segunda-feira, 20 de abril de 2026

Memória Cadavérica #44 — Um Conservador Diferente

 


Memórias Cadávericas: um acervo de textos aleatórios que resolvi salvar (no blogspot) para que essas não se perdessem.


Contexto: uma resposta breve e razoável.


Eu considero que o marxismo de Deng Xiaoping é o socialismo chinês que se conecta com o pensador Confúcio, uma espécie de conservadorismo confuciano que se mescla com marxismo. Isto é, mantêm-se certos aspectos do planejamento central, mas adicionam-se aspectos de mercado e de mentalidade confuciana. Christopher Lasch provou que é possível um conservadorismo que bebe das fontes do marxismo e da teoria crítica. Já George Grant traz um conservadorismo que bebe de Nietzsche, Hegel e Heidegger. Eu seria uma espécie de Red Tory moderno, conectado com os Never Trumpers e conservatário (conservador libertário, tal como Nelson Rodrigues e Christopher Buckley) nos costumes. Adquirindo aspectos rurbanistas de Gilberto Freyre e distributistas de G. K. Chesterton.


Christopher Lasch é, para mim, um caso paradigmático. Ele constrói o que chama de "populismo radical", uma crítica do progressismo liberal e do capitalismo de mercado que mantém a sensibilidade antimoderna do conservadorismo, mas herda a preocupação marxista com as consequências humanas do capitalismo desenfreado. Essa é uma tradição real que é dialogante com a tradição Red Tory. Lasch é influenciado pelo marxismo de E. P. Thompson e é crítico tanto do capitalismo de consumo quanto do progressismo liberal das elites. Apresenta noções como os limites humanos contra o progresso ilimitado, o valor do trabalho produtivo das classes médias e baixas, as comunidades locais e tradições contra a meritocracia globalizada e a nova classe de profissionais-gerentes.


George Grant, por sua vez, é representante de um conservadorismo que não teme Hegel ou Heidegger, isto é, que aceita a modernidade em seus termos filosóficos mais radicais, não como negação, mas como confronto. O socialismo chinês me aparece como um conservadorismo confuciano mesclado com marxismo. Há algo de extremamente conservador nessa leitura do marxismo pelo PCC (Partido Comunista Chinês): o confucionismo sempre priorizou a ordem hierárquica, a harmonia social, o papel do Estado como tutor moral. O PCC herdou essa estrutura de pensamento, apenas substituiu o Imperador pelo Partido. O que dialoga quase que perfeitamente com noções desenvolvidas pela tradição Red Tory do conservadorismo. Se o socialismo com características chinesas procura a harmonia social e apresenta o bem comum como objetivo, o Red Tory traz uma sensibilidade social que também atua na defesa da ordem, hierarquia e comunidade orgânica. O Estado não é inimigo da tradição, mas instrumento do bem comum contra o individualismo liberal-capitalista puro. George Grant será a integração da dialética e historicidade hegelianas, com a crítica da modernidade niilista de Nietzsche e a tecnologia como destino metafísico de Heidegger. Para Grant, o conservadorismo autêntico não negará a modernidade, mas enfrentará em seus termos mais profundos. Ele questiona a "vontade de vontade" tecnológica, visto que essa dissolve particularidades nacionais, tradições e limites morais.


Gilberto Freyre e G.K. Chesterton convergem em um ponto: ambos desconfiam da concentração, seja de terra, capital ou poder. O distributismo de Chesterton e o rurbanismo de Freyre compartilham uma intuição pré-capitalista: que a comunidade local, a propriedade difusa e a economia moral são superiores à lógica industrial abstrata. A síntese rurbanista-distributista é uma forma de conectar o Brasil rural e urbano, desconfiando da histórica concentração latifundiária no campo e da concentração oligopolista no meio urbano.


Nelson Rodrigues, por meio da sua dramaturgia, e Christopher Buckley, por meio de suas novelas, apresentam um conservadorismo que não é moralista, mas socialmente crítico do moralismo chauvinista de setores da direita. Eles representam o conservadorismo antimoralista, crítica do moralismo burguês, seja de esquerda ou de direita. Opõem-se ao falso pudor, enquanto defendem uma visão trágica e realista da natureza humana. Quando juntos, vemos um conservadorismo espirituoso, literário, cético quanto ao moralismo chauvinista. Isso evita um conservadorismo puritano que se afasta das realidades humanas mais complexas.


A minha conexão com os Never Trumpers se da pela conexão estética e estilista, isto é, a rejeição de um populismo grosseiro e a defesa de costumes ligados a academicidade e institucionalidade como norte político.


