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sexta-feira, 24 de julho de 2026

Acabo de ler "The Collapse of Communism" de Vários Autores (lido em inglês)

 



Nome:

The Collapse of Communism


Autores:

Foreword / John Raisian

Introduction / Lee Edwards

1. The Year of Miracles / Lee Edwards

2. The Grand Failure / Zbigniew Brzezinski

3. The Fall of the Soviet Union / Richard Pipes

4. The Stalin Era / Robert Conquest

5. The Highest Stage of Socialism / Martin Malia

6. The Silent Artillery of Communism / Michael Novak

7. The End of Communist Economics / Andrzej Brzeski

8. Why the Cold War? / Brian Crozier

9. Judgments and Misjudgments / Paul Hollander.

(Nota: preferi copiar e colar pois eram muitos autores)


Quando eu era adolescente, lia muito Lênin. Li também outros teóricos do socialismo. Karl Marx se provou bastante útil. Li também anarquistas como Proudhon e Bakunin. Minhas influências centrais eram meu tio, que era comunista, e meu pai, que era anarquista. Com meus atuais 29 anos de idade, a adolescência parece distante e o socialismo soviético, que encantou minha juventude, ainda mais. De tempos em tempos, leio algo sobre o socialismo soviético e, ainda assim, não compreendo a razão de ele passar a impressão de ser tão pesado.


Não cresci numa época em que o socialismo soviético ainda existia. Nasci em 1996. Minhas memórias mais antigas estão nos anos 2000 e 2001. Quando eu crescia, a única coisa de que se falava sobre socialismo era a China. Ninguém, todavia, apresentava-me a China como a figura obrigatória que é hoje na discussão geopolítica e geoeconômica. É evidente que, mesmo tomando notas da União Soviética e consultando diferentes autores, as questões centrais sobre seus desdobramentos ainda não se fixaram inteiramente em minha mente. Na minha cabeça, a União Soviética é uma incógnita permanente tal como o é na cabeça de um marxista. Procuro-a sob os mais diversos ângulos.


Durante um bom tempo, falava-se da vitória neoliberal e neoconservadora. Ler autores neoconservadores e pós-neoconservadores me retornou a essa questão. O triunfalismo neoconservador e ocidental, pelo que me parece, não está tão em voga quanto antigamente estava. Hoje em dia, fala-se muito mais da China e do papel do Estado no desenvolvimento econômico. Essa questão pesa muito mais caro aos Estados Unidos. Aqui parece que estamos no tempo Reagan por falta de alguém conferir o calendário.


Atualmente parece que os Estados Unidos não se acertam. Enquanto isso, a China vai impressionar o mundo em cada setor em que se apresenta. Nesse show de mágica do século XXI, a China é a grande maga que tira coelhos da cartola enquanto os Estados Unidos tentam entender o que se passa. Alguns dizem que a China é impressionante por ter aderido ao capitalismo; outros dizem que o aspecto socialista é o que mais marca a China. Considero a China como um país socialista de mercado, mas isso é estranho demais para os binarismos que marcam a mentalidade do debate público brasileiro.


Pouco tempo atrás, quase tudo poderia ser respondido com "fim da história". Tudo se adaptaria ao sistema liberal e ao fim do jogo. Mais tarde, víamos que a ordem liberal, que parecia uma verdade eterna e superior a todo e qualquer questionamento, ia se esvanecendo e dando lugar a uma incerteza crescente. No meio disso, figuras intelectualmente céticas da ordem e da economia liberal iam surgindo e recebendo cada vez mais espaço. O questionamento, cabe-se mencionar, não vem só da esquerda; a própria direita está a romper com a chamada ordem liberal.


Os autores, enquanto escreviam esse livro, falavam com a certeza histórica de que viam o fim de um mundo e confirmavam a existência de um novo mundo que estava a surgir. A história, diga-se de passagem, não é uma deusa fácil de se conquistar e se manter; ela sempre brinca com os devotos que juram que a conquistaram. Até ontem, quase ninguém imaginava que os esforços do século XXI seriam na criação de inteligências artificiais cada vez mais potentes. Hoje isso permeia o debate público como se fosse um fato banal que sempre esteve ali.


Acompanhar o debate americano em inglês e estar estudando mandarim é algo que traz um dado deslocamento. Muitas vezes me perco. Já sentia isso antes quando comecei a ler em espanhol e vi o mundo se expandir para além daquilo a que estava habituado. Pergunto-me como será o tempo em que estarei habituado a ler em mandarim. Creio que primeiro vêm a surpresa e o desbravamento; posteriormente, tudo será normalizado. Estou sempre entre a surpresa e a normalização. Não que a vida não seja uma mescla de choques. Nunca se é inteiramente velho para não ter mais espanto com alguma novidade que soe como algo vindo de outro planeta.


Hoje em dia, vejo que as certezas que a deusa história apresenta estão mais como teias de ilusão tecidas por Maia. Até pouco tempo atrás, a internet parecia um local de entretenimento infinito, um reino mágico onde todas as preocupações subitamente eram substituídas por distrações graciosas. Atualmente, olhamos para uma alta polarização em que todo mundo está xingando todo mundo. Por incrível que pareça, eu gosto de livros por eles não me ofenderem nem dizerem falsamente que me amam.


Ler o passado não é apenas confirmar as certezas de nosso presente; é saber que o nosso presente é permeado por ilusões que, hora ou outra, podem desmoronar em nossa frente. Isso é válido não só para a União Soviética, que implodiu na frente de todos, mas também para nossas ideias aparentemente imortais.


Outra grande lição que aprendi, tentando compreender as coisas e as pessoas em minha solidão, é que só podemos compreender o que queremos compreender. Do mesmo modo, as pessoas só compreendem o que querem compreender. Muitas vezes, o ininteligível é mais volitivo do que aparenta ser. Muito do que está à nossa volta é emocionalmente incompreensível antes de ser intelectualmente incompreensível.


A União Soviética é, para alguns, o pesadelo que passou. A União Soviética é, para outros, o sonho que se perdeu. Até hoje não temos um consenso no debate público. Seria o horizonte do planejamento central algo que parou na penumbra da história ou seria uma má interpretação da obra marxista? Marx errou ou se atualizou? Não teria sido melhor um socialismo aberto, para múltiplos socialistas, em vez de uma ortodoxia de ferro e fogo? Essas são questões que continuo a me fazer, pouco importando o tempo que passa e os livros que leio. Não creio que eu esteja aqui para concordar ou discordar do socialismo ou do capitalismo. Não creio que eu seja suficientemente inteligente para tal. Para ser sincero, quanto mais estudo, menos acredito em qualquer sistema que seja. Quanto mais estudo, menos me vejo capaz de realizar afirmações.