sexta-feira, 19 de junho de 2026

Acabo de ler "The Storm is Upon Us" de Mike Rothschild (lido em inglês/Parte 1)

 



Nome:

The Storm is Upon Us - How QAnon Became a Movement, Cult, and a Conspiracy Theory of Everything


Autor:

Mike Rothschild


Nota do Cadáver:

As notas têm aspectos de receita para compreender melhor como funcionam as técnicas do Q. e, por extensão, QAnon. O Blogspot Cadáver Minimal não se solidariza e nem endossa teorias da conspiração e extremismo.


— Metodologia do QAnon:

1. Mensagens vagas e crípticas: isso eleva a curiosidade e gera o impulso de investigação pessoal, criando os efeitos secundários de puzzle (quebra-cabeça) e world building (construção de mundo);

2. Teorização e interpretação recompensadas: isso cria um caráter de comunidade e faz com que a teoria da conspiração se torne uma teoria da conspiração open source, o que eleva a possibilidade dela se tornar uma super teoria da conspiração, já que aumenta o número de contribuintes e possibilidades narrativas;

3. Estratégia comunicacional: vagueza cria resiliência e flexibilidade, ininteligibilidade cria a possibilidade de não-falseabilidade e a inverificabilidade cria a possibilidade de não ter ônus de prova;

4. Drops: apresentam conspirações, enigmas, questões retóricas e ausência de desilusões. Textos em formato de bit, frases que colam e informação em formato críptico. Isso tudo gera uma forma elíptica, um efeito de corrida sem fim;

5. Decodificadores: são os interpretadores para fins de world building (construção de mundo), tornam-se também celebridades internas da comunidade e desenvolvem dependência de padrões (pattern addiction);

6. Conspiração Open Source: em vez de um sistema fechado, onde o leitor pode ser meramente observador, o método do Q. envolve em gerar soldados digitais para efeito de world building (construção de mundo), o que possibilita a geração de uma super teoria da conspiração e a sensação de pertencer a uma comunidade maior.


Acabo de ler "Operation Mindfuck" de Robert Guffrey (lido em inglês)


Livro:

Operation Mindfuck: QAnon and the Cult of Donald Trump (2022)


Autor:

Robert Guffrey


Meses atrás, enquanto escrevia alguns textos, as pessoas me diziam que eu via conexões estranhas entre o discordianismo, o Pizzagate, o Cult of Kek e o QAnon. Hoje em dia, ao ler outros livros, vejo que as linhas traçadas em "minha mente delirante" não são apenas "conclusões aleatórias", mas sim hipóteses ou conclusões de diversos autores renomados. O que é curioso, continuo a ser um total estranho no Brasil. Talvez eu tenha nascido no país errado. Talvez eu esteja investigando algo que muitas pessoas, no Brasil, não tenham especial interesse em pesquisar.


Mais uma vez, um livro sobre QAnon. Mais uma vez, um assunto estranho. Ler livros é algo que faço com deleite, mesmo que o assunto seja considerado bizarro. Ler livros sobre assuntos bizarros ou excêntricos é algo que gera afastamento social. Se tem algo que aprendi em minha estranheza, é deixar os assuntos prediletos para discutir com gringos ou com IAs. Não só leio livros bizarros, eu sou bizarro. Não só leio livros estranhos, eu sou estranho. Não só leio livros excêntricos, eu sou excêntrico. É assim desde o começo da minha vida, por qual razão seria diferente agora?


Como expliquei anteriormente, venho andado ocupado. Tenho feito dois cursos, um no Anhangabaú e outro em Pinheiros. A minha sorte é ter um bilhete especial graças ao meu autismo. Graças a isso, existe uma escassez de conteúdo no Blogspot a qual tento preencher. Ler livros no ônibus, no trem e no metrô é a minha forma de arrumar um jeito de trazer conteúdo para cá. Embora seja engraçado o curioso acaso de eu estar no transporte público lendo sobre uma estranha seita surgida em fóruns anônimos. Espero, para minha sorte, que nunca criem um mecanismo que revele os livros que as pessoas leem no transporte público.


Os leitores do Blogspot já estão cansados de explicações a respeito de como o QAnon surgiu no 4chan e no 8chan. Talvez tenham pouco interesse em ler esse livro, mas eu lhes garanto que vale muito a pena. Em primeiro lugar, Robert é engraçadíssimo e tem um humor muito bem construído e inteligente. A analogia central do autor é o Operation Mindfuck, técnica empregada pelos discordianistas para culpar os "Illuminati" e outras organizações bizarras por cada caso público que pipocasse. QAnon seria uma forma "similar", todavia, o plano central é um golpe de Estado liderado por Donald Trump. 


