A derrota de Flávio Bolsonaro é excelente para a direita nacional!
Quanto ao bolsonarismo, sou absolutamente republicano: desprezo completamente as suas pretensões monárquicas.
Quanto ao bolsonarismo, sou absolutamente protestante: desprezo completamente as suas pretensões de ser um papado conservador.
Imagine a seguinte situação:
Você é um conservador que cresceu lendo Russell Kirk, Nelson Rodrigues, Michael Oakeshott, Gustavo Corção, Antonio Paim, Carlos Rangel, Stuart Stevens, George Grant, Rick Wilson, David Frum, Eric Voegelin, Christopher Buckley, Christopher Lasch, Bruno Tolentino, Patrick Deneen, Paulo Francis, Carlos Nougué, G. K. Chesterton, Yuval Levin, etc., etc., etc.
Você leu teóricos de esquerda também, já que é um sujeito ilustrado. Sejam os clássicos marxistas, sejam os clássicos anarquistas, sejam até social-democratas.
Você se lembra de conversar com seus amigos. Falar emocionado que está trazendo escolas de pensamento da direita pro Brasil:
— A Nova Doutrina Econômica do Conservadorismo da American Compass;
— O Anglican Tory;
— O Red Tory;
— O pensamento de Charlie Kirk;
— Os chamados Never Trumpers;
— O movimento Reformicon;
— O pensamento de Alain de Benoist.
Aí você tem que parar. Parar e olhar. Olhar para uma família. Essa família se chama Bolsonaro. Os seus seguidores se chamam "bolsonaristas". Eles, que estudam o movimento intelectual conservador de um modo infinitamente inferior ao seu, devem ditar como você deve pensar e como deve se comportar. Aliás, eles acusam todo mundo que discorda deles de "serem um bando de esquerdistas".
No Brasil, estamos em um ponto agoniante. Nesse ponto de desespero, até figuras como Pondé se tornaram de esquerda segundo a mentalidade bolsonarista. Afinal, a direita é uma monarquia em que a família real é a família Bolsonaro. Ou seja, eles têm monopólio do que a direita pode pensar e ditam, tal como numa espécie de "infabilidade papel bolsonarista", tudo o que a direita pode ou não pode fazer.
Se Flávio Bolsonaro for ao segundo turno, voto em qualquer um que for contra ele. Meu voto não será, pura e simplesmente, de esquerda, de centro, de direita ou o que quer que seja. Meu voto será triunfalmente um voto antimonárquico, no sentido de ser contra a monarquia bolsonarista. Meu voto será radicalmente um voto antipapista, no exato sentido de ser um voto contra o papado da família Bolsonaro.