Acabo de ler "The Governance of China" de Xi Jinping (Lido em Inglês/Parte 3)

 


Nome:
The Governance of China

Autor:
Xi Jinping

Nesse artigo, Xi Jinping traz luz a uma questão fundamental: o que é o socialismo com características chinesas?

O socialismo com características chinesas, nos informa Xi Jinping, é baseado na conexão ou na integração entre a teoria do socialismo científico e as teorias do desenvolvimento social da história chinesa.

Novamente Xi Jinping trará a importância de Deng Xiaoping e a importância de um ponto de vista marxista a respeito do desenvolvimento. Sempre olhando para o que está mudando e para o que permanece no cenário internacional, nacional e dentro da situação do partido.

Em relação a Deng Xiaoping, Xi Jinping estabelece que Deng foi importante para ensinar como construir, consolidar e desenvolver o socialismo na China, país que era economicamente e culturalmente subdesenvolvido. Com isso, Deng Xiaoping elevou a compreensão do socialismo a um novo nível científico.

Quanto à pergunta sobre o socialismo com características chinesas ser ou não ser socialista, Xi Jinping confirma que é socialismo. O socialismo deve ser pautado na seguinte questão: "Como resolver um problema histórico dentro de um país?"

O socialismo, segundo o pensamento de Xi Jinping, deve ser uma resposta à história e à realidade em que está situado. É por tal razão que a China desenvolveu o seu socialismo com características chinesas. E isso explica as fases pré-reforma e abertura e pós-reforma e abertura. Elas não são antagônicas, mas lições históricas sobre como desenvolver o socialismo chinês.

Xi Jinping termina o seu artigo afirmando que o socialismo avança pela prática, sempre sendo questionado a respeito do que se sabe e do que não se sabe. É por isso que ele compreende que o marxismo e o socialismo devem ser pensados a partir de condições de desenvolvimento, isto é, adaptados às condições sociohistóricas.

Acabo de ler "The Governance of China" de Xi Jinping (Lido em Inglês/Parte 2)

 


Nome:
The Governance of China

Autor:
Xi Jinping

O programa de Xi Jinping é o programa da modernização socialista. Uma modernização que entra no acúmulo de conhecimento histórico do socialismo com características chinesas por mais de 90 anos. Esse acúmulo de conhecimento é chamado de leis do socialismo com características chinesas.

Nesse artigo, Xi Jinping fala das gerações do socialismo chinês:
- Primeira Geração: Mao Tsé-Tung;
- Segunda Geração: Deng Xiaoping;
- Terceira Geração: Jiang Zemin.
- Quarta Geração: Hu Jintao;
- Quinta Geração: Xi Jinping.

O propósito segue o de tornar a China um país próspero, democrático, culturalmente avançado, harmônico e com um socialismo moderno até 2049.

A forma de como fazer isso é dividida em três partes complementares: 

1. Caminho: o jeito de chegar ao objetivo;
2. Teoria: o guia para a ação;
3. Sistema: a garantia fundamental.

O progresso é visto holisticamente, conectando economia, política, cultura, sociedade, ecologia e outras formas de progresso. O foco central está nas forças produtivas. O objetivo é adaptar o marxismo às condições chinesas.

Os componentes intelectuais do marxismo chinês são:
- Marxismo;
- A Teoria de Deng Xiaoping;
- Marxismo-leninismo;
- O pensamento de Mao Tsé-Tung. 

Xi Jinping alerta sobre a necessidade de construir sistemas que demonstrem a superioridade socialista do sistema político socialista chinês. Ele também fala que a China está no estágio primário do socialismo. Estabelecendo que o Partido Marxista deve ter:
1. O ideal comum de construir o socialismo chinês;
2. O objetivo fundamental de realizar o comunismo.

Além disso, adiciona que é preciso ter harmonia entre diferentes componentes. As relações de produção devem ser harmônicas com as forças produtivas. A superestrutura deve ser harmônica com a base econômica. O desenvolvimento deve ser harmônico com a estabilidade. A defesa nacional deve ser harmônica com a política doméstica e as relações internacionais.

No final, Xi Jinping fala novamente sobre o problema da corrupção. Diz que a natureza avançada do partido é o marxismo e que os membros do partido devem acreditar no marxismo e ter fé no socialismo e no comunismo.


Retrowave #9

 


Retrowave: uma saga de frases de pessoas ilustres que resolvi colocar em retrowave.