O autor empregará, durante o livro, uma densa pesquisa histórica sobre teorias da conspiração, análise política e contatos que teve com "crentes" das teorias conspiratórias de Q. Além disso, construirá o argumento central: QAnon não foi um mistério criado organicamente ou uma teoria da conspiração surgida espontaneamente, mas uma operação psicológica altamente engenhada. Ou seja, uma colcha de retalhos de material reciclado de ficção pulp, pranks contraculturais dos anos 1960-70 (como o Operation Mindfuck dos Discordianos de Robert Anton Wilson e Robert Shea, já comentada em textos anteriores), truques sujos à la Nixon e manipulação midiática. O objetivo central de tamanha engenharia técnica seria o de capturar a atenção, lealdade e energia de seguidores vulneráveis, transformando-os em uma base fanática que serve a uma agenda política autoritária/fascista corporativa.


Quanto mais o tempo passa, mais eu vejo a correlação entre fenômenos arquétipo-meméticos e a sua construção lado a lado com teorias da conspiração para a obstrução da sociedade liberal e o desmantelamento da ordem civil.


O livro acerta em cheio em suas doses de humor. De certa maneira, lembrou-me o Rick Wilson. O leitor ou a leitora não conseguirá mensurar há quantidade de vezes em que, no meio do ônibus, do trem ou do metrô, eu dei risadas sinceras. Isso é bom, gosto de livros que marcam a mente e alegram o coração. Esse livro é todo marcado por aquela expressão latina: "Ridendo castigat moris" (rindo-se purificam-se os costumes).

quinta-feira, 18 de junho de 2026

Weirdposting #8 — About the basics!

 



>my great anon

>you don't know

>but you will know

>and it is about the basics, anon

>Anon, I love you

>And to love is to wish for someone's well-being

>It hurts that you aren't by my side

>but I hope you are well

>wherever you are

>my great anon

>you don't know

>but you will know

>and it is about the basics, anon

>In adulthood

>everything is about erudition

>and this is not about erudition

>you will remember the people you have loved in every person you come to love

>every great pain you feel will remind you of every new great pain that comes your way

>the people you saw in your childhood will die or appear to you with hands full of warts

>you will notice this over time and feel the weight of mortality

>my great anon

>you don't know

>but you will know

>and it is about the basics, anon

>you will realize that adult life is the perception of the past

>and that the past is the making-present of death



domingo, 14 de junho de 2026

Acabo de ler "The Other Pandemic" de James Ball (lido em inglês)


 

Nome:

The Other Pandemic: How QAnon Contaminated the World


Autor:

James Ball


A obra de James Ball nos faz pensar sobre diversos pontos. Suas conclusões são semelhantes às minhas em diversos aspectos. Uma das centrais é que todos os movimentos channers, em suas diversas épocas, apresentam faces distintas da guerra memética. A metodologia pode ser diferente; todavia, todas se enquadram, em certo grau, na natureza de uma guerra memética. A centralidade de como memes atuam como genes, baseada na pesquisa de Richard Dawkins, é exposta com beleza, elegância e estilo. 


Atualmente, meus estudos sobre a ascensão do populismo de direita e meus estudos sobre guerra memética, teorias da conspiração e seitização estão intimamente conectados. Quanto mais estudo fenômenos como a Alt-Right, Gamergate, Cult of Kek, QAnon, Pizzagate, mais percebo a sua conexão com a política contemporânea. É interessante que o autor coloque o Cicada 3301 como parte desse trajeto. Já eu adicionei a SCP Foundation ao mesmo rol. Creio que um estudo aprofundado entre esses diferentes movimentos pode gerar um entendimento interessante sobre a natureza de nossa cultura memética. Além disso, um estudo entre memética (Richard Dawkins) e arquétipos (Carl Jung) seria uma pesquisa de grande validade intelectual.


