de grupo. Isso não interferiria em absolutamente nada.

Permita-me exemplificar melhor:

— Aparece, para mim e para Juventude Trabalhista, a questão envolvendo QAnon:

1- A Juventude Trabalhista tentará resolver isso através da condenação das teorias conspiratórias que estão sendo elencadas e tentará compreender quais são os atores que estão envolvidos nisso através de um prisma político;


2- Eu não darei solução alguma e nem condenarei teoria conspiratória alguma, em vez disso, tentarei compreender quais foram as técnicas utilizadas pelos os mais diversos atores e farei alguma nota a respeito dessas técnicas.


Você percebeu que eu sequer me importo para o conteúdo da conspiração em si e qual é o seu uso político? O que me interessa é perceber tecnicamente a teoria conspiratória e compreender tecnicamente o que cada ator dentro desse contexto fez. Ou seja, o que me importa é técnica. Se Q. disse que Trump ou o Biden são os salvadores do mundo, pouco me importa.

É por isso que eu fui desenvolvendo minhas próprias ferramentas de guerra narrativa, psicológica, memética, conspiratória, alegórica, metapolítica, noumenônica e por aí vai. A minha questão está centrada nas artes da guerra da mente e não em uma doutrina filosófica, política, econômica ou cultural.

Até mesmo na esfera do discurso, como você poderá notar em um ou dois insider clubs anteriores, temos pontos radicalmente divergentes: enquanto eu adoto múltiplas camadas de possíveis interpretações para SEQUER ser compreendido e afetar apenas um seletíssimo grupo de leitores, a Juventude Trabalhista adota um sistema que busca aumentar e expandir o seu número de membros. Meu trabalho é pautado na DISSOCIAÇÃO MAJORITÁRIA: não quero muitas pessoas compreendendo o que eu digo e participando do que eu faço.

Se você usar uma IA para testar a Esochannealogy 6.0 e a Hauntological Esochannealogy 1.0 perceberá que a sua natureza é INTER-IDEOLÓGICA e METAPOLÍTICA:


Se usar a Magolítica Game, perceberá o mesmo:


O objetivo da Juventude Trabalhista e do Leandro é amplificar o movimento trabalhista e a ideologia trabalhista. O meu é construir sistemas de guerra mental cada vez mais precisos e tecnicamente eficientes em disruptividade. É por isso que não me importo minimamente com o que eles fazem ou deixam de fazer.

Recomendo que leia esses dois insider clubs: