quinta-feira, 3 de setembro de 2026

Memória Cadavérica #61 — Entre livros e cursos

 


Memórias Cadávericas: um acervo de textos aleatórios que resolvi salvar (no Blogspot) para que esses não se perdessem.


Contexto: texto publicado em um grupo de amigos no telegram.


Tenho feito cursos no ICL e lido livros de direita. Em outras palavras, tenho tido aulas com professores de esquerda e lido autores de direita. Isso é, por assim dizer, infinitamente mais interessante que sair por aí debatendo na internet ou vendo a sociedade do espetáculo performático que se inaugura mais radicalmente dia após dia.


Vocês não sabem a paz que é ler livros e fazer cursos, despreocupadamente, sem ler comentários raivosos de hordas digitais.


Quando alguma baboseira extraordinária ocorre, como pessoas se questionando o posicionamento político de chinelos ou pessoas tomando sabonete líquido... eu simplesmente posso ignorar.

domingo, 30 de agosto de 2026

Acabo de ler "O Mínimo sobre Olavo de Carvalho" de Ronald Robson

 


Nome:

O Mínimo sobre Olavo de Carvalho


Autor:

Ronald Robson


Quando penso na morte do Olavo de Carvalho, lembro-me de que conheci vários alunos dele. Muitos se tornaram amigos. Quando ele morreu, acompanhei com tristeza os pesares dos meus amigos. Até hoje vejo os vídeos do Olavo de Carvalho.


Olavo de Carvalho era um homem de muitas polêmicas. De qualquer modo, sempre soube separar aquilo de que concordava ou discordava dele. Creio que devemos ser assim com todos. Tinha vários amigos que, mesmo sendo alunos do Olavo de Carvalho, também eram assim.


Ler esse livro me trouxe memórias. Lembro-me de ter rido, várias e várias vezes, das postagens engraçadíssimas do Olavão no Facebook. Quando estava no início da faculdade de filosofia, ia com meu Kindle lendo o "Jardim das Aflições", a obra mais fantástica do Olavo.


Nunca fui, de certo, um olavista no sentido em que empregam esse termo. Lia Olavo de Carvalho e Leonardo Boff ao mesmo tempo. Sempre li autores de esquerda e de direita ao mesmo tempo. Creio que a nossa vida é mais amena quando a gente não odeia pessoas por causa das suas orientações políticas.


Esse livro é um presente, seja para quem ainda não conhece a obra do Olavo de Carvalho e quem já a conhece.

sábado, 29 de agosto de 2026

Memória Cadavérica #60 — O homem apaixonado é como um vira-lata caramelo!

 



Memórias Cadávericas: um acervo de textos aleatórios que resolvi salvar (no Blogspot) para que esses não se perdessem.


Contexto: texto que fiz para compartilhar com meus amigos.


O homem apaixonado é como um vira-lata caramelo. Não existe nada mais febrilmente idiota que o homem apaixonado. E digo mais: não há idiotice mais tenra e feliz que o homem apaixonado.


Olhar para um homem apaixonado é como olhar para uma pessoa a cochilar numa rede num clube com piscina num feriado à tarde. O homem apaixonado é terrivelmente banal; ele passa por uma loja, ouve uma música tocando nela e se sente terrivelmente feliz por ter percebido que a música tocando era uma que ele conhece pela mulher que ama.


Digo que, em absoluto, o homem apaixonado não pode ser explicado por um metafísico da Grécia antiga e nem por um teólogo santo da Idade Média.


Creio que não é possível filosofar a respeito do homem apaixonado, visto que o ato filosófico é um ato de amor à sabedoria. O homem apaixonado está naquilo que chamamos de filocalia, isto é, no amor à beleza. Amar é um ato filocálico.


Você já viu a felicidade de um vira-latinha que foi adotado e agora toma água gelada e sempre tem comida e aconchego? Isso remete ao homem apaixonado em seu estado de febre concreta.


O homem apaixonado sorri totalmente de forma tola sem se importar em ser julgado, visto que o único julgamento que lhe importa é o da mulher amada e não o da tribuna social.


