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sábado, 1 de agosto de 2026

O Necrológio Cadavérico #12 — Tempo de Isolamento

 



Se eu morresse hoje...


Essa seria a primeira vez que não me sinto como parte de absolutamente nada. Parece que estou a navegar por um oceano profundo em que a única sensação é a de um buraco negro, uma espécie de vazio devorador. Algo como uma gigantesca bola de sucção anuladora de existências. Eu tento me conectar com grupos, pessoas e coisas, mas parece que a única conexão que consigo de fato ter é com a distração.


Eu passo o dia jogando Palia e lendo livros.  Houve um período em que marcava encontros casuais ocasionais pelo centro de São Paulo para me distrair. Meu ápice foram três pessoas. Uma depois da outra. Não que eu tivesse vontade daquilo ou apetite por esse tipo de experiência. Estava tentando preencher o vazio com o orgasmo. Não funcionou.


Hoje foi a primeira aula do curso profissional de teatro. Tentei dar o meu máximo mesmo com o humor estando depressivo. Continuarei fazendo o curso até o final, mesmo que o meu humor permaneça o mesmo. Também continuarei estudando mandarim. Isso é um compromisso comigo mesmo. É pelo meu futuro. Quero me esforçar e evoluir. Meu estado mental, todavia, é um estado de retração.


Meus colegas me convidaram para beber. Tive que recusar. Beber tem me deixado depressivo e raivoso, com um imaginário detestável. Tal como se a minha sombra assumisse o controle e me controlasse. Eu não quero passar por isso socialmente. Prefiro que uma imagem, mesmo que melancólica, preencha esse espaço. 


Eu não creio que seja hora de romances, nem de sexo e nem de novas socializações. É tempo de recolhimento, estudo e meditação.