Nome:
The Storm is Upon Us - How QAnon Became a Movement, Cult, and a Conspiracy Theory of Everything
Autor:
Mike Rothschild
Nota do Cadáver:
As notas têm aspectos de receita para compreender melhor como funcionam as técnicas do Q. e, por extensão, QAnon. O Blogspot Cadáver Minimal não se solidariza nem endossa teorias da conspiração e do extremismo.
— Metodologia do QAnon:
1. Padrão humano: o cérebro humano desenvolveu a capacidade de reconhecer situações perigosas; a capacidade de procurar padrões fornece ordem no meio do caos. Uma teoria da conspiração fornece o (re)conhecimento de perigo provindo de forças ocultas;
2. Explicação para o fracasso: as teorias da conspiração usualmente apresentam soluções favoráveis aos nossos vieses, apresentando atalhos mais interessantes que o reconhecimento do nosso próprio fracasso. Elas se conectam intimamente com nossos desejos, fracassos e suposições;
3. Necessidade de ser uma boa pessoa: nós queremos ser boas pessoas; vários seguidores do Q. faziam o que faziam pois queriam ser considerados boas pessoas;
4. Sensação de segurança e de controle: muitos que entravam no movimento QAnon buscavam adquirir importância, autoestima e sentido de vida;
5. Isolamento social e pessoas de mentalidade semelhante: isso gera uma disposição maior de seguir os passos da seita e garante conformidade e harmonia (sem questionamento) dos seus membros;
6. Ideação messiânica e solução: teorias conspiratórias usualmente apresentam a ideia de salvação. Isso é no fundo uma solução para algo;
7. Hobby e missão: Q. entretinha seus seguidores com mensagens crípticas que deveriam ser decifradas. Quando essas mensagens eram decifradas, os seguidores começavam uma missão contra o chamado "deep state" (estado profundo), o que também apresentava sentido existencial e propósito. Era como se as pessoas tivessem a sensação de serem parte de algo maior e mais importante em suas vidas;
8. Para perdedores: a maioria das pessoas que seguiam Q. eram reacionários que não suportavam a troca de costumes, a explicação mágica de Q. caiu como uma luva. Isso é um mecanismo comum em teorias da conspiração;
9. Autorreforço e looping de feedback: os mecanismos do Q., como escrito anteriormente, permitiam múltiplas interpretações e constantemente levavam à busca por padrões. Isso criava, além da adicção a padrões, um reforço de uma mente que buscava compreender Q. e suas mensagens em formato de quebra-cabeça.
— Nota especial:
Existe diferença entre teoria da conspiração, conspiração e guerra conspiratória (conspiracy warfare). Para quem estudou os escritos do esoterismo channer sabe, ou deveria saber, que Q. é estudado para compreender guerra conspiratória e não como uma teoria da conspiração a se acreditar.