Acabo de ler "The Governance of China" de Xi Jinping (Lido em Inglês/Parte 1)

 


Nome:

The Governance of China


Autor:

Xi Jinping


Tentarei me focar nos pontos centrais. Essa fala ocorreu no 18º congresso nacional do Partido Comunista chinês. Nele, Xi Jinping comemora o progresso que o Partido Comunista vem dando à China, mas alerta que o trabalho duro precisa continuar. O objetivo é tornar a China um país crescentemente mais próspero e forte. A China, recorda Xi Jinping, tem cinco mil anos de história e já contribuiu muito para a humanidade. Além disso, recorda que o Partido Comunista chinês foi fundado em 1921. Esse diálogo é do dia 15 de novembro de 2012


A meta central é o rejuvenescimento da China enquanto nação. A China precisa continuar a contribuir para a humanidade.


Xi Jinping avisa quais são as demandas do povo chinês:

- Melhor educação;

- Mais empregos estáveis;

- Mais renda;

- Segurança social confiável;

-  Melhores cuidados médicos e de saúde;

- Melhores condições de habitação;

- Ambientes mais bonitos;

- Filhos crescendo com bons empregos e vidas apreciáveis.


O trabalho do Partido Comunista seria o de dar ao povo uma vida feliz. O partido, alerta Xi, só poderá fazer isso por meio do trabalho duro. É preciso desenvolver as forças produtivas e resolver os problemas do povo, sejam eles no trabalho ou na vida. Isso só é possível quando o partido resolutamente perseguir a prosperidade comum. Xi também alerta do problema da corrupção. Estabelece que o núcleo da liderança é o avanço do socialismo com características chinesas.


Xi termina falando do poder que só é conquistado pela união e que o povo é o verdadeiro criador da história. Fala sobre a China precisar de mais conhecimento do povo e do mundo precisar de mais conhecimento da China.

domingo, 19 de abril de 2026

Nas Garras do Dragão #6 — Contenção Chinesa: um sonho impossível!

 



Durante muitos anos, a China criou uma estratégia de longo prazo. Essa estratégia tornou as fábricas chinesas indispensáveis para o mundo. Atualmente a China é a única superpotência industrial do mundo.

- China: 4,16 trilhões de dólares 
- Índia: 721 bilhões;
- Alemanha: 845 bilhões;
- Estados Unidos: 2,41 trilhões.

Ou seja, enquanto a China representa 4,16 trilhões, os outros três (Índia, Alemanha e Estados Unidos) representam 4,11 trilhões. 

A economia também é diferente. Os Estados Unidos são o banco do mundo. China é o motor. Recentemente, a China também é detentora das três novas indústrias: veículos elétricos, baterias de lítio e painéis solares. Quanto mais o tempo passa, mais a China domina toda a cadeia de suprimento. Além disso, a China detém grande parte da revolução ecológica.


A China é a fonte primária do que há de mais essencial na tecnologia. Os Estados Unidos, por temerem a perda da sua hegemonia, visam paralisá-la ou contê-la. Como? Por meio de sanções. O problema é que as sanções só funcionam se o alvo for isolado. Tentar isolar a China é como tentar isolar o país que é responsável pelos componentes do seu hospital, da sua telecomunicação e do hardware de suas forças armadas. Paralisar ou conter a China pode ser prejudicial aos próprios aliados dos Estados Unidos.


Enquanto os Estados Unidos e parte do mundo ocidental pensam na estratégia de desacoplamento (retirar a China de suas economias), a China vai criando novas alianças. Houve um longo caminho de parceria com a Oceania e o chamado Sul Global. Hoje em dia, a China é a maior parceria comercial de cerca de 140 países. Se os países tiverem que escolher, escolherão o país que constrói as suas pontes, que lhes fornece seu 5G e que lhes providencia veículos elétricos mais baratos.


Se os Estados Unidos dominam os softwares e a finanças, a China é especialista em produção industrial inteligente. Em 2025, a China exportou cerca 51,1% dos robôs industriais do mundo. Ela produz, ela usa e ela exporta. A China também produz cerca de 60% dos veículos elétricos e aproximadamente 80% dos painéis solares. Com a Rota da Seda, a China leva portos essenciais, trens de alta velocidade e redes de fibra óptica.


A China não precisa vencer uma guerra militar, eles vencerão pela paz. Quando se tem a economia mais eficiente, mais integrada e mais essencial da Terra, a contenção é um sonho impossível. Hoje em dia, a China é a chave da prosperidade para os outros países do mundo. Vivemos numa realidade multipolar.

Retrowave #8

 


Retrowave: uma saga de frases de pessoas ilustres que resolvi colocar em retrowave.


Nota: isso é uma comparação entre o "bem" na visão aristotélica e na visão lockeana.