É por isso que eu digo sempre: nada mais simultaneamente idiota e encantador que a figura do homem apaixonado.

quinta-feira, 27 de agosto de 2026

Estudos Lunáticos #6 — A Máquina Eleitoral da Guerra Cultural

 



Nota: esse texto foi feito com base no curso "A Economia da Atenção" do professor João Cezar de Castro Rocha. O curso foi realizado no Instituto Conhecimento Liberta.

A Guerra Cultural é a máquina eleitoral mais poderosa do século XXI. A estratégia empregada por essa máquina é a mobilização permanente. Isto é, a campanha eleitoral como forma permanente de atuação. Algo que lembra muito bem a estratégia de Napoleão Bonaparte.

Enquanto a direita leva a estratégia dos três Ls (Lacre, Like e Lucro), a guerra vai se tornando parte do cotidiano das pessoas e habituando-as a essa realidade.

A guerra cultural é o mais poderoso ecossistema de desinformação já criado. É na atmosfera da guerra cultural que narrativas extremistas se encontram lado a lado com as pautas de costume e a retórica do ódio. Se a arte política é a arte da concessão, a guerra cultural é a arte de coagir o outro a se submeter à sua vontade.

A Lei da Polaridade é fundamental:
- A se opõe a B e somente a B;
- B se opõe a A e somente a A.

É válido lembrar que a eliminação do outro é fundamentalmente antipolítica. Também é preciso compreender que a hegemonia é a luta pela liderança da consciência de uma sociedade, aceitando que sempre existirá oposição dentro dessa luta. Já a guerra cultural requer a eliminação de tudo que não é espelho.

— Etnografia da Guerra Cultural:
- Hipertemporalidade: agoridade constante (aqui e agora);
- Hiperpolitização do cotidiano: tudo é pautado politicamente;
- Negacionismo como método: sobretudo o negacionismo científico e histórico;
- Naturalização do absurdo: atos completamente ridículos ou desproporcionais são tratados como naturais;
- Caos cognitivo: incapacidade de discernir claro e escuro, sim e não, verdadeiro e falso.


A economia da atenção ensina que a racionalidade é limitada, que a economia como reflexão surge por causa da escassez e que a economia da atenção humana é limitada por causa do limite de nossa cognição. Em uma era de informação ilimitada, há a sobrecarga da cognição e beneficia-se quem mais utiliza de estratégias que solapam a racionalidade (o que leva a Teoria Mágica da Política).

Estudos Lunáticos #5 — Teorias da Conspiração e Radicalização


 

Nota: esse texto foi produzido com base no curso "Teorias da Conspiração: A realidade em disputa" do Instituto Conhecimento Liberta. É da professora Letícia Cesarino.


4 Pilares da Teoria da Conspiração:

1. Nada é por acaso;

2. Tudo está conectado (não há coincidência);

3. Nada ocorre por acaso (tudo foi planejado);

4. Existe um grupo agindo nas sombras.


Temas correntes:

1. Ansiedade;

2. Crise.


As teorias da conspiração oferecem a possibilidade de solucionar um mistério oculto. Além disso, transferem o teórico da conspiração da margem para o centro. As comunidades de teóricos da conspiração são marcadas por gerar um pertencimento.


A grande maioria das teorias da conspiração que se provaram reais tinham:

1. Militares;

2. Agências de Inteligência.


Muitas vezes, para compreendermos teorias da conspiração precisamos primeiro fazer uma pergunta:

— Como o senso comum apreende problemas?

O trabalho do teórico da conspiração é baseado em arcos narrativos já consolidados no imaginário coletivo, ou seja, a estrutura narrativa precisa ser comum às sociedades em que se coloca a teoria da conspiração. Ao mesmo tempo, tudo deve remeter ao mesmo grupo (estrutura causal).


Aqui temos:

Estrutura Narrativa + Estrutura Causal.

1. A estrutura narrativa deve ser comum ao imaginário coletivo;

2. A estrutura causal deve levar a um mesmo grupo.


Outro ponto central é que a teoria da conspiração deve apresentar simultaneamente uma segurança afetiva e uma segurança epistêmica para pessoas inseguras. A teoria da conspiração serve como uma âncora.


