terça-feira, 21 de julho de 2026

Acabo de ler "Republican Rescue" de Chris Christie (lido em inglês)

 


Nome:

Republican Rescue: saving the party from truth deniers, conspiracy theorists, and the dangerous policies of Joe Biden


Autor:

Chris Christie


Como salvar um partido de teóricos da conspiração? Essa pergunta, por mais infeliz que seja, poderia ser feita tanto nos Estados Unidos quanto no Brasil. Para nossa infelicidade, essa pergunta é dita apenas nos Estados Unidos. A cada dia que passa, nós brasileiros precisamos cada vez mais que tal questão seja também posta aqui.


Apesar do autor não ser um "Never Trumper", ele é um homem que chegou a conclusões extremamente semelhantes. A decadência dos Estados Unidos não se dá tão somente na esfera econômica; o ambiente cultural é permeado por uma mentalidade paranoica e conspiratória. O autor apontará teorias da conspiração que permeiam tal mentalidade, mas sabe de antemão que ela tem fins eleitoriais. Exemplos notórios são a negação da derrota eleitoral, o Pizzagate e o QAnon. O Partido, e sobretudo a base republicana, tornou-se refém de fantasias.


Uma das perguntas que precisamos fazer enquanto brasileiros é sobre a presença cada vez maior de teorias da conspiração em nossa política. Alegações sobre fraude eleitoral são uma constante em nosso cenário. Narrativas globais de dominação também aparecem várias vezes, tal como vemos em menções ao suposto globalismo e às velhas teorias sobre George Soros. O antissemitismo se torna, a cada dia, mais endêmico em certos grupos políticos e em redes sociais. Além disso, intervenções tradicionalistas desnecessárias à vida privada tornam-se um lugar comum: haja vista que o número de pessoas contra o casamento LGBTQIAP+ cresceu. A incapacidade de olhar para problemas reais vem se tornando algo comum entre a direita do Brasil e a dos Estados Unidos.


As primeiras partes do livro servem para apontar a relação do autor com o Donald Trump e para colocar as problemáticas centrais que o Partido Republicano precisa encarar. As partes finais servem para demonstrar os pontos que precisam ser enfrentados. O adversário interno é a esquerda e, de modo mais preciso, o Partido Democrata. O adversário externo é o ambiente internacional, sobretudo a nova guerra fria com a China. O autor usará, no último caso, a batalha que Reagan (e os EUA) travou com a União Soviética.


Os Estados Unidos vivem um momento de inflexão histórica e autoquestionamento da sua identidade. A velha questão sobre o que define a identidade dos Estados Unidos volta a ser posta. Reagan, por exemplo, via nos Estados Unidos a concretização de uma ideia. Donald Trump e grande parte da alt-right e dos nacional-conservadores verão que é a continuidade de um povo estabelecido. Isso impacta também na política migratória. Se os Estados Unidos são uma ideia a que aderem, logo a migração não é um mal. Se os Estados Unidos são um povo categorizado, logo a migração é uma substituição desse povo e o fim dos Estados Unidos enquanto nação.