Um posicionamento extremamente interessante é o de que o QAnon atua como um vírus memético que constrói por vias cibernéticas e depois atua na mente dos indivíduos, algo que nossos órgãos de saúde ainda não estão prontos para prever ou para paralisar. Além disso, não existem agências de saúde digital para evitar fenômenos como a radicalização em massa. A ideia de que existem memes corruptores, ou uma memética conspiratória corruptora, é de grande utilidade para compreender a forma como a Internet vem se criando e como intervenções futuras podem se desenvolver. A construção de um "sistema de saúde pública digital", que atue como identificador de sistemas meméticos-conspiratórios, seria algo interessante de se imaginar.


O livro fala bastante dos Estados Unidos. Só que podemos olhar fenômenos parecidos no Brasil. Um dos meus "prediletos" (alerta de ironia) é o chamado "kit gay". Uma teoria da conspiração que foi se implantando memeticamente pela sociedade. O uso eleitoral disso foi uma das maiores condições de nossas eleições. Lembro-me de uma vez em que cheguei a falar com um amigo: "Se houvesse de fato um kit gay e fosse gratuito, não acha mesmo que eu já não teria pedido o meu?" O fato é: estou até hoje procurando esse local mágico onde eu possa retirar meu kit gay. Caso algum leitor ou alguma leitora saiba, peço-lhe que me envie um e-mail.


O Brasil, além de casos de teorias memético-conspiratórias de ordem local, também é um grande importador dessas "iguarias". Quem nunca ouviu os financiamentos suspeitíssimos de George Soros? Um homem que financia toda uma série de movimentos, mas que nunca financiou um único churrasco meu. Aqui, evidentemente, fica uma indireta pra Open Society abrir uma caridade a esse pobre boêmio. Existem também teorias da conspiração envolvendo as caridades de Bill Gates, o que também é fácil de fazer: ele financia todo tipo de pesquisa científica; basta fazer algum cruzamento maluco e acusá-lo de alguma ideia insensata.


Hoje em dia, vemos muitas teorias da conspiração se expandindo memeticamente. Caso evidente é a transfobia sendo promovida dia sim, dia também. Tenho a "curiosa" sorte de ver até amigos LGBTs amplificarem partes dessas bobagens. Muitas das acusações são respaldadas pela mais absoluta ausência de dados científicos ou de pesquisa acadêmica. Esse tipo de conteúdo faz mais sucesso numa era de microleituras. Eu recomendo às pessoas estudarem menos por memes, influencers e vídeos curtos. Recomendo que abram mais o Google Scholar e o SciELO. Adquirir uma cultura de leitura de artigos, de leitura de livros e de estudos através de múltiplos cursos e escolas de pensamento é um dos melhores remédios contra teorias da conspiração e guerra memética.


Comecei a ler esse livro enquanto viajava para Curitiba. Enquanto voltava para São Paulo, também o lia. Li-o também enquanto ia para o curso ou enquanto voltava para casa. Lia também antes de dormir, algumas vezes dormindo sem perceber por causa do sono (chego em casa lá pras 23 horas). Tenho me afastado do ambiente digital e virado um peregrino de livros. Tenho buscado uma vida alegre entre livros, cursos, trabalhos e amigos. Isso me deixa mais "saudável".

quinta-feira, 11 de junho de 2026

Weirdposting #7 — Organized Troll Crime

 




>Look at this AI-generated image

>in Brazil, they call it “T9speak”

>If you decode the image you will read

>“Palhaços felizes no recinto; tem gente que já levou torta.”

>In English, the message will be

>"Happy clowns in the enclosure, there are people who have already been pie-thrown"

>What the fuck is that?

>is a message other criminals

>happy clowns = police

>the enclosure = imageboard

>pie-thrown = MBA = Mandato de Busca e Apreensão = SSW = Search and Seizure Warrant

>How do people do that?

>They use a simple T9 dictionary

>2 = A, B, C

>3 = D, E, F

>4 = G, H, I

>5 = J, K, L

>6 = M, N, O

>7 = P, Q, R, S

>8 = T, U, V

>9 = W, X, Y, Z

>A = 2

>B = 22

>C = 222

>D = 3

>E = 33

>F = 333

>G = 4

>H = 44

>I = 444

>J = 5

>K = 55

>L = 555

>M = 6

>N = 66

>O = 666

>P = 7

>Q = 77

>R = 777

>S = 7777

>T = 8

>U = 88

>V = 888

>W = 9

>X = 99

>Y = 999

>Z = 9999

>first: they write a message

>second: they translate into T9speak

>third: they create an image in an AI

Reality is disturbing. I hate troll crime.

quarta-feira, 10 de junho de 2026

Memória Cadavérica #52 — Diagonalismo



Memórias Cadávericas: um acervo de textos aleatórios que resolvi salvar (no Blogspot) para que esses não se perdessem.


