sexta-feira, 14 de novembro de 2025
NGL #12 — O que a nova geração deve fazer?
NGL #11 — Sou um vilão?
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Muitas vezes os conceitos de vilão e herói passam por construções e percepções históricas distintas. Confesso que tive períodos bastante tóxicos na minha vida e particularmente não me considero uma boa pessoa.
Também creio que estamos em uma era de automarketing moral onde todo mundo precisa passar a imagem de santidade (dentro dos parâmetros modernos), o que leva as pessoas a não considerarem os próprios erros... um dos primeiros passos para alguém se tornar mau é se crer bom. Creio que só lendo "A Gravidade e a Graça" da Simone Weil para compreender.
Para alguns, eu sou um vilão. Para outros, eu sou um herói. Lembro-me do bullying na pré-adolescência e na adolescência, além do deslocamento social por ser autista. Fora isso, as diversas experiências pessoas pela bifobia.
Passei minha vida em fóruns undergrounds e em livros. Muitas vezes vendo animes e lendo mangás, embora tenha me afastado bastante do ambiente otaku nos últimos tempos. Jogos? Joguei e ainda jogo vários, mas bem menos. Os únicos hábitos constantes são os livros. Hoje assisto mais vídeos informativos sobre Inteligências Artificiais e outros assuntos. Assista aqui e ali algum documentário. Fora isso, vejo uns vídeos sobre SCP Foundation antes de dormir. O livro que leio agora é "Running Against the Devil" do Rick Wilson. Um livro engraçadíssimo.
Quando falei mal do trumpismo e bolsonarismo, muitos ficaram extremamente irritados comigo. Quando fui um dos primeiros a trazer o termo "woke right" (direita woke) e acusar grande parte da direita de ser canceladora e censuradora, ocorreu o mesmo. Me dizem muitas coisas, me acusam de muitas coisas. Eu particularmente prefiro manter a crença particular que "as ideias têm consequências" (Richard M. Weaver) e seguir uma linha pragmática. O custo é o isolamento. Não sigo cartilha para ser considerado bom e prefiro ler múltiplas escolas de pensamento antes de chegar a uma conclusão temporária.
Não sei se eu poderia ser considerado "mau" ou um "vilão", vai do imaginário de cada um. Eu particularmente sou um pessimista antropológico e uma pessoa bem deslocada. Fora isso, mantenho uma vida relativamente liberal e amizades com pessoas dos mais diversos espectros políticos. Estou numa linha tênue e sei disso.
No fim, sou eu e os múltiplos livros que leio que estarão comigo.
NGL #10 — Eu virei trans?
Faça suas perguntas anônimas: https://ngl.link/lunemcordis
Não, não "virei trans". Você muito provavelmente deve estar comentando a minha foto de drag.
Faço alguns posicionamentos:
1. Ninguém vira trans, as pessoas nascem com disforia de gênero;
2. Não creio que alguém "vire trans", seja por carência ou por fetiche, isso parece ser mais uma teoria maluca e transfóbica da internet;
3. Como uma pessoa bissexual, sou mais inclinado a ser questionante dos padrões de gênero que são muitas vezes construções sociológicas, não biológicas. Qualquer coisa, pesquise "bissexualidade" no blogspot e haverá uma série de textos em que analiso artigos acadêmicos sobre o assunto. Muitas vezes, identifico-me como bigender por causa disso. Visto que há uma linha bastante tênue na compreensão popular entre sociologia e biologia, mas como uma pessoa bissexual, vejo as coisas dentro de uma perspectiva mais queer.
Espero que isso tenha resolvido a sua pergunta.
NGL #9 — Sobre o legado e as futuras gerações
Memória Cadavérica #30 — Sobre Christopher Buckley e Rick Wilson
Memórias Cadávericas: um acervo de textos aleatórios que resolvi salvar (no blogspot) para que essas não se perdessem.
Contexto: creio que quando escrevi essa breve nota, estava lendo "Thank You for Smoking" do Christopher Buckley. Realizei algumas alterações, como deixar o texto maior.
A forma satírica e a escrita do conservador Christopher Buckley é extremamente brutal. Ele apresenta tudo que um conservador deveria ser: inteligente, engraçado, cauteloso em suas posições, além de apresentar uma mistura de cultura popular e erudita.
Uma pena que o conservadorismo letrado se afasta cada vez mais do conservadorismo das massas — veja, por exemplo, o bolsonarismo e o trumpismo. Qualquer conservador como Rick Wilson e Christopher Buckley seria chamado de esquerdista no Brasil pela legião de pseudoconservadores desmiolados.
