Memórias Cadávericas: um acervo de textos aleatórios que resolvi salvar (no Blogspot) para que esses não se perdessem.
Contexto: texto que fiz para compartilhar com meus amigos.
O homem apaixonado é como um vira-lata caramelo. Não existe nada mais febrilmente idiota que o homem apaixonado. E digo mais: não há idiotice mais tenra e feliz que o homem apaixonado.
Olhar para um homem apaixonado é como olhar para uma pessoa a cochilar numa rede num clube com piscina num feriado à tarde. O homem apaixonado é terrivelmente banal; ele passa por uma loja, ouve uma música tocando nela e se sente terrivelmente feliz por ter percebido que a música tocando era uma que ele conhece pela mulher que ama.
Digo que, em absoluto, o homem apaixonado não pode ser explicado por um metafísico da Grécia antiga e nem por um teólogo santo da Idade Média.
Creio que não é possível filosofar a respeito do homem apaixonado, visto que o ato filosófico é um ato de amor à sabedoria. O homem apaixonado está naquilo que chamamos de filocalia, isto é, no amor à beleza. Amar é um ato filocálico.
Você já viu a felicidade de um vira-latinha que foi adotado e agora toma água gelada e sempre tem comida e aconchego? Isso remete ao homem apaixonado em seu estado de febre concreta.
O homem apaixonado sorri totalmente de forma tola sem se importar em ser julgado, visto que o único julgamento que lhe importa é o da mulher amada e não o da tribuna social.
É por isso que eu digo sempre: nada mais simultaneamente idiota e encantador que a figura do homem apaixonado.