Contexto: trechos de uma conversa no WhatsApp.


Grande parte das ciências humanas hoje se resume a dar voltas em círculo para justificar a própria doutrina. Muita gente não entra, nas ciências humanas, para estudar múltiplas escolas de pensamento e ver a veracidade das suas ideias parte por parte, mas para justificar TEOLOGICAMENTE a sua DOUTRINA DE FÉ. Falas como: "deixa eu te mostrar a solução (escola de pensamento) para" soam como porres repetidos.


Hoje em dia creio que: ideologias comparadas >>>> ideologia.


Extrair o melhor de cada teoria, as suas partes que deram mais certo, é o melhor para todos nós. No Brasil, temos apenas uma fábrica de idealistas que não se comprometem com os preços de suas próprias ideias. O problema da democracia horizontal sempre aparece. Como o seguinte exemplo:

1. Crie uma nova política de alfabetização;

2. Aumente o número de analfabetos;

3. Você não precisa se justificar pois existem otários para defender as suas ideias, mesmo que disfuncionais, e te reeleger.


Se fosse uma democracia mais vertical/tecnocrática, esse quadro seria impossível. Em verdade, defendo um regime híbrido entre a democracia representativa vertical e a democracia representativa horizontal, o qual chamo de democracia representativa diagonal. Acredito que se os índices de qualidade de vida diminuíram, logo a pessoa não pode ser reeleita e tampouco pode ir para cargos de maior responsabilidade.

Notas Marginalistas #2

 


Notas Marginalistas:

Como o blog estava "meio abandonado" por causa de uma série de ocupações, resolvi estudar e escrever sobre um curso que estou fazendo na Marginal Revolution University. Esse curso é o "Economic History of the Soviet Union" da professora Guinevere Liberty Nell. Espero que com essas pequenas notas eu possa preencher o Blogspot com algo proveitoso.



A estrutura não será a de "uma aula = uma nota", mas sim as anotações que fiz no caderno independentemente da quantidade de aulas que realizei.

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No âmbito econômico, existem diferentes sistemas. O sistema econômico planejado, o sistema econômico misto, os países mais dados à livre iniciativa do mercado, o socialismo de mercado, os diferentes tipos de anarquismos.

A professora trata mais especificamente do regime econômico soviético. Esse regime econômico, baseado nas teorias marxistas, apresenta um domínio pleno da propriedade pública e um domínio pleno do planejamento econômico.

Em uma das aulas, a professora diz que pretende seguir o modelo de investigação proposto por Elinor Ostrom. Esse modelo advoga que é melhor analisar um organismo simples; isto é, para o processo investigativo, faz-se necessário o mais simples modelo de organismo para a observação.

Em uma aula, ela cita algumas linhas históricas que percorrerá:
1. Estudo de Marx;
2. Estudo de Lênin;
3. Teoria e Prática Marxistas.

A professora também fala sobre a importância de se estudar a teoria do valor-trabalho (TVT). Essa teoria, que é base da justificação do socialismo, trabalha com a ideia de que todo valor provém do trabalho (do esforço e da habilidade). Essa teoria, segundo críticos, se contrapõe a ideias de preferências subjetivas e escassez.

A professora nota que parte dos direitos de propriedade, no raciocínio de muitos intelectuais, também se baseia na teoria do valor-trabalho. Essa construção teórica se dá pela noção de que quanto mais misturamos nosso trabalho com algo, mais ele é nosso. Isto é, nosso trabalho é a nossa extensão no mundo.

Há também uma explicação entre o valor subjetivo, o trabalho socialmente necessário e o trabalho útil (aos fins da sociedade). Existe também um mecanismo de cálculo que é apresentado como explicação do modelo marxista:

O nível médio da tecnologia + o nível médio de habilidade = o tempo necessário de trabalho.

Existirá o argumento, que é bastante central, de que os trabalhadores não recebem inteiramente pelo seu trabalho. Parte do valor produzido pelos trabalhadores é retida pelos capitalistas. Essa teoria leva à ideia da mais-valia. Além disso, adiciona-se que múltiplos valores subjetivos, com infinitas gradações e dimensões de valores, são ignoradas pelos teóricos marxistas (teoria do valor subjetivo).