Nota: esse texto foi produzido com base no curso "Teorias da Conspiração: A realidade em disputa" do Instituto Conhecimento Liberta. É da professora Letícia Cesarino.
4 Pilares da Teoria da Conspiração:
1. Nada é por acaso;
2. Tudo está conectado (não há coincidência);
3. Nada ocorre por acaso (tudo foi planejado);
4. Existe um grupo agindo nas sombras.
Temas correntes:
1. Ansiedade;
2. Crise.
As teorias da conspiração oferecem a possibilidade de solucionar um mistério oculto. Além disso, transferem o teórico da conspiração da margem para o centro. As comunidades de teóricos da conspiração são marcadas por gerar um pertencimento.
A grande maioria das teorias da conspiração que se provaram reais tinham:
1. Militares;
2. Agências de Inteligência.
Muitas vezes, para compreendermos teorias da conspiração precisamos primeiro fazer uma pergunta:
— Como o senso comum apreende problemas?
O trabalho do teórico da conspiração é baseado em arcos narrativos já consolidados no imaginário coletivo, ou seja, a estrutura narrativa precisa ser comum às sociedades em que se coloca a teoria da conspiração. Ao mesmo tempo, tudo deve remeter ao mesmo grupo (estrutura causal).
Aqui temos:
Estrutura Narrativa + Estrutura Causal.
1. A estrutura narrativa deve ser comum ao imaginário coletivo;
2. A estrutura causal deve levar a um mesmo grupo.
Outro ponto central é que a teoria da conspiração deve apresentar simultaneamente uma segurança afetiva e uma segurança epistêmica para pessoas inseguras. A teoria da conspiração serve como uma âncora.
Outro fator interessante é que a internet plataformizada é o que garante maior vitalidade às teorias da conspiração. A internet moderna funciona mais ou menos assim:
Influenciadores criam tendências e usuários comuns seguem essas tendências.
Em inglês, o teórico da conspiração é chamado de seeker. Isto é, ele é, por natureza, um buscador. O algoritmo, contudo, otimiza as informações com base no comportamento do usuário. Isso leva a uma retroalimentação. Por um lado, o teórico da conspiração busca. Por outro lado, o algoritmo o incentiva. A radicalização conspiratória é uma ascendente.
Outros pontos interessantes abordados nesse curso:
1. O papel das bolhas digitais para gerar a ausência de contraponto;
2. O nudging como um fenômeno gerado subliminarmente pelo algoritmo ao recomendar conteúdo conspiratório;
3. A conspiritualidade (espiritualidade pautada em teorias da conspiração).
Atualmente temos uma soma bastante tenebrosa:
Narrativas conspiratórias
+
Políticos
+
Moralidade/Religiosidade
=
Desenvolvimento da guerra conspiratória (conspiracy warfare) moderna.
Esse fenômeno pode ser visto em QAnon.
No Brasil, vimos a construção de uma radicalização por ondas informacionais de teorias da conspiração. Isto é, criou-se uma lente conspiratória baseada em arcos narrativos. Só lembrarmos as teorias que foram apresentadas:
- Voto Impresso;
- Fraude nas urnas eletrônicas;
- Fraude nas eleições;
- Inimigos que foram forjados narrativamente.
Tudo isso foi escalado por políticos, influenciadores e figuras públicas até gerar a tragédia que foi o 8 de janeiro de 2023.