A geração trumpista e bolsonarista afastarão milhares ou milhões de acadêmicos e futuros acadêmicos que poderiam ter sido conservadores, mas que viram no conservadorismo um carnaval sem fim de teorias da conspiração, negacionismos de todas as espécies, sensacionalismos, produção de pânico moral, ódio às pessoas LGBTs e revisionismo histórico.
Negros terão que olhar para a revisionismo histórico sobre a escravidão, ver-se-ão afastados do conservadorismo. LGBTs, sobretudo pessoas transgêneras, verão o espetáculo LGBTfóbico do Project 2025. Olharão para milhões de mortes na época da Covid, e verão o uso obsceno de teorias da conspiração como tática política. Nada disso é, à longo-prazo, positivo.
Caberá aos conservadores intelectualizados construírem um movimento separado e discreto, longe do bolsonarismo e trumpismo. E, acima de tudo, CONTRA o bolsonarismo e o trumpismo. O que atrará meia dúzia de pessoas verdadeiramente interessadas nas escolas de pensamento conservadoras.
Memória Cadavérica #29 — A Arte Política
Memórias Cadávericas: um acervo de textos aleatórios que resolvi salvar (no blogspot) para que essas não se perdessem.
Contexto: originalmente postado no threads, expandido para melhor estrutura argumentativa.
Aviso: postagem com objetivo satírico.
Política pra gado:
- Figurinhas políticas pra quem não é inteligente o suficiente para estudar uma escola de pensamento.
Aqui estão os entusiastas que tratam celebridades pops da política como se fossem cantoras de música pop.
Política idealista:
- Escolas de pensamento que nunca se efetivam 100% na realidade. Debates pautados em vieses de confirmação onde a escola predileta é tido como santa e a escola de pensamento rival é tida como demoníaca.
Aqui estão as pessoas que acreditam piamente em uma escola de pensamento, sendo incapazes de fazerem sínteses de múltiplas escolas de pensamento, levando a uma auto-limitação intelectual grosseira.
Política pragmática:
- Estuda diversas escolas de pensamento e pensa num modelo .
Aqui estão aqueles que realmente deveriam governar e também a forma com que as pessoas deveriam estudar política, visto que só estes são capazes de gerar boas ideias, baseados no ceticismo e na prudência, tendo um experimentalismo comedido pela fusão de múltiplas ideias sintéticas. Entram aqui pessoas ilustres como Deng Xiaoping e Alexander Hamilton.
Política real:
- Psyops, guerra informacional, memética, guerra cognitiva.
Aqui está como a política realmente funciona. Uma permanente guerra de narrativas na qual várias mensagens são estudadas para ter efeito narrativamente positivo.
Memória Cadavérica #28 — Normies e condicionamento comportamental
Memórias Cadávericas: um acervo de textos aleatórios que resolvi salvar (no blogspot) para que essas não se perdessem.
Contexto: originalmente postado no threads, expandido para melhor estrutura argumentativa.
Aviso 1: "normie" é redditspeak e não chanspeak.
Aviso 2: "normie" seria aquilo que chamamos de pessoas normais, porém no sentido de serem genéricas.
Um(a) normie precisa sempre se questionar:
- Será que homens/mulheres gostam disso?
- Será que os(as) outros(as) acadêmicos(as) curtiram/curtirão?
- Será que vou conseguir uma parceria romântica com isso?
O(a) normie mede as suas ações com base na aceitação social/romântica que conseguirá de acordo com determinada ação. Em outras palavras, são movidos(as) pela carência. Isso é simplesmente patético.
Sai uma pesquisa que diz: "mulheres/homens (não) gostam de homens/mulheres que fazem isso". E, de repente, todos entram em uma reforma comportacional para ser objeto de adoração/aceitação. Do mesmo modo, aparece um: "socialistas/conservadores/liberais de verdade são assim". Do nada, todo mundo se ajusta ao comportamento coletivo.
Grande parte dos movimentos políticos contemporâneos se baseiam na carência para com os grupos que as pessoas se inserem. É como se o integrante tivesse que se questionar se determinado movimento ou fala poderia se encaixar bem ou não dentro da lógica do grupo.
Código do comportamento esperado = internalização do código para a aceitação social/romântica.
No fim, todo mundo precisa balançar bem o rabinho (aceitar e imitar o comportamento julgado adequado) para os mais amplos modismos que são sugeridos.