Outro fator interessante é que a internet plataformizada é o que garante maior vitalidade às teorias da conspiração. A internet moderna funciona mais ou menos assim:

Influenciadores criam tendências e usuários comuns seguem essas tendências.


Em inglês, o teórico da conspiração é chamado de seeker. Isto é, ele é, por natureza, um buscador. O algoritmo, contudo, otimiza as informações com base no comportamento do usuário. Isso leva a uma retroalimentação. Por um lado, o teórico da conspiração busca. Por outro lado, o algoritmo o incentiva. A radicalização conspiratória é uma ascendente.


Outros pontos interessantes abordados nesse curso:

1. O papel das bolhas digitais para gerar a ausência de contraponto;

2. O nudging como um fenômeno gerado subliminarmente pelo algoritmo ao recomendar conteúdo conspiratório;

3. A conspiritualidade (espiritualidade pautada em teorias da conspiração).


Atualmente temos uma soma bastante tenebrosa:

Narrativas conspiratórias

+

Políticos

+

Moralidade/Religiosidade

=

Desenvolvimento da guerra conspiratória (conspiracy warfare) moderna.

Esse fenômeno pode ser visto em QAnon.


No Brasil, vimos a construção de uma radicalização por ondas informacionais de teorias da conspiração. Isto é, criou-se uma lente conspiratória baseada em arcos narrativos. Só lembrarmos as teorias que foram apresentadas:

- Voto Impresso;

- Fraude nas urnas eletrônicas;

- Fraude nas eleições;

- Inimigos que foram forjados narrativamente.


Tudo isso foi escalado por políticos, influenciadores e figuras públicas até gerar a tragédia que foi o 8 de janeiro de 2023.

Memória Cadavérica #59 — Entre Estudos e Gameplay

 



Memórias Cadávericas: um acervo de textos aleatórios que resolvi salvar (no Blogspot) para que esses não se perdessem.


Contexto: texto originalmente escrito para um grupo de amigos no Telegram.


Vocês têm noção do quanto fazer cursos e jogar videogame é mais saudável do que ficar em redes sociais? Sério mesmo, é muito melhor fazer cursos do que perder tempo vendo campanhas de ragebait em redes sociais.


Hoje fiz dois cursos rápidos no ICL (Instituto Conhecimento Liberta). Um era "Teorias da Conspiração: A realidade em disputa" e o outro era "A Economia da Atenção". Fora que ganhei dois novos certificados pra exibir no LinkedIn.


Passei o dia alternando entre notas e gameplay. Alternava entre escrever e jogar Palia. Consegui upar todas as minhas skills para 10.

segunda-feira, 24 de agosto de 2026

Acabo de ler "O Mínimo sobre Bigodagem" de Rasta

 



Nome:

O Mínimo Sobre Bigodagem


Autor:

Rasta (João Nogueira da Silva Neto ou João Rasta Nogueira)


Há anos venho acompanhando o trabalho do Rasta. Ele é, para ser mais exato, o apresentador do Brasil Paralelo de quem mais gosto. Ter a possibilidade de finalmente ler o seu livro é, para mim, uma honra. Lembro-me de ter apresentado o programa Rasta News a várias pessoas, incluindo familiares e parentes. O trabalho que ele faz é realmente fascinante e merece maior consideração.


O livro do Rasta trabalha com vários intelectuais extremamente interessantes. Vários deles li enquanto estudava na faculdade de filosofia. Entre eles, Roger Scruton e Eric Voegelin. A linguagem, contudo, é extremamente acessível. O leitor iniciante se sentirá bastante tranquilo.


O livro trabalha com a temática da bigodagem, isto é, do poder sem responsabilidade. Ele tem diversos temas em que fala sobre isso. É um livro leve e recomendável para quem está se introduzindo no meio conservador.


O livro se aproxima do formato do Rasta News, mas de forma literária. Para quem acompanha seja o Rasta News, seja a Produções Productions, vale muitíssimo a pena!